quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Erro histórico

A jogada de António Costa para chegar ao poder, mesmo que não tenha vencido as eleições, é um erro histórico, do qual vai ter implicações políticas. Na frente interna e externa. 

O primeiro será levar o país para uma onda de desconfiança em relação às entidades organizacionais. O Presidente da República nem sequer indigitou qualquer nome para primeiro-ministro e a Europa já lança avisos. O problema não tem a ver com o Partido Socialista, mas com o próprio Costa, que, parece querer levar o partido para a esquerda. Não é bom quando alguns dirigentes comparam o nosso país com a Grécia. No entanto, todos sabem que as políticas despesistas estão de volta. 

As implicações internas são mais do que as externas. Em primeiro porque o BE e PCP não vão para o governo. Alguns podem ficar aliviados, mas é o pior que pode acontecer ao país. Sem um desses partidos no executivo, o risco de ruptura torna-se cada vez maior. Desde logo por causa das obrigações internacionais. Não percebo como é que a esquerda aceita dialogar com António Costa e nunca o fez em relação a José Sócrates. Dirão os apoiantes comunistas e bloquistas que o actual secretário-geral socialista está mais à esquerda do que o ex-primeiro-ministro. 

O outro problema é a divisão no Partido Socialista. Os centristas e os moderados do PS nunca vão aceitar estar nas mãos de dois partidos que não garantem estabilidade política sem fazerem parte do governo. Pelo menos um deles deveria fazer parte do governo. Nesta situação, homens como Francisco Assis, Álvaro Beleza e outros que começam a sair do anonimato não querem aliar-se a ninguém. Pretendem que os socialistas estejam no governo ou na oposição de acordo com o programa eleitoral. No entanto, não acredito numa "pasokização" dos socialistas por causa dos históricos. Neste aspecto, Mário Soares, Jorge Sampaio, Vera Jardim e outros têm um papel importante na manutenção da ideologia do partido, sendo os únicos com capacidade para derrotar António Costa. 

Por exemplo, não é por acaso que José Sócrates obteve melhores resultados com um discurso centrista do que Costa optando por fazer um corte ideológico com os moderados. 

2 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Francisco, eu por acaso acho que na verdade não existe legitimidade para um governo de esquerda com PCP e BE. Por acaso até concordo que o PR deveria ter indigitado o Passos Coelho e por acaso até acho que constitucionalmente a melhor saída será novas eleições em Junho para aí.

O que não aceito, não concordo e acho totalmente despropositado é o discurso do ex-presidente da republica. Neste momento ele representa apenas 41% dos portugueses. Senti-me insultado e excluído. Não é legitimo o ataque que ele fez e pouco contribui para o objectivo que diz ter.

Contribui isso sim para o medo e para uma outra coisa, coisa essa com a qual estou frontalmente em desacordo. Um governo de esquerda como resultado destas eleições não seria uma boa ideia. Uma nova maioria PSD/CDS fabricada com base no medo por uma manobra politica também não.

Francisco Castelo Branco disse...

Daí que o PS devia ter uma atitude responsável.

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