sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Assembleia multi partidária sem governo

A sondagem que a SIC e o Expresso publicou tem muitas leituras. 

O PS vence e garante a António Costa o direito de reclamar a chefia do governo, mesmo que perca no número de mandatos. O Presidente da República vai sempre chamar aquele que obtiver o maior número de votos. A coligação ainda tem uma esperança porque os socialistas estão a descer. Nas próximas duas semanas a campanha vai endurecer porque também começam os tempos de antena. Os partidos da direita esperam que aconteça o efeito Cameron. Ou seja, a vitória do partido que estava no governo, não obstante as sondagens que davam uma ligeira vantagem à oposição. No dia das eleições foi o que se viu...

A vitória do Partido Comunista Português. A CDU volta a ter um papel importante no quadro político ganhando votos ao PS, BE e demais partidos à esquerda que tentam eleger deputados para a Assembleia da República. A chave da constituição de um futuro governo será o PCP e não os bloquistas, por isso, a jogada de Catarina Martins no debate com António Costa foi um risco, porque os comunistas estão mais perto de ter a faca e o queijo na mão. 

O partido de Marinho Pinto tem a possibilidade de eleger dois deputados. A eleição de Marinho e Pinto será um motivo para os portugueses acompanharam todas as sessões parlamentares nos próximos quatro anos. Nem a coligação, nem o Partido Socialista sozinhos precisam do antigo bastonário para viabilizar uma maioria absoluta. No entanto, socialistas, comunistas e republicanos democráticos são necessários para convencer Cavaco Silva a não convocar novamente legislativas. 

A esquerda vai estar em peso no próximo parlamento. O BE elege deputados que garantem a continuidade do ruído e o Livre tem possibilidades de se fazer ouvir. Rui Tavares e Catarina Martins são dois bons políticos que farão uma oposição responsável, mas polémica. Se o PSD estiver em processo eleitoral interno a verdadeira oposição será feita pelos dois. 

Por fim, o que acontece no PSD e CDS. Os sociais-democratas e centristas tudo farão para impedir a formação de um novo governo suportado por uma maioria composta por vários partidos. Tentam negociar com o PDR para o PS apresentar um orçamento sem garantia de passar na Assembleia da República. No entanto, as questões orçamentais e os cortes previstos pelo PS nas pensões obrigam a duras negociações entre os comunistas e António Costa. Se o PCP não estiver alinhado com os socialistas, não será o PSD nem o CDS que vão dar uma mãozinha, já que, dessa forma calam a oposição interna. Neste período, Passos Coelho e Paulo Portas preocupam-se em apagar os fogos internos e a encontrar razões para o governo socialista durar o menos tempo possível. 

Perante o cenário em causa quem fica numa posição desconfortável é o Presidente da República, que tem os poderes limitados por causa das eleições presidenciais. Cavaco Silva vai decidir ou deixar o problema para o seu sucessor?

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