domingo, 24 de maio de 2015

Olhar a Semana - Reformar a Democracia

A crise das democracias europeias tem sido motivo de discussão em muitas conferências. A insatisfação das pessoas, o partidarismo fechado e os problemas ligados à corrupção tornam os regimes democráticos mais fracos que leva a níveis de participação muito reduzidos. 

Neste momento o debate centra-se naquilo que se pode fazer para melhorar a qualidade dos sistemas democráticos. Os problemas referidos não podem ser vistos como um sinal que a representatividade está em decadência. Discordo dos argumentos negativos que são utilizados para descrever a actual situação. A palavra reforma tem de ser vista no sentido positivo. 

Em muitos países a renovação já está em marcha. A Primavera Árabe foi o primeiro sinal de que era necessário uma mudança na região. A Europa foi o segundo continente atingido pela onda. Não foi preciso manifestações de grande ordem para o Syriza chegar ao poder na Grécia ou o Podemos estar à beira de eleger deputados para o parlamento espanhol. No entanto, as alterações não trouxeram uma instabilidade na ordem política social nos respectivos países, bem como nas instituições europeias. Embora o discurso destas duas forças, e outras como a Frente Nacional, seja mais radical quando estão na oposição e em campanha eleitoral, quando chegam ao governo tornam-se mais responsáveis. A forma como o Syriza tem governado desde Janeiro é um exemplo de consciência política. 

O aparecimento de novas forças políticas em quase todos os países europeus é um bom sinal para as democracias. Não concordo com alguns dirigentes europeus que qualificam os novos partidos de populistas e ultra-nacionalistas. 

O sistema político nos Estados Unidos continua agarrado às velhas tradições. Os partidos Democrático e Republicano necessitam de ter concorrência, como aconteceu com os conservadores e trabalhistas no Reino Unido. Os britânicos aceitaram a integração de novas forças políticas em Westminster, além de terem reforçado a legitimidade para intervir em sua defesa. Seria bom para o espectro político-partidário norte-americano que houvesse mais competição na eleição para o Congresso, Senado e até na corrida à Casa Branca. Os candidatos à presidência devem discutir esta possibilidade na próxima campanha eleitoral. 

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