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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

De braço-dado ou sozinho...



Surgiu neste texto do Francisco Castelo Branco uma curiosa abordagem ao que tem sido o tabu pré-eleitoral das legislativas deste ano.
Primeiro porque são conhecidos os principais actores candidatos ao cargo de primeiro-ministro; segundo porque é normal este estádio de limbo enquanto se afinam as “armas” que se levaram a combate quando se acenderem as luzes da ribalta da campanha eleitoral.
É, por isso e nesta altura, a principal interrogação eleitoral: o tabu que gravita em torno de eventual coligação pré-eleitoral PSD-CDS ou da ida às urnas separadamente. A esta questão o Francisco adicionou uma “pitada de sal”, prontamente ‘saboreada’ pela Mafalda: a liderança do CDS. E bem… porque as duas questões não são dissociáveis.
Decorria o ano de 1982 quando me filiei na Juventude Centrista. Percorri, desde essa altura, muitos anos de militância, de campanhas, de concelhias (uma das quais já pelo CDS). Há vários anos que a veia ideológica social-democrata teimava em demonstrar-me alguma diferenciação partidária entre as convicções e a militância centrista. Mas, mais importante ainda, foi a minha decepção (tal como o Franscisco refere) na excessiva personificação partidária do CDS, após o falecimento de Adelino Amaro da Costa e do fim da AD. Refiro-me, por exemplo, a Freitas do Amaral, a Manuel Monteiro e a Paulo Portas. Excepção feita, diga-se em abono da verdade, para essa personalidade de excelência que foi (e é) Adriano Moreira. Impunha-se esta declaração de interesses para que não haja qualquer tipo de dúvidas.

Tenho algumas concepções diferenciadas do texto do Francisco.
Desde há muito que as lideranças do CDS sempre foram, principalmente pela questão da personificação do cargo, muito frágeis, tal como o posicionamento do partido no espectro partidário nacional. Basta recordar que foi sempre pela mão de coligações/acordos pós-eleitorais que o CDS chegou ao poder (com Mário Soares, com Durão Barroso, com Passos Coelho).
Neste momento, em contexto de ano eleitoral, o CDS só tem à sua frente um único destino: a sua irrelevância futura na política nacional.

Razões:
1. Não pode, nem consegue, negar o seu passado recente enquanto parceiro e membro deste Governo e corresponsável com as políticas que foram implementadas. Concordasse ou não com elas. Irrevogavelmente não bateu com a porta, não deu um murro na mesa, assinou sempre por baixo (mesmo que contrariado).
2. Ir isoladamente a eleições é o mesmo que um suicídio político, já que não consegue encontrar discurso que o afaste deste três últimos anos.
3. Propondo-se a uma eventual coligação pós-eleitoral com o PS (tal como muitas vezes foi referido e escrito) seria a pública adjectivação de um partido apenas preocupado com a cadeira do poder.
4. Alterar a liderança, nesta fase, era mais um tiro na já frágil sobrevivência partidária. Seria uma enorme divisão interna e seria, publicamente, uma tentativa incompreensível e condenável de desresponsabilização pelos anos de governação. O eleitorado e os eleitores não iriam aceitar.

Portanto, ao CDS resta manter-se (em “coma”) ligado à máquina da coligação, esperar que o PS continue a não ser alternativa (ou a não descolar nas intenções de voto) e assim ter a esperança de, pelo menos no nome, continuar a ser relevante em mais quatro anos.
Tenho muitas dúvidas, como se sabe.

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

A opção número quatro seria boa uma vez que a discussão e o debate interno definiam uma nova liderança, mas mais importante, um caminho ideológico que o partido deve seguir nos próximos. Tal como acontece com todos os partido a mudança é sempre positiva e a continuidade não.

Um CDS nunca vai desaparecer do mapa porque tem muitos militantes que também estão descontentes e preferem votar PSD. Além do mais já conseguiu recuperar muita juventude que andava perdida no BE.

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