quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Nem sim nem não



As perguntas mais difíceis colocadas pelo trio de jornalistas que moderou o frente-a-frente entre Pedro Passos Coelho e António Costa não foram respondidas. Os candidatos a primeiro-ministro fugiram habilmente sobre uma eventual demissão em caso de derrota e se existe a possibilidade de haver um bloco central. No entanto, a escapadela do debate pertenceu a António Costa quando questionado se iria visitar José Sócrates à porta 33 da Rua Abade Faria. Um taxativo "não sei" e "não está previsto", pode vir a ter consequências políticas se o ex-primeiro-ministro ficar zangado com a falta de solidariedade.

O líder socialista atacou bem as fragilidades do executivo, mas Passos Coelho conseguiu respostas à altura do cargo que ocupa. Costa perdeu quando trouxe os gráficos que mostram números da economia. Neste campo devia ter-se resguardado ao ridículo porque este tipo de combate já não se usa. Embora consiga colocar a nu o excesso de austeridade que afectou milhares de portugueses, não concretiza as medidas com que pretende fazer diferente. O problema é que continua a prometer sem dizer como. Um exemplo é a forma como Passos Coelho explica que a criação de emprego tem de ser feita através da injecção de dinheiro nas empresas, mas António Costa não explica quais as políticas necessárias para fazer crescer a economia. Não sei se teve medo de dizer que também iria apostar nas empresas por razões ideológicas. 

Num outro plano, o presidente do PSD deveria não deveria ter recorrido muito à governação Sócrates. Poderia tê-lo feito sem mencionar o nome do ex-primeiro-ministro devido ao momento judicial. 

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