quinta-feira, 16 de abril de 2015

A paz também se faz pelo telefone

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, tem um gosto especial por tentar alcançar a paz através de chamadas telefónicas. É óbvio que ninguém tem acesso aos bastidores das negociações políticas e que o líderes comunicam mais vezes do que realmente aparentam. No entanto, tem sido público as intenções do chefe do Estado em fazer a paz pelo telefone. 

O acordo nuclear com o Irão teve início numa chamada de Obama para Hassan Rouhani, quando este levantava voo de Nova Iorque para Teerão. A futura amizade com Raúl Castro teve origem num curto telefonema. Por fim, as relações entre os Estados Unidos da América e a China podem ser carimbadas muito por culpa do pequeno aparelho. 

O ponto mais interessante é o facto de Barack Obama ter conseguido reatar relações com países "inimigos" dos Estados Unidos, e que tinham dificuldade em aceitar a política externa de Washington. Não por culpa exclusiva de George W.Bush, mas devido ao historial de intervenções norte-americanas ao longo da história mais recente. Os críticos do actual presidente não podem deixar de reconhecer mérito nas aproximações com Teerão, Havana e Pequim. Apesar das falhas internas, o que fica é a última imagem de Obama. Seja pelo telefone, via e-mail, fax ou através de um diplomata, Barack Obama está a marcar pontos e a deixar trabalho completo para o próximo sucessor. Na minha opinião, o residente da Casa Branca no princípio de 2017 não tem que se preocupar com os velhos inimigos porque eles se tornaram amigos. Os últimos desenvolvimentos não servem unicamente os interesses dos Estados Unidos. O objectivo passa também por isolar a Rússia. Não é por acaso que os escolhidos foram o Irão, Cuba e a China. Todos eles são amigos naturais de Moscovo, em particular de Vladimir Putin. 

Os telefonemas também vão ficar para a história. 

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