quarta-feira, 14 de outubro de 2015

À medida de Cavaco

A actual situação política serve os interesses do Presidente da República. Ou seja, não estando reunidas condições políticas para haver um governo estável, nomeia-se aquele que tem mais probabilidades de seguir as orientações gerais do Chefe de Estado. Seja à esquerda ou direita, ninguém tem capacidade para durar os quatro anos de legislatura. No entanto, isso é o menos importante, tendo em conta que vamos ter eleições presidenciais em Janeiro. O que interessa é o resultado das presidenciais. 

Durante os períodos constitucionais que limitam os poderes do actual e futuro chefe de Estado haverá um governo minoritário que tem a responsabilidade de cumprir o programa e o orçamento. Não mais do que isso. Por estas razões, Cavaco vai ignorar a frente de esquerda liderada por António Costa e nomear Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, mesmo que corra um risco enorme durante o programa do governo e o orçamento. Na minha opinião tanto um como o outro vão passar. Contudo, quem será o verdadeiro "chefe de governo" é o próprio Presidente da República, que também aconselha António Costa a não impedir a formação do executivo porque, em termos internos, também se encontra numa situação complicada. 

Nos próximos seis meses vamos assistir ao regresso de Cavaco Silva como homem mais poderoso do país, situação que nunca rejeitou. A justificação da opção tomada será sempre em nome da estabilidade nacional,já que, Passos Coelho não é vítima de nenhuma revolta interna para o derrubar. O único que o pode fazer cair é António Costa e os líderes do PCP e Bloco de Esquerda. 

O cenário está montado para Cavaco Silva voltar a ser Deus Todo Poderoso deste país. Ainda que só por alguns meses, mas suficiente para escrever um livro.

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