segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os três desafios de Jeremy Corbyn


A eleição de Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista marca um novo ciclo na política britânica. Após o fracasso da liderança de Ed Miliband, o Labour decidiu apostar num homem ainda mais à esquerda do anterior líder. Os homens que colocaram o partido no poder durante 13 anos, Tony Blair e Gordon Brown, foram os maiores críticos durante a campanha eleitoral que começou a seguir à derrota histórica nas eleições legislativas de Maio. 

Os trabalhistas têm um desafio complicado pela frente. Não se trata apenas de regressar ao poder, mas, em primeiro lugar, tirar a maioria absoluta ao Partido Conservador. A primeira tarefa será essa. Talvez os trabalhistas regressem ao governo daqui a 10-15 anos. Na minha opinião, o partido escolheu Corbyn para desgastar o governo, embora não o vejam como um grande líder. Concordo que o Partido Trabalhista tenha de ter soluções de esquerda porque essa é a sua matriz política. No entanto, como se viu com Ed Miliband, a radicalização das propostas e, sobretudo, do discurso não agrada aos britânicos que são maioritariamente conservadores. 

O primeiro-ministro fica numa posição vantajosa se o caminho trilhado pela oposição continuar a ser o mesmo. No entanto, os trabalhistas têm outro problema com que se preocupar. As intervenções do Partido Nacional Escocês na Câmara dos Comuns têm sido mais responsáveis politicamente. 

O novo líder tem de vencer algumas batalhas se quiser chegar a primeiro-ministro. Em primeiro lugar apresentar medidas que garantam ao Labour voltar a conquistar os seus apoiantes tradicionais, deixando de estar dependente dos sindicatos que causaram problemas a Ed Miliband. O segundo trabalho passa por construir uma oposição no parlamento que seja melhor do que a dos nacionalistas escoceses. Por fim, chegar à população britânica.

Neste último ponto vai ser importante a posição tomada por Jeremy Corbyn em relação ao referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Caso o actual líder decida ficar ao lado de Nigel Farage na campanha contra a saída, é mais um problema para o partido no plano interno. 

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