segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O lado negro da ideologia

O resultado eleitoral do dia 4 de Outubro já provocou a criação de dois blocos. As movimentações para um governo de esquerda com a participação de Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português alertou a direita portuguesa. Nos próximos dias estão marcados várias manifestações por parte daqueles que se dizem "democratas" contra os "reaccionários". As palavras são dos organizadores de um protesto que terá lugar na quarta-feira. No dia 9 e 10 de Novembro haverá uma concentração junto da Assembleia da República para contestar as moções de rejeição ao programa de governo.

A forma como se tratam os adversários políticos está ao nível das guerrilhas futebolísticas que temos vindo a assistir. A esquerda não gosta das políticas "retrógradas" da direita, enquanto esta apelida de "reaccionários" todos aqueles que não partilham a mesma visão ideológica e ganham no parlamento o direito a conquistar uma maioria que garante estabilidade ao governo. O bom senso é algo que não faz parte das reacções exageradas que revelam mau perder. 

O combate ideológico não pode ser feito desta forma. No entanto, são alguns sectores da sociedade civil que apelam a um mau estar entre a população. A nossa sorte é não termos partidos extremistas com implementação significativa na sociedade porque senão teríamos alguns problemas. Os partidos não se podem rever neste tipo de discurso ou chamamento, sendo necessário condenar todo o tipo de incentivo à desordem pública na hora da derrota. O problema é que o mau estar começa no próprio parlamento, mas também quando os políticos não assumem as responsabilidades, em particular nas situações de apego ao poder. Nos últimos anos temos vindo a assistir a este tipo de situação que se agravou com a chegada à liderança dos partidos de Pedro Passos Coelho e António Costa, porque Paulo Portas já cá anda há muito tempo. As tácticas políticas de assalto ao poder e manutenção dos mesmos também originam sentimentos negativos nas populações. 

A culpa não é só do povo. 

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