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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Ao lado da posição do governo

Como já manifestei várias vezes neste espaço estou com a posição adoptada pelo executivo português em relação à Grécia. De facto, não se entende como é que uns cumprem escrupulosamente com as suas obrigações e outros pretendem fugir a elas. O governo Syriza pretende exclusivamente não pagar aquilo que deve e apenas receber ajuda externa. Gostava de perguntar a Alexis Tsipras como vai resolver o problema grego sem medidas de austeridade. 

Acho muito bem Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque estarem do lado dos interesses alemães porque foi muito difícil aquilo porque passaram os portugueses, além de que a impopularidade das medidas podem custar uma derrota nas eleições legislativas no final do ano. A solidariedade não passa só por ajudar os gregos, mas também por estes cumprirem e dessa forma agradecerem os sacrifícios que outros povos estão a fazer em prol da manutenção da Grécia na zona euro. 

2 comentários:

João Correia disse...

Não sei como vim dar ao seu blogue e uma coisa tenho a dizer... perdi dois minutos da minha vida que nunca mais vou ter de volta. E digamos que não foram os dois minutos mais felizes da minha vida. Na verdade vim aqui dar logo pela manhã e isso já me estragou o dia... é que ler tamanha redução da realidade, um texto que demonstra uma ignorância fora do comum que mais parece um regurgitar de ideias de outros que nem chegam a ser questionadas e digeridas por si... e acha-se no direito de vir dar a sua opinião para que todos a leiam sem o mínimo de consciência crítica. Aconselho a tirar o título que colocou no topo da sua página, até porque Kant, quando falou no uso da razão, não defendia a liberdade para se dizer a primeira merda (se me permite dizê-lo) que nos vem à cabeça. Não era dessa liberdade que Kant falava. "O uso da razão ser livre" significa que se rejeita o que é falso por forma a libertar a Razão para então lhe dar uso e pensar. Você parece demitir-se da responsabilidade de questionar quanto a sua "Razão" é limitada, tanto na ignorância sobre o assunto como na gigantesca redução que faz de uma questão extremamente complexa. Ou seja, você parece apropriar-se nas ideias de Kant sem qualquer compreensão daquilo que ele dizia, reduzindo-as de forma a caberem na sua opinião. Não há forma menos livre de pensar que essa. E que tal um bocadinho de humildade opinativa, e tentar antes questionar-se a si mesmo a ver se chega a compreender em primeiro lugar aquilo que Kant disse? Tal como aqui fez com a questão da Grécia, reduzindo de tal forma a complexidade da situação a uma questão pseudomoral para que o seu argumento (se é que podemos classifica-lo assim) tenha espaço. Isto é a atitude mais deplorável que alguém pode ter quando invoca conceitos como "Razão" e "Liberdade" e os coloca na mesma frase. Pegar na realidade e reduzi-la para que caiba na sua opinião é um atentado à liberdade da razão, para além de ser um atentado à racionalidade mais básica a que um humano pode aspirar. Aconselho, a bem da liberdade de pensar e a ver se o Kant pára de dar cambalhotas na campa, que faça o exercício oposto. Observe a limitação do seu próprio conhecimento e, em vez de opinar sem conhecimento de causa, questione o que tem ainda por saber. Tente ver se a sua opinião engloba a realidade e que não a reduz de forma a ela caber na sua opinião que é claramente o que faz aqui no seu blogue. Agora, se é que entendeu o que eu disse antes, veja que a questão da Grécia que aqui reduz a uma questão moral profundamente duvidosa é mais complexa do que aquilo que faz crer. Diz, no seu texto, que a "Grécia quer fugir às suas obrigações" e que isso é, de certa forma, imoral. Vejamos... Sabe da dívida que a Alemanha tem para com a Grécia? Porque é que essa dívida que os alemães se recusam a pagar é mais moral que a dívida grega que foi contraída em grande parte para satisfazer privados e não o interesse nacional? Moral à parte, quando a complexidade imensa dos nossos sistemas económicos e financeiros é usada por alguns como uma forma de lucrar, desviando milhares de milhões de euros para os privados, seja através de bailouts de bancos ou empresas público-privadas, o estado (que somos todos nós) acaba por ficar com o prejuízo e os privados com o lucro. Será isto o interesse da população? Terá isto sido feito para benefício dos cidadãos gregos? Ou será isto uma dívida através da qual a generalidade da população acaba a pagar o enriquecimento ilícito de alguns? E essa dívida é moral e de obrigatório pagamento? Quando os parceiros europeus, com o seu banco central e a troika, resolvem pressionar de tal forma que, como Varoufakis disse, "quando não podemos dizer que não, não é uma negociação", isso é obviamente uma chantagem... Desde quando chantagear é uma forma de liberdade da razão?

Parte 1 de 2

João Correia disse...

Parte 2 de 2

Julgo que, para ser justo, a Grécia e Portugal deviam fazer uma auditoria popular de forma a determinar que parte da divida é legítima e por isso deve de facto ser paga, e aquela que é odiosa e que serviu interesses privados. Neste último caso, a dívida deve então ser paga por quem com ela lucrou: os privados. Isto é óbvio que permitiria, de uma forma justa, a possibilidade de cada país pagar as suas dívidas. Como devia saber, mas aparentemente não sabe, Portugal é o quarto país do mundo em que a dívida mais cresceu desde que foram aplicadas as medidas de austeridade que tanto defende. Ou seja, nitidamente é uma fórmula que não está a funcionar. No entanto vem aqui defender, sem qualquer conhecimento ou espírito crítico, que se deve aplicar o mesmo falhanço aos outros países com o mote "quem deve tem de pagar". Então pelo menos leve o que diz um pouco mais seriamente... e veja, até porque é óbvio, que a grande fatia da dívida externa devia ser paga pelos privados. Já viu quantas privatizações foram feitas ao preço da uva mijona? Em nome de quem? Não vê que os lucros dessas empresas agora privadas ficam fora das contas de todos nós? Será que consegue ver que estas vendas como a da EDP, dos CTT, e possivelmente da TAP, a preço de saldo foram exigências de bancos de investimento internacionais, como o Banco Central Europeu e o FMI? Será que não compreende que isto não foi feito no interesse nacional mas sim de alguns privados? Porque exigem a venda das empresas que dão lucro ao país? Como pode um país controlar a sua dívida se, durante os últimos 30 anos, assistimos a um assalto às contas públicas? Será esta dívida legítima? Devemos pagá-la? Quem diz? A moral? Porque andamos nós a pagar sucessivos resgates à família Espírito Santo? O país lucrou com o resgate e posterior venda do BPI? Porque foi vendido por 40milhões de euros quando o bailout foi de 4mil milhões? Quem lucrou com isto? Nós? Ou privados? Então se não lucrei porque estou eu a pagar a ganância dos outros? Isto parece-lhe ético? Moral? Porque a mim isto parece-me sociopatia. Por tudo isto não só discordo consigo no que toca à forma como reduz questões imensas a pouco mais que nada, como discordo da opinião em si mesma. Acho que a posição de Passos e de Maria Luís para com a Grécia é absolutamente negligente... Tal como o têm sido com os portugueses a quem deviam prestar contas. Mas governam como reis. E digo-lhe mais uma coisa... Não se iluda quanto a perderem as eleições. Mais uma vez lhe peço, não reduza a questão como se fossem perder porque as boas medidas que têm aplicado são impopulares. Mais uma vez cria uma excepção ao uso da racionalidade fazendo de tiranos autênticos heróis. Vão perder as eleições porque, como também já devia saber se estivesse informado, o governo português foi considerado dos mais corruptos do mundo. Ao menos somos "os mais" nalgumas coisas... Os mais pobres da Europa, os mais passivos, os mais corruptos, etc... A bem da racionalidade... volto a repetir... questione, informe-se e principalmente evite fazer de opiniões verdades absolutas, ainda por cima quando baseadas em falácias de brutal redução. Passe bem. E aqui não me apanha outra vez...

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