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domingo, 25 de outubro de 2015

Olhar a Semana - Vendettas políticas

A actual situação política tem-se transformado numa autêntica vendetta política que tem como objectivo ou assalto e manutenção do poder. Vejamos:

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português apresentaram moções de rejeição ao programa de governo na noite eleitoral de 4 de Outubro. Uma autêntica vingança política relativamente aos quatro anos de austeridade impostos pela direita. 

Uns dias mais tarde, o Partido Socialista anunciou conversações com os partidos de esquerda, tendo encenado negociações com a direita só para não excluir nenhuma força. António Costa até se reuniu com o PAN. A primeira vendetta sobre o PSD e CDS estava feita. 

Na quinta-feira o Presidente da República indigitou Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, mas fez mais. Cavaco Silva aplicou uma vendetta aos partidos de esquerda, em particular o PCP e o BE, quando deixou subentendido que não iria dar posse a um executivo liderado por António Costa com apoio de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. 

Umas horas mais tarde, o PS anunciou uma moção de rejeição ao programa de governo como resposta ao discurso hostil do Presidente da República. 

Provavelmente Pedro Passos Coelho vai ficar a liderar um governo de gestão para vingar a forma como o Partido Socialista impediu a plenitude de funções do governo e a consequente demissão. 

A última vendetta ocorrerá durante o período de substituição do chefe de Estado em que a esquerda vai legislar sobre tudo e mais alguma coisa para mostrar a sua força. 

Os acontecimentos desde 4 de Outubro até às próximas eleições revelam a mesquinhez política dos nossos líderes partidários. Nenhum colocou o lugar à disposição para facilitar as negociações. Por esta razão também não passa no parlamento um governo de iniciativa presidencial, sendo que essa seria a melhor solução. Numa altura em que os poderes constitucionais estão limitados, os partidos com assento parlamentar deveriam pensar em eleições internas para questionar as lideranças que obtiveram maus resultados nas últimas legislativas. No entanto, o cheiro a poder é mais forte. Por isso é que ninguém cede em nome do interesse nacional e todos os passos dados visam exclusivamente ambições partidárias e resolver questões de sobrevivência política. No último caso, particularmente os três maiores partidos. 

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