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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As dificuldades de um entendimento entre a esquerda

As sondagens mostram que a Coligação vence, mas sem maioria absoluta. Ora, o PS responde trazendo casos da vida real para os comícios. A última foi uma senhora cujo filho tinha casado na Quinta das Torres, embora trabalhasse na China. Os socialistas aproveitaram o momento da senhora cor-de-rosa para tentar roubar os votos à direita. 

Confesso que me sinto impressionado pela forma como a direita se uniu nesta campanha, enquanto o PS mostra divisão. Um exemplo disto é a falta de presença dos antigos líderes. Seguro foi varrido por Costa. É natural que não apareça. Sócrates está em prisão domiciliária e só fala após as eleições. Soares prefere visitar Sócrates do que descer ruas com o actual secretário-geral. Também não se vê vivalma de Jorge Sampaio. Calma. Sei que o antigo Presidente da República não foi líder, mas foi chefe de Estado durante dez anos. O único que se junta a Costa é Ferro Rodrigues. No entanto, a sua importância como líder socialista foi quase nulo. 

Os partidos de esquerda, como o BE e o PCP, também entraram em conflito com o PS, numa altura em que tentam chegar ao poder através de uma coligação com os socialistas. Isto não faria sentido se, no terreno, já se tenham apercebido que Costa não vai lá. Isto é, não chega a São Bento por via da maioria dos votos, quanto mais através de mais apoio na Assembleia da República. 

Não sabemos o que vai acontecer no Domingo, embora possamos concluir que não haverá uma maioria de esquerda no parlamento nos próximos quatro anos. Não consigo entender como é que, havendo mais partidos do que à direita, torna-se complicado chegar a um consenso. A história de Portugal confirma que a esquerda, em particular o PCP, não tiveram uma importância positiva no desenvolvimento da nossa democracia. 

A culpa não é só dos partidos ditos mais radicais, mas também do PS porque nos últimos anos não tem assumido uma ideologia de combate à suposta ideologia de direita que governa Bruxelas. Como se viu em vários países, por exemplo em França com Hollande e o PASOK na Grécia, as ideias de esquerda não conseguem evitar as políticas de austeridade e controlo orçamental. Nenhum líder socialista tem a capacidade para governar com um programa baseado nos velhos princípios. Neste ponto o secretário-geral do PS não sabe disfarçar a dificuldade em assumir um único discurso, o que suscita ataques provenientes da direita e da esquerda.  

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