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terça-feira, 6 de outubro de 2015

PS nas mãos de Sócrates

A derrota de António Costa nas legislativas cria um problema interno no Partido Socialista. Em primeiro lugar porque os objectivos não foram alcançados, mas uma demissão não garante estabilidade ao partido. Se houver barulho as presidenciais podem estar perdidas e o líder sentir-se-à obrigado a fazer acordos com a esquerda devido às pressões. 

Não sou favorável à queda de um líder da oposição quando perde as eleições, em particular quando se trata de um grande partido como é o PS. Defendo que seja necessário reflexão interna que não tem de passar por realização de eleições internas. Neste caso, seria importante um congresso após as presidenciais. No entanto, as últimas informações apontam para a marcação de um conclave e eleições primárias. 

O actual secretário-geral não é pessoa para desistir. Ou seja, não vai atirar a toalha ao chão porque também tem uma posição favorável neste quadro parlamentar. No fundo, pode fazer acordos com a esquerda e o governo. As eleições primárias são uma forma de legitimar a liderança de Costa e calar a oposição interna, mas também permitir o regresso de José Sócrates à vida política. Enquanto o antigo primeiro-ministro tenta provar a sua inocência nos tribunais, Costa mantém o equilíbrio no partido e na legislatura. O PS não ganha nada em ser responsável pela queda do executivo, a não ser que tudo corra mesmo mal à coligação. Nos próximos quatros anos o PS deve ter uma atitude construtiva e vigilante. Só assim consegue ter hipóteses para 2019. Tenho a convicção que José Sócrates volta à liderança do PS nessa altura.

Os resultados das legislativas provaram que Costa não tem mais para oferecer. Não tenho dúvidas que foi um bom autarca, mas é preciso mais ideias para chegar a primeiro-ministro. Neste aspecto, Passos Coelho e Paulo Portas, sobretudo o último são muito melhores. Como se viu a máquina da direita conseguiu dar a volta ao texto num ano. António Costa garante que ninguém fica com o partido até ao regresso de Sócrates. Neste período o PS não pode mudar constantemente de liderança nem dar sinais de instabilidade sob pena de ser visto como um partido que não oferece alternativa. No fundo, foi por causa disto que os resultados de Domingo foram um fracasso. 

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