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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Governos de minoria

As próximas eleições legislativas em Portugal e no Reino Unido podem ter desfechos semelhantes. Tudo aponta para que os próximos governos destes dois países sejam apoiados por uma minoria nos respectivos parlamentos. 

Embora haja sempre espaço para especular sobre eventuais coligações o actual clima político não permite sonhar muito alto com executivos compostos por dois partidos. 

Em Portugal caso o PS vença não vai conseguir efectuar coligações à esquerda, já que António Costa não quer aliar-se com nenhum partido da direita. No entanto, nunca se sabe o que pode dar Paulo Portas quando tem o poder ao seu alcance. O problema do PS é que a esquerda também manifestou o desinteresse em colaborar com os socialistas que seguem as políticas da direita. A única salvação para o secretário-geral socialista é o surgimento de uma nova força com quem possa efectuar acordos parlamentares, mas esse partido nunca será suficientemente forte. Na circunstância do PSD vencer as eleições sozinho ou for coligado com o CDS nunca conseguirão obter uma maioria absoluta que os deixe governar durante mais quatro anos. O cenário em Portugal é este. A última hipótese é um governo de bloco central a pedido do Presidente da República. A questão é que Cavaco Silva está de saída e todos os apelos não serão escutados, como se viu no verão de 2013. Duvido que seja num momento difícil que os partidos vão esquecer as divergências políticas até porque também está em causa a lideranças das principais forças.

No Reino Unido o problema é semelhante. Todos os sinais apontam para não haver uma maioria absoluta de um partido. A eleição deverá ser ganha por Ed Miliband ou David Cameron, embora seja necessário escolher um dos restantes partidos que vão a votos para governar. Ora, o UKIP é aquele que está melhor colocado nas sondagens, mas ninguém quer sentar-se ao lado de Nigel Farage em Downing Street. O único que poderia salvar a nação era o Partido Liberal-Democrata de Nick Clegg. Nesta situação as negociações seriam mais fáceis só que o último lugar nas sondagens não augura um bom futuro nas eleições de Maio. 

A solução nos dois países é governar durante um ano e depois convocar eleições antecipadas com protagonistas diferentes. No entanto, há um grande entrave. Como ninguém vai ganhar o acto eleitoral é provável que as forças derrotadas não deitem a toalha ao chão e procurem uma segunda oportunidade. 

Outro perigo que assombra a democracia nos dois locais são o crescimento dos partidos de protesto. O UKIP está bem colocado e em Portugal Marinho Pinto pode ser o próximo grande interveniente no parlamento português ou mesmo como ministro.

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