domingo, 16 de agosto de 2015

No Pontal tudo mudou

O discurso de Pedro Passos Coelho na festa do Pontal foi diferente se tivermos em linha de conta o que tem sido a retórica habitual dos dois partidos que lideraram a coligação governamental nos últimos quatro anos. O presidente social-democrata não atacou a oposição, não fez um discurso de ajuste de contas com o passado, tendo preferido olhar para o futuro. 

Também foi importante Passos Coelho ter explicado os contornos das negociações entre a União Europeia e a Grécia. É inqualificável como o Partido Socialista defendeu os desvarios orçamentais que o governo grego queria ter possibilidade de fazer durante os próximos anos. Ficámos a saber que o Syriza, em particular Yanis Varoufakis, não tinham nenhuma proposta para o crescimento da economia, preferindo optar pela rejeição da austeridade sem nenhum argumento. 

Os dados económicos que já fiz referência num post anterior oferecem uma maior tranquilidade aos dois partidos. Será com base nesses números que se vai fazer propaganda. Ou seja, o optimismo vai substituir a habitual campanha pessimista que ter lugar em Portugal. 

O mais importante para PSD e CDS é a união de todos em torno da coligação. Neste momento não há facções ou egoísmos individuais que possam perturbar o caminho escolhido pelas actuais direcções partidárias. Penso que se trata de um factor determinante na hora de recolher os votos dos indecisos. A união permite reconquistar os eleitores social-democratas e democratas-cristãos que se sentiram desiludidos com a governação. 

1 comentário:

Fernando Vasconcelos disse...

E tu acreditas mesmo na história que te contam da Grécia? Mesmo, mesmo? O problema é que quando se colocam as coisas em termos de confronto entre nações nunca mas nunca acaba bem ... aliás o confronto raramente acaba bem seja de que tipo for. E o que estes pseudo-governos tecnocratas da Europa estão a fazer é simplesmente voltarem a dar razão a Marx ... pensa nisso, mas pensa mesmo e não te deixes iludir. Não se trata da Alemanha versus a Grécia trtata-se da protecção dos interesses de uma corja que utiliza o poder económico para manter e aumentar os privilégios de que dispõem sem qualquer tipo de consciência social. Esses indivíduos estão a destruir o estado social e a criar um estado policial em que na verdade teremos de novo classes porque estarão minados os fundamentos da Social Democracia; educação, saúde, segurança social, justiça igual para todos. Futuro? Falar de futuro seria dizer-nos que não prescindiria nunca do sistema que teoricamente o nome do partido defende - Partido Social Democrata, lembram-se? Sabem o que é ou também já se esqueceram? ... mas essa opção agora nem sequer a prometem antes das eleições - querem carta branca para depois poderem fazer o que querem ... É triste, muito triste que não exista nesta Europa de hoje um Willy Brandt para por estas sanguessuga bancárias e financeiras no seu devido lugar ... ou seja na prisão. Mas é igualmente triste que na maioria dos casos continuemos a aceitar esta conversa da treta da Grécia. A seguir caro Francisco virá Portugal e aí dirás o quê? Que foi pouco demasiado tarde? E quando tivermos uma sociedade como em 1940 sem direitos para os trabalhadores e a consciência da maioria da população que deixou de existir igualdade de oportunidades - daqui a uns 40 anos farás o quê? Quando para existir ordem terás de ter policia e exercito na rua justificarão isso como? Com o dever de preservar o estado de direito? O estado que demoliu as ferramentas que garantiam a possível igualdade de oportunidades e alguma decência na distribuição da riqueza? O que está em questão no Mundo Ocidental desde há uma década é muito mais profundo do que o que pensas Francisco. Estão a demolir a Social Democracia e nós estamos a deixar porque os nossos representantes não têm qualquer poder e se deixam manipular pelos detentores do capital com medo das represálias. Esse é o problema. Os governos não mandam. Quem manda são os bancos, os FMI, etc ... paremos com isto enquanto é tempo é o que te digo. Sabes que ainda no século passado quem fizesse metade daquilo que estes srs estão hoje a fazer seriam condenados por alta-traição? Sabes que juros como os que estão a ser cobrados seriam considerados usura ilícita? Mas hoje não justificam-nos com pseudo-ciência e pseudo-valores como a retribuição dos accionistas como se os direitos desses poucos devessem prevalecer sem discussão sobre os direitos de todos ... Dizia um grande empresário japonês que as mais valias de uma qualquer empresa eram justificáveis apenas pelo retribuição que essa mesma empresa desse à sociedade. Eu acredito no sistema capitalista. Defendo-o mesmo até nas suas limitações mas para que ele funcione o estado tem de ter prevalência sobre o mesmo, tendo uma efectiva capacidade de controlo e de equilíbrio. Neste momento ajudados pela total demissão da comunicação social o que se passa é o inverso. Com medo de serem gozados ou pior assim que exprimam uma qualquer opinião de critica do sistema financeiro nem governantes nem jornalistas se atrevem a sequer emitir uma dúvida ou discutir a cartilha neo-liberal vigente. Há mesmo que mudar Francisco e começar a discutir seriamente e não seguir os sound bytes que nos buzinam. Por aí não vou.

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