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terça-feira, 28 de julho de 2015

Mudança de temperamento


O primeiro-ministro britânico, David Cameron, tenta uma forma de conquistar os parceiros europeus para a causa britânica. O apoio de Angela Merkel é importante, mas não suficiente para garantir o objectivo de rever os tratados europeus. No mínimo, tem de conseguir suporte da França e de alguns países do leste europeu porque são eles que vão sofrer com as exigências britânicas devido às medidas em relação aos imigrantes. 

O que não se percebe nesta ofensiva política de Cameron são as posições que mantém sobre o assunto. Quando sai de Londres faz um ultimato para sair do clube europeu, mas no regresso a casa aconselha a população no voto a favor da manutenção do Reino Unido na União Europeia. Na minha opinião o chefe de governo tem uma posição para fora do país e uma que serve os interesses britânicos. Ora, embora queira que a Europa mude de paradigma, ao mesmo tempo tem medo das consequências de uma votação que indique a saída do clube europeu. 

Isto também aconteceu na recente crise grega onde Alexis Tsipras demonstrou vontade em sair, mas sabe que isso era o pior para o país, o que fez com que aceitasse as duras medidas de austeridade.

O Reino Unido sofre consequências políticas que levarão ao isolamento se optar por abandonar a Europa e não será por isso que se aproxima mais dos Estados Unidos. O provável afastamento é um dos maiores receios de David Cameron, embora não queira que a França e Alemanha detenham o poder de tomar todas as decisões mais importantes. O Reino Unido deve ser incluído e ter uma posição forte. 

A nega com que David Cameron termina a próxima viagem marcada para final de Setembro/Outubro pode deixar marcas que o levam a alterar a sua decisão. Ou seja, fazendo campanha pelo NÃO à Europa e estar ao lado de Nigel Farage. Tendo em conta as exigências politicas, o temperamento do primeiro-ministro e a fragilidade da oposição britânica haverá um volte-face na atitude de Cameron. Não acredito que leve uma nega e aceite ficar na mesma Europa que não quis nada com as propostas britânicas porque sem condições favoráveis ao Reino Unido qual é a razão para defender a manutenção na Europa?

No meu entendimento não é o resultado do referendo que garante a vitória a Cameron. O SIM da Europa é muito mais relevante do que a vontade do povo britânico. O primeiro determina a continuidade do actual governo até final da legislatura. 

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