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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A terceira via chama-se Yannis Varoufakis

O ministro das finanças grego e o primeiro-ministro estiveram esta semana num périplo pela Europa com o objectivo de arranjar solução para pagar a dívida. Ora, nos discursos proferidos pelos homens fortes do executivo percebe-se que o Syriza entrou em funções sem ter um plano para resolver o problema da dívida grega. Na segunda já não se devia perdoar, mas na terça o melhor caminho era qualquer coisa como ajustar a dívida ao crescimento do país. No entanto, hoje já era uma coisa diferente. Tenho a certeza que depois do encontro com Angela Merkel os dois vão ficar convencidos que o melhor é continuar com a austeridade. Nesse caso, tanto Tsipras como Varoufakis têm um problema quando regressarem à Grécia sem aquilo que prometeram à população. 

O que os dois governantes andaram a fazer nesta semana foi tentar arranjar mais tempo ou uma desculpa. Acredito que seja mais o primeiro do que o segundo porque o novo executivo tem uma ideologia que fala verdade às pessoas. A resposta do Reino Unido, França, União Europeia, Itália também foi entendida nas entrelinhas. Neste momento não há condições para fazer seja o que for, a não ser pagar a dívida através da implementação de medidas de austeridade. Caso seja permitido à Grécia ter benefícios só porque mudou a cor do governo isso seria uma injustiça para os cidadãos irlandeses e portugueses que tiveram durante três anos de sofrer na pele a austeridade. Porque razão os gregos têm de ser diferentes?

Penso que a União Europeia não irá ceder nesta questão. Na minha opinião faz bem porque as regras são para cumprir e iguais para todos e não faria sentido abrir uma excepção neste caso. O novo governo entrou a cantar, mas sai com a cabeça baixa por duas razões. Em primeiro porque não conseguiu apoios e em segundo lugar porque transmitiu uma ideia de não saber o que pretende. Este último aspecto terá de ser explicados aos que votaram no Syriza para castigar os partidos do arco da governação, além de criar um sentimento de desconfiança inicial no parceiro de coligação. 

Coloquei o título "A terceira via chama-se Yannis Varoufakis" porque o ministro das finanças colocou uma hipótese. Situação que na Europa tem sido pouco discutida. Contudo, os argumentos utilizados para fugir ao facto de perceber que não é possível um perdão da dívida, não me parece uma boa técnica. Pior é dizer que nunca pretenderam o perdão da dívida quando foi por este motivo que os gregos quiseram uma mudança no dia 25 de Janeiro.

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