domingo, 4 de outubro de 2015

Dia de eleições - O estabilizador


A intervenção de Cavaco Silva vai ser importante para garantir estabilidade no país. O Presidente da República tem de ter a certeza daquilo que vai fazer porque também está em fim de ciclo. Em Janeiro há presidenciais e o novo Chefe de Estado não pode fazer nada até Maio de 2015. Ou seja, as escolhas de Cavaco terão consequências externas, mas também nos próprios partidos. Caso nenhum dos partidos consiga maioria absoluta, a liderança de PSD, CDS e PS vai ser posta em causa até realização de novo acto eleitoral. As pressões internas determinam a formação de alianças no parlamento. 

Na minha opinião, Cavaco Silva optará por dar posse à formação que tiver mais votos, mesmo que não obtenha maioria absoluta. O orçamento passa sem dificuldades e o programa de governo só tem relevância constitucional se houver alguma bancada parlamentar que proponha um voto de rejeição. 

As opções do Presidente da República não agrada a todos, mas é a única que garante estabilidade até às presidenciais. Não acredito que tente construir consenso numa altura em que também se jogam as lideranças partidárias. No governo ou oposição, Passos Coelho e António Costa não estão seguros se não houver maioria relativa. Assim que o novo Chefe de Estado seja eleito, o parlamento cai bem e são convocadas eleições antecipadas, mas antes haverá escrutínio interno nos partidos. 

Em 2013 Cavaco Silva tentou um entendimento entre os três maiores partidos, tendo estabelecido um papel de moderador na crise que o país vivia na altura devido ao acto "irrevogável" de Paulo Portas. Dois anos depois não iremos assistir à mesma atitude. O Presidente da República vai querer estabilidade e deixar para o seu sucessor a resolução do problema. 

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