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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um conservador com pensamento liberal

Ao longo de todos os meses da campanha eleitoral sempre acreditei na vitória de David Cameron. Nunca confiei nas sondagens que davam um Partido Trabalhista empatado com os conservadores. À medida que se vai falando com académicos, população e jornalistas fui percebendo o bom trabalho realizado pela maioria governamental composta pelo Partido Conservador e pelos Liberais-Democratas. A partir de hoje os dois partidos separam-se, mas na história fica a recuperação da economia, implementação de medidas sociais, a gratuitidade do serviço nacional de saúde e a exigência do Reino Unido estar na primeira linha das decisões europeias. Sim, os britânicos também se chegam sempre à frente quando é necessário enviar militares para os cenários de guerra. A Alemanha e a França deixam muito a desejar neste aspecto. Cameron ficou muito bem quando recordou Nick Clegg. Não só porque a maioria aguentou, mas pelo facto do seu antigo parceiro de coligação ter anunciado a sua demissão. Houve divergências importantes na economia, Europa. David Cameron poderia ser muito líder dos Liberais-Democratas devido ao seu pensamento liberal nas áreas que acabei de referir.

O importante é pensar no futuro. Nos próximos cinco anos os conservadores vão governar sozinhos. Não será por este factor que deixará de haver democracia na Câmara dos Comuns. Como tem acontecido muitas vezes, Cameron é um homem que sabe ouvir e decidir sozinho. O plano de recuperação económica está traçado. Nada há mais a fazer senão manter o rigor e apostar no investimento. Na saúde o NHS funciona às mil maravilhas também por causa do trabalho efectuado pelos governos trabalhistas. O Reino Unido parece um país onde tudo é bom. Mas não é. 

O primeiro-ministro tem um enorme desafio pela frente. A questão europeia vai marcar os próximos cinco anos da legislatura. Nos próximos dois serão as negociações para evitar a realização de um referendo. Em 2018 e 2019 os britânicos vão sofrer as consequências do resultados. Sejam eles positivos ou negativos. Em 2017 se verá. A maioria absoluta deixa David Cameron descansado porque permite gerir internamento o país e concentrar-se exclusivamente o combate europeu e atlântico. Neste aspecto, o chefe de governo tem de acabar com a hegemonia alemã em Bruxelas e tentar que esta seja mais democrática e justa socialmente. Se isso não acontecer o Reino Unido fecha as portas aos imigrantes ou não cria condições para os integrar devidamente. A aliança com os Estados Unidos já não é a mesma. Muito por culpa de Washington, mas porque as guerras no Iraque e no Afeganistão abriram feridas entre as duas nações. Na próxima década a atenção dos Estados Unidos estará na Ásia, no desenvolvimento da China e na questão ucraniana e a respectiva influência de Moscovo. Apesar das constantes viagens de Obama à Ásia-Pacífico, David Cameron precisa do seu aliado para fazer frente às potências europeias, que se reúnem secretamente para decidir o futuro dos restantes países da União Europeia. Sem força externa o trabalho de Cameron ficará mais complicado. Não será com os países mais pequenos como Portugal, que Londres atinge os seus objectivos. 

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