quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Labour não apoia mais intervenções militares

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pretende apoio por parte do Partido Trabalhista para os bombardeamentos aéreos na Síria. No entanto, o líder trabalhista garante que não vai dar o apoio, mas que os deputados podem ter liberdade de voto quando a proposta for votada na Câmara dos Comuns durante a próxima semana. 

A posição de Corbyn marca uma viragem no Partido Trabalhista. Ou seja, os trabalhistas deixaram de ser favoráveis a intervenções militares, independentemente dos motivos. Não se trata de mais uma mudança de paradigma. As alterações são significativas porque os trabalhistas, como partido de centro-esquerda, sempre foram favoráveis e apoiaram a utilização da força para combater o mal, sobretudo quando o território britânico estava a ser atacado. Neste momento, o chefe de governo assegura que já foram evitados vários atentados em Londres. 

O exemplo mais evidente do posicionamento do Labour foi a guerra no Afeganistão em 2001 e no Iraque dois anos depois. Tony Blair nunca teve dúvidas que as intervenções foram a melhor forma de combater o terrorismo. Uma década depois, e numa altura em que o Reino Unido vai entrar noutra guerra, embora diferente; os trabalhistas não mostram disponibilidade. Não percebo a atitude do líder Jeremy Corbyn porque o que está em causa é a segurança do país e não causar destruição noutro país. Contudo, o mais importante é perceber o que mudou no Labour. 

A viragem do partido para a esquerda parece estar quase consumada. Ed Miliband deu um passo nesse sentido, mas Jeremy Corbyn parece que vai confirmar a tendência, mesmo que tenha contra si a maior parte dos deputados trabalhistas eleitos para a Câmara dos Comuns. Aos poucos o líder surpreendentemente eleito em Setembro tem conseguido mudar o partido. 

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