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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tipicamente português

A polémica em torno da vinda de refugiados para Portugal provocou comentários pouco felizes dos nossos responsáveis. António Costa disse que os emigrantes poderiam trabalhar nas nossas florestas, mas há quem entende que eles também serviam para ajudar os bombeiros. 

As declarações proferidas são infelizes porque reduzem os refugiados a um bando de pessoas que não tem capacidade para mais nada do que fazer trabalhos de menor dimensão. No fundo, é o que se passa em alguns sectores da nossa sociedade. Há sempre alguém que gosta de menorizar o trabalho dos outros por estarem hierarquicamente num lugar inferior. 

A mentalidade portuguesa é assim. Tenho a certeza que muitos refugiados que vão chegar a Portugal e à Europa tiveram uma profissão na terra onde a guerra lhes caiu em cima. No entanto, no nosso país podem não ter as oportunidades que procuram porque os nossos responsáveis se calhar não vão dar a oportunidade que merecem. A questão central é a forma como dirigentes de topo estão a tratar as pessoas que ainda nem sequer chegaram. O destino dos refugiados não pode ser objecto de apreciação pessoal para fins eleitorais. Venham ou não trabalhar na floresta isso é uma matéria que não tem de ser discutido na praça pública, ainda por cima quando estamos em campanha. Repito que a atitude demonstrada nos últimos dias é uma prática constante no dia-a-dia das empresas. 

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