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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Jogo perigoso de David Cameron

O referendo europeu sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia tem tudo para correr mal ao primeiro-ministro britânico, excepto o resultado da votação. A população, tal como David Cameron, vota sim à continuidade do país no clube europeu. No entanto, o processo que culmina na consulta popular pode fazer com que Cameron caia politicamente antes de 2020. 

Neste momento o primeiro-ministro anda à procura de apoios junto dos parceiros europeus para a sua causa. O suporte de Angela Merkel é um bom sinal, mas são os países de leste que vão bloquear qualquer iniciativa britânica. O bloco composto pelos países do norte, leste e centro da Europa não estão com o Reino Unido. Os únicos que pretendem alterações na actual correlação de forças são países como Portugal que têm pouca voz nas instituições. Penso que Cameron está mais preocupado com os interesses dos britânicos do que com a união na Europa. 

A batalha política tem tudo para correr mal na frente externa e interna. Em termos externos Cameron tem os mais fortes contra si. No plano interno os conservadores e a população não lhe vai perdoar senão aterrar em Londres com condições favoráveis para o seu país. Caso não haja mudanças estruturais com Bruxelas o sentido de voto dos britânicos pode mudar a favor da saída. Nessa situação não resta ao actual primeiro-ministro abandonar o barco em 2016 ou 2017. Ou seja, o tempo que o novo chefe de governo fica no cargo muito provavelmente será de um ou dois anos, não havendo possibilidades políticas de cumprir os cinco anos. 

As hipóteses avançadas jogam todas contra o primeiro-ministro. No entanto, ele foi o principal responsável por se ter colocado nesta posição. Não tenho dúvidas que Cameron cumpriu o seu dever em termos internos e agora está focado em fazer regressar o Reino Unido ao poder na Europa. 

Nos últimos cinco anos David Cameron obteve vitórias no plano interno. Penso que não terá a mesma facilidade quando lidar com Angela Merkel, François Hollande e os outros chefes de governo do norte da Europa. 

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