Surgiu neste texto do Francisco Castelo Branco uma curiosa
abordagem ao que tem sido o tabu pré-eleitoral das legislativas deste ano.
Primeiro porque são conhecidos os principais actores candidatos ao cargo de
primeiro-ministro; segundo porque é normal este estádio de limbo enquanto se
afinam as “armas” que se levaram a combate quando se acenderem as luzes da
ribalta da campanha eleitoral.
É, por isso e nesta altura, a principal
interrogação eleitoral: o tabu que gravita em torno de eventual coligação pré-eleitoral
PSD-CDS ou da ida às urnas separadamente. A esta questão o Francisco adicionou
uma “pitada de sal”, prontamente ‘saboreada’ pela Mafalda: a liderança do CDS.
E bem… porque as duas questões não são dissociáveis.
Decorria o ano de 1982 quando me filiei na Juventude
Centrista. Percorri, desde essa altura, muitos anos de militância, de campanhas,
de concelhias (uma das quais já pelo CDS). Há vários anos que a veia ideológica
social-democrata teimava em demonstrar-me alguma diferenciação partidária entre
as convicções e a militância centrista. Mas, mais importante ainda, foi a minha
decepção (tal como o Franscisco refere) na excessiva personificação partidária
do CDS, após o falecimento de Adelino Amaro da Costa e do fim da AD. Refiro-me,
por exemplo, a Freitas do Amaral, a Manuel Monteiro e a Paulo Portas. Excepção
feita, diga-se em abono da verdade, para essa personalidade de excelência que
foi (e é) Adriano Moreira. Impunha-se esta declaração de interesses para que
não haja qualquer tipo de dúvidas.
Tenho algumas concepções diferenciadas do
texto do Francisco.
Desde há muito que as lideranças do CDS sempre foram,
principalmente pela questão da personificação do cargo, muito frágeis, tal como
o posicionamento do partido no espectro partidário nacional. Basta recordar que
foi sempre pela mão de coligações/acordos pós-eleitorais que o CDS chegou ao
poder (com Mário Soares, com Durão Barroso, com Passos Coelho).
Neste momento, em contexto de ano eleitoral, o CDS só tem à
sua frente um único destino: a sua irrelevância futura na política nacional.
Razões:
1. Não pode, nem consegue, negar o seu passado recente
enquanto parceiro e membro deste Governo e corresponsável com as políticas que
foram implementadas. Concordasse ou não com elas. Irrevogavelmente não bateu
com a porta, não deu um murro na mesa, assinou sempre por baixo (mesmo que
contrariado).
2. Ir isoladamente a eleições é o mesmo que um suicídio
político, já que não consegue encontrar discurso que o afaste deste três
últimos anos.
3. Propondo-se a uma eventual coligação pós-eleitoral com o
PS (tal como muitas vezes foi referido e escrito) seria a pública adjectivação
de um partido apenas preocupado com a cadeira do poder.
4. Alterar a liderança, nesta fase, era mais um tiro na já
frágil sobrevivência partidária. Seria uma enorme divisão interna e seria,
publicamente, uma tentativa incompreensível e condenável de
desresponsabilização pelos anos de governação. O eleitorado e os eleitores não
iriam aceitar.
Portanto, ao CDS resta manter-se (em “coma”) ligado à
máquina da coligação, esperar que o PS continue a não ser alternativa (ou a não
descolar nas intenções de voto) e assim ter a esperança de, pelo menos no nome,
continuar a ser relevante em mais quatro anos.
Tenho muitas dúvidas, como se
sabe.

1 comentário:
A opção número quatro seria boa uma vez que a discussão e o debate interno definiam uma nova liderança, mas mais importante, um caminho ideológico que o partido deve seguir nos próximos. Tal como acontece com todos os partido a mudança é sempre positiva e a continuidade não.
Um CDS nunca vai desaparecer do mapa porque tem muitos militantes que também estão descontentes e preferem votar PSD. Além do mais já conseguiu recuperar muita juventude que andava perdida no BE.
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