segunda-feira, 23 de novembro de 2015

As várias facetas da Turquia

A Turquia tem sido um elemento importante na guerra civil síria, bem como no ataque às acções do Estado Islâmico. A forma como Ancara tem estado nos dois lados da questão também tem consequência, sobretudo na intenção de vir a ser membro da União Europeia. Ora, o governo turco não pode querer apoiar algumas organizações e ter o respeito da maioria dos países europeus. Não tenho dúvidas que Erdogan joga em dois campos para conservar os alianças que mantém a ocidente e oriente. 

O território turco tem sido um espaço para milhares de europeus chegarem à Síria, sem que haja preocupação nas medidas a tomar para um eventual regresso de jovens radicalizados. A desconfiança em relação aos curdos não permite mais apoio no terreno contra os guerrilheiros do Daesh. Os únicos que combatem o Estado Islâmico com tropas terrestres são os curdos e o exército de Bashar al-Assad. Se a Turquia oferecer mais apoio os curdos têm mais sucesso no campo de batalha. Também falta um esclarecimento de Erdogan relativamente ao presidente da Síria. Parece haver um apoio pouco visível para não chatear a União Europeia e os Estados Unidos. Ao contrário do que acontece com Moscovo, Ancara não é explícita. 

No plano europeu, Erdogan quer juntar-se à União Europeia, mas continua a mostrar pouca solidariedade e falta de vontade em fazer reformas no país para ser aceite na comunidade democrática. A economia não é um problema, embora as questões políticas mereçam desconfiança por parte dos líderes europeus. 

As várias facetas da Turquia suscitam dúvidas sobre o caminho que quer trilhar. Não pode estar com um pé dentro e outro fora das regras políticas, económicas e sociais exigidas pela Europa do Século XXI. A actual postura também pode custar perder aliados no Médio-Oriente. 

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