quinta-feira, 23 de julho de 2015

A última vingança de Cavaco Silva

O Presidente da República anunciou que as eleições legislativas se vão realizar no dia 4 de Outubro. No entanto, quando todos esperavam o fim da declaração ao país, eis que Cavaco Silva surpreende a nação com o seu último ultimato, ou vingança política. Nenhum governo minoritário vai entrar em funções até Cavaco Silva ser Chefe de Estado. Ou seja, entre Outubro de 2015 e Março de 2016 podemos ter um país parado com um débil Orçamento de Estado. 

A ameaça de Cavaco Silva é um desrespeito pela democracia, mas também pela vontade dos portugueses. A solução que sair das legislativas tem de ser respeitada por todos. Partidos vencedores, derrotados e Presidente da República. Se as forças que vão entrar no parlamento não se entenderem isso não serve como motivo para fechar as portas a um novo governo. A história também nos diz que os executivos minoritários têm a mesma legitimidade democrática que os apoiados por uma maioria absoluta. 

Penso que Cavaco Silva já está a condicionar a votação dos portugueses, mas também os próprios partidos porque vai obrigar a entendimentos que, no futuro, dificilmente chegam a bom porto. Por isso as palavras proferidas só podem ser entendidas como uma vingança. O que lhe falta mesmo é não dar posse ao partido vencedor e avocar para si o poder executivo durante alguns meses, enquanto se espera pelas presidenciais. 

Tenho a certeza que isso seria o final político mais feliz para o próprio Cavaco Silva. Ser Presidente da República e primeiro-ministro ao mesmo tempo. 

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