Cerca de 35 minutos de leitura, em perfeita diagonal (a bem da verdade) do recente documento do Partido Socialista: "Uma década para Portugal".
Não acredito que seja o programa
eleitoral do PS para as próximas legislativas, mas sim um documento de
trabalho que possa servir, eventualmente, de base para as propostas
eleitorais dos socialistas aos portugueses.
Sem entrar em pormenores de concordar ou
deixar de concordar com o que é exposto, de achar válidas ou
irrealistas as noções aí apresentadas, (até porque não as li
convenientemente), a verdade é que há algumas questões em relação a este
documento.
Primeiro, está aquém das áreas (ou muitas das áreas) apresentadas na "Agenda para a Década", aprovada no último congresso do PS.
Segundo, tem algumas propostas que não
diferem muito das propostas do actual Governo ou até de medidas por este
já anunciadas, o que dificulta significativamente apresentar-se como
alternativa. Veja-se o caso do alívio de alguma carga fiscal ou a
reposição salarial (essencialmente a diferenciação está no cronograma e
não na medida em si).
Terceiro, independentemente da validade
das propostas, ao documento falta abrangência estratégica. Há uma
preocupação com a carga fiscal e a tributação, com o emprego ou o
desemprego, com a segurança social, com o investimento, com o peso da
máquina da administração central e com o regresso do simplex, com o
regime laboral e a massa salarial, ou com as privatizações/concessões e a
regulação. Ao mesmo tempo que a justiça e a educação (teme-se o
regresso das "novas oportunidades" tal como foram implementadas) são
referências mínimas, há uma relevante ausência de áreas tão vitais como a
saúde, a ciência e a investigação, a agricultura, a economia azul (o mar),
os transportes, a rede viária, a energia e as comunicações (já que se
criticou tanto o Governo no caso das suas privatizações), bem como a
regionalização e o papel das autarquias (relembro as críticas à
"fusão/extinção" das freguesias).
Mas para já há uma certeza... este
documento do Partido Socialista obrigou a posição/Governo a vir a
público, obriga a um redobrar de atenções por parte de Passos Coelho, do
PSD e do CDS, que já imaginavam (até por força das últimas sondagens) um PS adormecido e resignado. Entrámos, agora sim, em campanha eleitoral.
A ler... com mais atenção.

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