sexta-feira, 10 de julho de 2015

Lei dura de Tsipras

A semana da Grécia começa com uma vitória para Alexis Tsipras, mas acaba mal para o primeiro-ministro. A aceitação do pacote de austeridade para o país, sob pena de continuar a não haver dinheiro em Atenas, significa uma vitória para os credores, mas uma derrota para o povo grego, que no fim-de-semana passado votou contra a austeridade e a manutenção da Grécia na zona euro. Ora, a população entende que a única alternativa às medidas duras da Europa é a saída da moeda única. Não há qualquer dúvida em relação a isto. 

As novas medidas vão originar um sentimento de revolta da população, que vai começar a pedir a demissão do actual governo, porque não votou a favor da austeridade em dois momentos. Em Janeiro quando quase ofereceu a maioria absoluta ao Syriza e no referendo.

O único motivo na mudança de atitude de Tsipras face a Bruxelas está relacionado com a imposição de um estado autoritário. Aliás, na última semana surgiram notícias de processos a jornalistas que deram destaque à campanha do SIM. Ou seja, o chefe do governo pretende colocar os gregos entre a espada e a parede. Isto é, a população tem de aceitar as condições duras, mas não se pode manifestar contra. O governo jamais será contestado. É a única leitura possível para o volte-face de Alexis Tsipras durante a semana.

Não há outro motivo para aceitar as condições muito complicadas que vão ser impostas aos gregos e também ter despedido Yanis Varoufakis. A governação do Syriza tem mudado a cada instante, o que origina suspeita sobre as suas verdadeiras intenções.

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