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terça-feira, 10 de março de 2015

Esqueletos no armário

Todos nós temos esqueletos no armário porque ninguém é perfeito. No entanto, a gravidade desse esqueleto e a repetição é que nos tornam mais ou menos sérios. Nos últimos dias tem-se levantado a questão de saber se os políticos não podem ter nenhum esqueleto para exercer funções públicas. Ou seja, se por qualquer razão as pessoas vão meter tudo no mesmo saco porque o primeiro-ministro não pagou as dívidas à segurança social, se o António Vitorino obtém rendimentos de 12 empresas ou se António Costa também deixou passar o prazo no pagamento da sua habitação. 

A questão não pode ser resolvida à base do "ele tem mais imperfeições do que nós" ou "o que ele fez foi mais grave do que o meu erro". Este caminho leva a que o discurso político baixe a um nível que é difícil de recuperar. Quem perde com as acusações é a opinião pública que não fica esclarecida. 

Tendo em conta que temos uma comunicação social rigorosa e atenta vai ser difícil escapar ao escrutínio popular. Na minha opinião os alegados conflito de interesses ou problemas no passado não devem colidir com o exercício de funções. Ou seja, deve ser feito uma separação entre aquilo que se chamam "erros do passado" com o exercício do cargo. O choque só acontece quando a violação ocorre em funções. No entanto, acho que qualquer política deve explicar a origem e natureza daquilo que é uma evidência. Em relação a este aspecto, penso que Passos Coelho tem de dar uma explicação mais convincente. 

Outro problema que se levanta é saber se um discurso político fica afectado pelas alegadas imperfeições. Ou seja, se um político continua a ter moral para pedir que o seu povo, por exemplo, continue a pagar os impostos. Não se pode confundir as coisas. Uma coisa é a obrigação de um governante, neste caso, de um primeiro-ministro no cumprimento do seu cargo, uma vez que a sua função obriga a que seja colocado na praça pública essa mesma intenção. Pelo facto de um político não ter cumprido não vai dizer aos seus súbditos que façam o mesmo. O sentido da orientação é pelo cumprimento das normas. 

Por tudo isto, penso que não deve ser feito um alarme social por causa das últimas notícias e que afectam pessoas ligadas ao PSD e PS. O escrutínio feito pelas pessoas deve ter em conta a actuação política nas mais variadas vertentes, na qual se inclui também a honestidade no exercício das suas funções. 

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