quarta-feira, 30 de abril de 2014

Juvergonha

A Juventus fez queixa à UEFA sobre uma agressão cometida por Enzo Perez a Chiellini na primeira mão das meias finais da Liga Europa. A entidade que supervisiona o futebol europeu decidiu antecipar a reunião que estava agendada para daqui a 15 dias para o dia de hoje. A tentativa da Velha Senhora em condicionar o jogo de amanhã foi em vão porque a UEFA arquivou o processo contra o jogador argentino do Benfica.

A Juve, como é conhecida mundialmente, é um colosso italiano e mundial, preparando-se para ganhar o tri-campeonato, isto depois de ter regressado da Série B. As razões da despromoção são conhecidas e deveu-se à sua participação no famoso "Calciocaos". Mais recentemente, Antonio Conte, também foi suspenso por ter participado num esquema de apostas ilegais. 

Depois de ter sido acusado e condenada, a única pergunta que eu faço é a seguinte: Que moral tem a Juve para tentar ganhar na secretaria os jogos europeus? Será que os seus dirigentes não percebem o quanto o nome do clube já está enlameado, até porque mantiveram um treinador que foi "condenado". 

Em vez de pugnar pela verdade desportiva dentro do campo, o clube de Turim prefere continuar a apostar na matreirice para ganhar os jogos e continuar as práticas do passado. 

A Juventus tem uma grande equipa e fantásticos jogadores, pelo que não se percebe esta atitude, a não ser que esteja com muito medo dos encarnados. Só este factor justifica o jogo sujo com que a "Velha Senhora" está a tentar eliminar um jogador-chave do onze benfiquista. Esta atitude só revela que a Juventus não aprendeu com os erros do passado e precisa destas jogadas para continuar a sobreviver no mundo futebol. A despromoção à Serie B não limpou muita porcaria que permanece no Estádio dos Alpes. 

De volta à politiquice interna

No próximo Domingo o governo vai anunciar qual a forma como o país vai sair do programa de Assistência e Financeiro. Apesar das dúvidas que se vão lançar até dia 4, tenho a sensação que o executivo irá sair de forma limpa do programa da troika, no entanto, ainda teremos de ser sujeitos a várias avaliações antes de nos deixarem seguir sozinhos. Saímos limpo, mas sob vigilância internacional que durará até às próximas eleições legislativas, sejam elas em 2015 ou mais cedo, como já foi defendido por alguns.

Na minha opinião o verdadeiro combate político vai começar agora, porque os partidos já podem centrar-se exclusivamente nas políticas internas que vão ser implementadas, pois já não a "desculpa" que estamos sob protectorado internacional. 

Em meu entender o OE 2015 ainda será um pouco apertado mas com algumas novidades relativamente ao salário mínimo nacional e talvez no IRS, embora este ainda não seja possível baixar. Mal seria se não houver espaço para aliviar a carga fiscal. O momento decisivo para o executivo será o OE 2016 que será feito em cima das legislativas. Pode ser estratégico, mas o executivo quis apertar o cinto para depois começar a haver uma folga. Se isto é eleitoralista ou não, cabe a um decidir, mas eu penso que há razões para pensar que não. De facto, a pressão internacional obrigou-nos a um grande esforço num curto espaço de tempo, até porque quem empresta dinheiro não o pode fazer eternamente. O governo esteve sempre sob pressão por causa dos números e dos prazos que teve de cumprir. 

Passos Coelho tem um ano para governar sem a troika e esse será um momento importante para saber qual a verdadeira política que o actual executivo vai levar a cabo, até porque também Portas vai começar a exigir "medidas eleitoralistas". Ainda não sabemos qual a forma de saída, no entanto, esta é a primeira vitória do governo sob o PS de António José Seguro e não foi preciso ir a eleições.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bloquear as redes sociais não é censura

Os governos africanos e do médio-oriente estão a recorrer ao bloqueio das redes sociais para evitar o descontrolo da liberdade de opinião e a origem de manifestações incómodas para os seus líderes.

Nos últimos tempos têm surgido pedidos de apoio e denúncia de actos cometidos pelas autoridades através do Youtube, Facebook e Twitter. Se há uma nova forma de organizar um protesto, as autoridades já perceberam como podem impedir a realização de uma manifestação. 

A tecnologia tem servido para ajudar uns e outros, mas tem beneficiado mais as autoridades porque estas ainda conseguem bloquear sites de conteúdo duvidoso. Os governos de alguns destes países estão com medo, não só da tecnologia mas de quem a usa em benefício da democracia e liberdade. Este tem sido o principal problema das autoridades, já que não conseguem controlar o surgimento de novas ferramentas em prol da democracia. 

Por muito que se tente bloquear tudo e mais alguma vai aparecer outra rede que serve os mesmos propósitos. E não é por causa do facebook ou do twitter que se consegue organizar uma grande manifestação capaz de derrubar um governo. Muito menos o Youtube. Na minha opinião estas medidas não são censura, uma vez que são atitudes ridículas e disparatadas por parte das autoridades. Se ao menos as autoridades justificassem a invasão da vida privada para fechar estes instrumentos ainda se compreendia. 

Não vejo como é que o Youtube pode derrubar um governo. Ou isto é só mera propaganda internacional para calar os média e evitar uma revolução a sério? 

Em meu entendimento os governos têm mais medo da divulgação que a comunicação internacional faz dos problemas internos de certos países do que propriamente do próprio povo. 


Do contra. É sempre do contra

O governo esteve muito bem na proposta relativamente à descida do gás. No entanto, António José Seguro veio criticar mais uma vez a medida do governo anunciada por Luís Marques Mendes no seu comentário semanal na SIC. 

Temos aqui três intérpretes diferentes e só um é que esteve bem: o governo. Porquê? Porque o executivo vai adoptar uma medida que trará benefícios às pessoas e à sua vida económica. No fundo, os portugueses vão sentir no bolso a redução do gás e da electricidade. Ainda bem que assim é porque já não se aguenta mais aumentos, seja na carga fiscal, seja nos consumo dos bens. 

Os outros dois protagonistas deste filme estiveram muito mal porque, basicamente não fazem parte deste película. Embora não seja uma medida guardada a sete chaves, Luís Marques Mendes voltou a antecipar-se ao governo e publicamente anunciar esta medida. O que se passa com Mendes? Ele quer audiências a todo o custo ou é mesmo a porta-voz oficial do executivo? Na minha opinião ele é uma mistura dos dois, mas, infelizmente, esta política de comunicação não está a fazer bem ao governo liderado por Passos Coelho, retira ao governo os méritos do anúncio de uma medida destas.

Por fim, António José Seguro disse mal da opção do governo. É natural que assim seja já que estamos em pré-campanha eleitoral para as europeias, mas o povo está farto de oposições deste tipo: destrutivas e com poucas alternativas. 

Se a maioria das pessoas estão fartas de ouvir o governo, também não é menos verdade que o discurso da oposição não conquista ninguém.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A Ucrânia perdeu o Leste

A guerra na Ucrânia não começou agora, mas em Fevereiro quando separatistas anti-Yanukovich decidiram tomar conta da praça da independência em Kiev. 

Os últimos relatos que nos chegam do país são uma prova da divisão que já existia, mas que era apenas demonstrado politicamente e em eleições. O que se nota agora é uma impressionante força militar organizada há algum tempo, precisando apenas de um motivo forte para avançar e matar os "inimigos" que também são ucranianos. 

Parece que esta guerra já estava prevista, dado a organização dos chamados "separatistas russos" e que não contam ainda com a ajuda do exército de Moscovo. Quando isso vier a acontecer vai ser o caos. Nota-se que, tanto os separatistas como o exército russo, já estava preparado para a guerra há algum tempo. 

Não tenho dúvidas que a Ucrânia vai-se dividir e dois e deixará de ser o segundo maior país da Europa. Ninguém sabe o que vai nascer no actual "leste" ucraniano, mas até lá muitas pessoas vão morrer e as movimentações políticas serão bastantes mas inúteis, já que os separatistas russos não se sentam à mesa com Kiev, Bruxelas ou Washington, da mesma forma que os "separatistas anti-Yanukovich", mal o fizeram com o "ainda" presidente da Ucrânia. 

1ª Conferência Olhar Direito

40 anos do 25 de Abril

Amanhã no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

domingo, 27 de abril de 2014

Olhar a Semana - Conflito no sudoeste asiático

A visita de Obama ao Japão e Coreia do Sul não acontece por acaso. Num momento em que os dois países estão sob ameaça de uma guerra, o líder norte-americano aproveitou para dar o apoio dos Estados Unidos a esses países. 

O Japão tem estado numa disputa com a China pelas Ilhas Senkaku, enquanto a Coreia do Sul vive ameaçada pelo vizinho do Norte. Ora, sozinhos tanto Tóquio como Seul não conseguem vencer Pequim nem Pyongyang nos conflitos referidos. 

A presença de Barack Obama no Japão e Coreia do Sul é importante sob o ponto de vista político e militar. Em relação ao apoio político não há nada melhor do que ter a amizade de Washington, mesmo quando o que está em causa são pequenas ilhas. Sob o ponto de vista militar sempre ajuda contar com material norte-americano, não vá alguém disparar sem querer. Como aliás já aconteceu na Coreia do Norte.

O sudoeste asiático parece ser uma parte do mundo calma, mas daquele lado chegam-nos notícias de movimentações políticas e não só, que podem preocupar. Esta visita de Obama é estratégica e importante para prevenir qualquer surpresa, até porque do outro lado da barricada estão dois inimigos históricos dos Estados Unidos. 

Os Estados Unidos têm mais uma preocupação do outro lado do planeta e não é só Israel que merece protecção e segurança. Os primeiros avisos já foram dados. 

sábado, 26 de abril de 2014

Figuras da Semana VII

As figuras desta semana são:


Por Cima

Benjamin Netanyahu -  O líder israelita esteve bem em suspender as negociações de paz com a Palestina depois da Fatah e do Hamas terem anunciado um acordo de unidade nacional. Percebo o ponto de vista do PM porque não se pode negociar com Abbas e terroristas. Neste processo todo o grande culpado é Mahmoud Abbas que se deixou vencer pelo medo do grupo terrorista. Depois desta união entre as principais forças políticas na Palestina, Telavive só pode juntar-se aos EUA na segurança da sua própria existência. O Médio-Oriente tem de ter uma solução a curto prazo porque senão vamos ter mais uma guerra regional mas que terá custos a nível mundial.

No Meio

Barack Obama - O presidente norte-americano está a realizar um périplo pela Ásia onde visitou o Japão e a Coreia do Sul. Nas terras nipónicas, Barack Obama mostrou o seu apoio ao Japão na disputa territorial que este país trava com a China por causa das Ilhas Senkaku. Aqui está uma demonstração de como os EUA se colocam sempre ao lado dos países democráticos, à semelhança do que acontece no problema israelo-palestiniano. Na Coreia do Sul, o chefe de estado norte-americano prestou homenagem às vítimas do desastre do ferry "sewol". É um bonito gesto de Obama e que mostra a simplicidade e honestidade com que os EUA encaram os conflitos regionais. 

Em Baixo

Mário Soares - O ex-presidente da república e antigo primeiro-ministro quebrou o protocolo e foi festejar o 25 de Abril com os militares no Largo do Carmo. Este ano os lisboetas tiveram sorte porque puderam escolher a cerimónia que mais lhe convinha. Não percebo esta atitude de Soares já que ele foi um dos responsáveis pelos militares não terem tomado conta do país depois do 25 de Novembro. Honra seja feita a Mário Soares por ter arriscado a vida pela Constituição, contra os desejos de alguns capitães que hoje se sentem importantes ao ponto de quererem lugar especial nas comemorações oficiais de Abril. Ninguém tem nada a ver com as opções políticas de Soares, mas se pretende iniciar mais uma revolução no país, acho que já é tarde. 

Bandeira da República da China (Taiwan)

As cores da bandeira de Taiwan representam os três principíos do povo Sun Yat Sen

O branco representa a sobrevivência do povo e a fraternidade .

O azul representa a Democracia e a igualdade .

O vermelho representa o nacionalismo e a liberdade .

O sol de cor branca simboliza o espírito do progresso e seus doze raios representam as 12 horas chinesas do dia .

A bandeira começou a ser usada em 17 de dezembro de 1928 ,ainda no domínio do Kuomintang sobre a China continental .

sexta-feira, 25 de abril de 2014

40 anos depois, Mário Soares apoia militares do PREC

O que faz um ex-presidente da República numa cerimónia organizada por militares e que contestam o actual regime?

Eu percebo que Mário Soares queira continuar a sua saga anti-governo (ou será melhor anti-sistema?) e faça esta provocação. Embora o ex PM e PR diga que a sua atitude está relacionada com este executivo, o que Soares pretende é provocar ondas no regime. O antigo líder socialista com a sua atitude faltou ao respeito, não só ao Parlamento, mas também a todos os portugueses. É importante relembrar que Mário Soares, depois do 25 de Abril esteve contra as posições assumidas por muitos militares que também estavam hoje no Largo do Carmo, ao não ter permitido a instauração de um regime ditatorial e com orientação comunista em Portugal. 40 anos depois, volta a ser amigo deles....

Por todos estes factores é preciso perceber se o ex chefe de Estado e Governo está a pensar em fazer uma revolução no país, tendo como principais apoiantes os mesmos militares que há 40 anos pediram a demissão de Marcelo Caetano. Ou então a luta de Soares é a mesma de Vasco Lourenço, Otelo e outros que estão esquecidos, não só pelos actuais líderes do regime, mas sobretudo pela população.

Na minha opinião este folclore à volta das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril tem a ver com o medo de algumas figuras de outrora em serem colocadas na gaveta da história.

Os meus heróis de Abril

Para mim a revolução de Abril não se esgotou no dia de hoje. Depois da chamada "revolução dos cravos" ainda houve dois momentos importantes que marcaram decisivamente a história da nossa democracia: o 25 de Novembro e a Constituição da República Portuguesa de 1976. 

Posto isto os meus heróis de Abril não são os militares que hoje reclamam um golpe de estado e ao mesmo tempo querem fazer discursos na casa da democracia, mas os homens que trabalharam para que Abril não fosse um passo para o comunismo. Francisco Sá Carneiro, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral foram os verdadeiros responsáveis para a instauração da democracia plena em Portugal e não vale a pena os capitães se sentirem muito importantes porque o papel deles foi importante mas não decisivo. Na minha opinião, os ditos militares como não se sentem recompensados politicamente pelo que sucedeu há 40 anos, querem agora mostrar que estão vivos. 

Abril não se esgota na revolução que foi feita hoje mas estendeu-se por mais dois anos. Deviamos honrar a memória de todos aqueles que politicamente combateram, não só a ditadura mas o regime que se preparava para instalar em Portugal. Infelizmente Francisco Sá Carneiro não está entre nós porque foi vítima da luta política que travou no período do PREC e também após a instauração da actual Constituição. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

8 milhões

Foi o número de garrafas de vinho que o presidente da Three Gorges distribui pelos cerca de 4 milhões de trabalhadores, após o negócio com a EDP.

Velhos ressabiados com o sistema

Como já disse há uns tempos, muitos dos que viveram o 25 de Abril são hoje pessoas que estão nos lugares de topo. Os lugares de liderança e de topo são ocupados por muitos dos que presenciaram Abril na sua juventude. Posto isto não é de estranhar que algumas individualidades da nossa sociedade, apareçam nos jornais a dizer isto. É por causa de declarações como esta que há cada vez mais casos de exploração no trabalho, sendo que alguns roça a criminalidade laboral. 

Há muitas pessoas em Portugal que estão ressabiadas e agora vingam-se nos mais novos, pior utilizam as suas capacidades, não para trabalhar mas para outras coisas, como fazer de empregado nos eventos desportivos e receber os convidados que se deslocam ao seu camarote no maior torneio de ténis português. É caso para dizer que os jovens de hoje não podem ter oportunidades, porque estes senhores quando eram mais novos também não eram independentes e ganhavam pouco, vivendo muito à custa da ajuda paternal.

De facto, é perigoso o país estar entregue a estas pessoas que são menos qualificados dos jovens de hoje, mas usam as suas influências para subir na vida e não permitir que outros alcancem o mesmo patamar. Uma coisa é certa: o país hoje está melhor economicamente do que há quarenta anos, mais moderno e as instituições académicas formam muito melhor do que na altura. Há quem diga que há 40 anos, as faculdades formaram os aldrabões que hoje pensam que o país é todo seu e, mais grave ainda, consideram que a democracia só existe por causa deles.  

Na véspera de festejar 40 anos de Abril, Portugal precisa de fazer um "refresh" e iniciar um caminho de mais igualdade, justiça e oportunidades. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que vem a seguir

Portugal vai sair à irlandesa do programa da assistência e financeira, não estando previsto um programa cautelar. No entanto, o primeiro-ministro anunciou que uma entidade independente virá a Portugal daqui a seis meses para fazer uma avaliação. Independente claro!

Ora, depois de três de esforço e sacrifício ainda vamos ter de aturar as entidades externas e numa altura em que se prepara o OE 2015. Ou seja, esta entidade que se diz independente vem a Portugal para que não se cometam asneiras na elaboração do próximo orçamento. Posto isto, é pouco provável que haja margem para reduzir os impostos e criar condições para os portugueses respirarem melhor. Numa palavra: a austeridade não acaba aqui, ou melhor controlo financeiro não vai terminar. 

É uma evidência que as entidades financeiras internacionais ainda não confiam em Portugal. A troca por uma saída à irlandesa foi a aceitação por parte do governo de técnicos internacionais durante um período. Economicamente isto não tem relevância, mas do ponto de vista político tem. Se o governo vai sair favorecido com o facto da troika sair definitivamente de Portugal, esta avaliação periódica pode ser entendida pelos portugueses como a continuidade do programa, embora em moldes diferentes. Contudo, as pessoas sabem que se trata da mesma coisa e não aceitar mais controlo orçamental. 

Por tudo isto, Passos Coelho pode ter pouco tempo para recuperar nas sondagens. Na minha opinião, o PM só sairá favorecido eleitoralmente se nunca mais uma entidade estrangeira, seja ela independente ou não, aterrar em Portugal. 

No país do "Qualquer coisa"

Portugal é um país em que as pessoas gostam de trocar cartões para qualquer eventualidade futura. Qualquer pessoa anda com um cartão com o seu nome, contacto e página do facebook. É muito interessante verificar que depois de um evento as pessoas reúnem-se para conversar e encetar contactos. Contactos esses que são uma espécie de "cunha" para se alcançar um objectivo ou uma pretensão.

No fim, os protagonistas do filme dizem "qualquer coisa" é só ligar. Isto acontece frequentemente e faz parte da tradição bem portuguesa, ou melhor dizendo, da "parte" empresarial que cada português tem dentro de si, o que é um sinal bastante positivo. 

É desta forma que nascem vários projectos e ideias para o futuro do país. E no fim há sempre lugar para uma jantarada.....


terça-feira, 22 de abril de 2014

E se o PS português fizer o mesmo?

O Partido Socialista francês está em peso contra as medidas de austeridade anunciadas pelo novo primeiro-ministro Manuel Valls. O novo líder indicado por François Hollande não é do agrado do restante partido e isso notou-se na apresentação do seu programa. Se Hollande não convence os franceses, Manuel Valls não será bem recebido pela opinião pública, o que dá à direita um bom motivo para ficar contente, em particular Sarkozy que tem intenções de voltar ao Eliseu. 

O problema do PS francês é Valls mas também Hollande. Se o novo chefe do governo cair antes da eleições presidenciais é sinal que Hollande não vai lá, mas pode muito bem acontecer que Valls se candidate ao Eliseu e faça uma tramóia ao actual presidente. Caso o PS gaulês não se der bem com Manuel Valls, o problema é de Hollande e não do próprio que caiu ali por acaso. Ou seja, os socialistas franceses pretendem atingir politicamente o chefe de Estado, mas primeiro fazem cair o líder do governo para chegar a Hollande, que nunca resistirá a uma segunda mudança de executivo. É verdade que Hollande tinha de fazer alguma coisa depois da derrotas nas eleições autárquicas, contudo mudar o primeiro-ministro foi arriscado demais. Mas a pior opção foi escolher alguém que politicamente pode destruir o próprio presidente, não só pela contestação interna, mas porque pode ser um adversário político difícil de combater em futuros actos eleitorais. 


 A pergunta é se o partido socialista português vai começar a fazer a cama ao seu líder, António José Seguro, da mesma forma que o PS francês já está a fazer ao novo primeiro-ministro. E se o PS nacional decidir não esperar que Seguro tenha condições para ser o novo primeiro-ministro português? Isso pode acontecer a qualquer momento porque o ciclo económico vai fazer uma inversão e tudo aquilo que o líder socialista disse sobre o programa de assistência e financeiro será usado contra o próprio.

Não tenho dúvidas que haverá movimentações no Largo do Rato a partir de Junho. Penso que os socialistas (afastados do poder há muito) não vão esperar ano e meio para conseguirem um líder que lhes garanta a maioria absoluta, porque só isso é que devolver o poder absoluto. Tenho a certeza que Seguro já se imagina a governar Portugal com todo o poder na sua mão. 

O que está a acontecer em França pode muito bem suceder em Portugal, porque o objectivo comum é derrubar o líder. Seja ele Presidente de França ou o candidato a primeiro-ministro de Portugal. As europeias que se avizinham vão servir de segundo teste. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Como se sente o país após o título do Benfica


Marquês de Pombal vestiu-se de vermelho. Com um ano de atraso



Aposto que os benfiquistas se sentem felizes, pois festejaram o título que deveria ter sido uma realidade na temporada passada. Como tem sido hábito, o marquês de Pombal e o resto do país encheram-se de pessoas para celebrar o regresso do clube encarnado às vitórias. Três títulos de campeão nacional em dez 14 anos é muito pouco para um gigante, ainda para mais quando não houve nenhum outro título. No entanto, o tempo de espera dos benfiquistas tem sido cada vez menor. De 1994 para 2005 foram 11 anos, de 2005 para 2010 só dez e quatro anos depois o marquês voltou a encher-se de encarnado, embora a praça mais emblemática de Lisboa já esteja reservada há um ano. 

Por estes dados, os títulos do Benfica já começam a ser uma normalidade, ainda que o gigante do Norte tenha conquistado com mérito um tri campeonato. É esse o desafio do clube da Luz para poder anunciar o "Novo Ciclo". Não sei há quanto tempo o Benfica conquista o bi ou o tri, mas neste momento é o clube com mais hipóteses de vencer a edição 2014-2015 do nacional da 1ªdivisão. Com estes títulos todos o país já não vai precisar das vitórias do Benfica para andar mais disposto, no entanto, este ano a praça promete encher mais uma vez para celebrar a conquista da Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga. E no próximo ano, já há uma supertaça para conquistar.

O que se viu ontem é a realidade do país: Portugal respira Benfica! É certo que no Norte o FC Porto tem ganho poder e adeptos. E o Sporting também é um clube grande embora não toque no caneco há 12 anos....(falta pouco para os 18....). De facto, como se viu ontem o clube da Luz proporciona alegrias aos seus adeptos bem como uma nova onda de optimismo no país. No entanto, dada a situação económica do país só haverá verdadeira festa quando a troika sair do pais. Embora a multidão tenha aparecido para a festa, notou-se uma festa contida. 

O Benfica é gigante

E assim se conquista o 33º título da história...

domingo, 20 de abril de 2014

Ano glorioso

O Benfica acaba de conseguir o 33º título nacional de futebol. Um ano depois de ter perdido o campeonato nos últimos minutos para o FC Porto, o clube da Luz volta a festejar quatro anos uma vitória na Liga. Em 2010 Jesus quebrou um jejum de 5 anos, mas o mesmo treinador não demorou muito tempo a tocar no caneco. Os festejos da equipa deverão ser contidos porque na quinta-feira há esse jogo com a Juventus, mas os adeptos vão voltar ao Marquês de Pombal, que já esta reservado há uma semana. 

A vitória do Benfica foi uma das mais bem conseguidas pelo facto de ter acontecido na jornada 28. Recorde-se que em 2005 e 2010 o clube encarnado só garantiu o ceptro na última jornada, tendo sempre o FC Porto a poder ser um vencedor surpresa. A justiça da vitória na competição não sofre contestação porque com talentos como Gaitan, Markovic, Rodrigo, Lima, Cardozo, Enzo Perez, Luisão e Garay não há adversário que resista. 

O título agora alcançado é o resultado de um trabalho bem realizado durante 5 anos e que teve quase sempre os mesmos protagonistas. Tendo em conta que o melhor futebol nos últimos 3 anos foi sempre o do Benfica a conquista do 33 só peca por tardia pois deveria ter chegado há dois anos, e por isso poderiam muito bem ser 35. Se tudo continuar como está, esses virão nos próximos dois....

sábado, 19 de abril de 2014

Figuras da Semana VI

Embora estejamos na Páscoa, esta semana vamos continuar a atribuir os melhores e os piores.


Por Cima

Jorge Jesus -  Grande vitória sobre o FC Porto nas meias-finais da Taça de Portugal e apuramento para a segunda final consecutiva e amanhã será a confirmação do título, o segundo de Jesus desde que está no Benfica. Jesus volta às finais do ano passado (falta a Liga Europa) e pode acrescentar mais uma presença no jogo decisivo da Taça da Liga. Se no ano passado, o Benfica tudo o que podia ganhar, este ano o clube da Luz vai ganhar tudo o que perdeu a época transacta. Não será o Rio Ave nem o Olhanense que irão impedir Jesus de acabar aquilo que começou em 2012-13. No ano transacto, o Benfica justificou os títulos mas não os agarrou, este ano será diferente. O mérito é todo do treinador que não atirou a toalha ao chão nos momentos dificeis e soube corrigir os erros. Esta é a prova que o técnico encarnado não é tão "burro" ou "burgesso" como se pensa. É um dos melhores treinadores portugueses e os títulos ficam lhe bem.

No Meio

Militares e Assunção Esteves -  Na semana passada coloquei estas duas figuras no fundo. No entanto, esta semana tanto a Associação 25 de Abril como Assunção Esteves chegaram a uma solução: os militares vão festejar Abril para o Largo do Carmo e de onde nunca deveriam ter saído, enquanto que os políticos vão continuar a fazer os discursos de circunstância no parlamento, pois é para isso que foram eleitos. Esta polémica só serviu para encher as capas dos jornais mas foram os responsáveis que quiseram aparecer, isto muito devido à falta de educação com que isto foi discutido. No entanto, o diferendo também passou por uma fase de "afecto" e um "café". Também houve rosas.

Em Baixo

Ucrânia - A guerra civil na Ucrânia parece ser uma realidade. Por muitas reuniões e avisos que se façam agora não vai evitar o conflito. As soluções diplomáticas que agora se tentam encontrar já deveriam ter ocorrido, nomeadamente no mês de Fevereiro quando começou a luta armada contra o presidente Yanukovich. Aí, a UE e os EUA deveriam ter adoptado uma solução neutra e não ter ficado ao lado de Yartseniuk e seus camaradas, numa atitude que enervou a Rússia. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

In Cameron british have faith

David Cameron tem feito um excelente trabalho à frente do governo britânico, ao ponto de ter reduzido o desemprego no país para 6,9%. No entanto, algumas declarações e posicionamentos tem deixado o primeiro-ministro em maus lençois. Cameron parece um pouco conservador demais, e não é sem dúvida um liberal. Depois da sua atitude em relação à UE, Cameron vem agora dizer que os britânicos devem sentir-se mais católicos.

Dizer isto num país que é protestante e nem sequer festeja a actual época é dar um tiro no pé, muito embora. tal como cá, não haja oposição para pegar nas palavras do actual primeiro-ministro. A mim parece que Cameron quer ganhar votos quando estamos a menos de um ano das eleições legislativas. Isso é tudo legítimo, contudo os temas que o partido conservador tem colocado na praça pública são uma tentativa de agradar aos britânicos, que como se sabe são muito complicados no que diz respeito a certas matérias. E essas matérias são a religião, europa, imigração. Nos últimos tempos, Cameron tem cedido à vontade popular. 

Isso não faz dele um líder populista, mas alguém que está atento aos problemas das pessoas, mesmo quando chocam com os princípios políticos dessa figura.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Regresso aos mercados

Antes da conclusão do programa da troika, Portugal vai regressar em pleno aos mercados na próxima 4ªfeira. Ora não vai ser preciso eleições nem ajudas exteriores para o país garantir a confiança dos investidores externos. Este regresso é um indicativo importante que não vai ser necessário nenhum programa cautelar e que o governo já tomou a opção de sair à portuguesa, como sempre defendi. 

Podemos discutir os custos sociais, os números do desemprego, pobreza e outros, mas a verdade é que o executivo fez um excelente trabalho, porque andou a cumprir o que outros assinaram. Além disso Passos Coelho sempre a maioria do país e a oposição contra si. Se em relação aos portugueses é normal haver desconfiança, já a oposição socialista devia ter sido mais responsável porque também assinou este memorando da troika e as críticas que fez ao longo de três anos também estavam a atingir a sua assinatura. 

Embora sejam necessários mais ajustamentos, daqui para a frente o clima económico vai ser outro. O discurso também será diferente entre todos os sectores da sociedade. Sempre achei que Portugal ia resolver a crise porque o problema nacional é de contas públicas, de muitos gastos em vários serviços do Estado. Não interessa agora arranjar culpados para o que aconteceu porque todos sabemos quem foi, agora é preciso saber como se vai colocar este país a criar riqueza, porque esse também sido um problema. Porque razão é que Portugal cresce tão pouco? Não é decerto por causa de questões de tamanho ou da demografia. 

A Reforma do Estado passa por criar condições de crescimento, mas sobretudo de investimento. As grandes empresas e empresários estrangeiros precisam de ter estímulos para colocar cá o seu dinheiro. E para que isso aconteça foi necessário desbloquear alguma burocracia que estava a impedir a entrada de capital em Portugal. 

O Governo cumpriu a sua primeira missão e até Maria Luís Albuquerque já sorriu....

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O jogo do título é hoje

Era esperado que o jogo referente à 30ª jornada do campeonato fosse o do título, contudo o Benfica não quer repetir o que se passou o ano passado e vai ao Dragão na condição de campeão, se confirmar esse estatuto nos próximos dois jogos em casa frente ao Olhanense e ao V.Setúbal, sendo previsível que o faça já este domingo. 

Mas não.

O jogo do título é hoje porque uma vitória vale a passagem à final da Taça frente ao Rio Ave ou Sp.Braga, o que valerá a condição de favorito no Jamor. 

Para o Benfica este é um jogo importante porque o clube não pode só ganhar o campeonato e tem de vencer a Taça porque já não conquista este troféu há 10 anos, apesar de ter ido ao Jamor em 2005 e 2013. É importante frisar que o clube da Luz é a equipa que mais troféus nesta competição, além disso este ano não deverá haver taça da liga porque o jogo no Dragão vai calhar entre a recepção à Juventus e a ida a Turim, pelo que é provável que Jesus encare este jogo da mesma forma que o fez na primeira mão da Taça de Portugal. 

O jogo desta noite é crucial para o FC Porto depois de ter perdido o campeonato e a Liga Europa. Não sendo a tábua de salvação de Luís Castro nem da estrutura, a vitória no Jamor e à custa de uma vitória na Luz pode acalmar os ânimos e preparar a próxima temporada com cuidado, uma vez que a época 2014-2015 começa com a Supertaça frente ao rival de sempre. E que melhor maneira de iniciar um novo ciclo do que obter uma vitória frente ao eterno rival? Um triunfo na Taça é importante para esta e para a próxima temporada do clube azul e branco. A exibição de hoje também irá determinar a forma como os dragões vão entrar em campo para disputar o última competição em que têm de defrontar o velho rival da Luz, sendo que uma derrota no Dragão que dita a eliminação de uma prova seria difícil de engolir após o afastamento da prova rainha do futebol português. E também estaria fraco no último jogo do campeonato.

Quem vencer o encontro de hoje vai ter vantagem psicológica em relação ao encontro da Taça da Liga bem como no jogo referente à última jornada do campeonato. 

Do "problemas deles" até ao "afecto" foi um instante

A presidente da Assembleia da República decidiu resolver o "problema deles", dos militares, com afecto e um café. 
Ora, a democracia portuguesa não pode chegar a este nível, tanto de um lado como do outro. Já se percebeu que nem Assunção Esteves nem os militares têm um sentido linguístico apurado e muito menos sabem o que é ter perfil de "estadista". Eu fui um dos que aplaudi a nomeação de Assunção Esteves para segunda figura do Estado, mas como não votei estou perfeitamente tranquilo. 

Quem se deve sentir envergonhado foram os deputados que elegeram Assunção Esteves depois de rejeitarem Fernando Nobre, que tinha sido a preferência de Pedro Passos Coelho. De facto, a líder do parlamento quando abre a boca parece que está a falar com um grupo de amigos sentados num café ou esplanada. No entanto, é a atitude demonstrada pelos militares porque mesmo enxovalhados na praça pública pelo poder política, aceitam uma segunda oportunidade para discursarem nas cerimónias do 25 de Abril. Se isso acontecer, o poder político presente vai ser humilhado por estes homens que ainda não perceberam que só fazem parte da história. Nunca do presente ou futuro. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

O governo disse e garantiu

O governo disse mais de uma vez que não vai cortar nos salários e pensões nem aumentar os impostos no próximo orçamento de Estado. Ora, perante isto eu não percebo porque é que a oposição e os cronistas do costume (que costumam estar sempre contra o executivo) continuam a papaguear o mesmo. De facto, não se entende qual a razão de tanta desconfiança e insegurança em relação ao que o governo afirma. 

Seria um suicídio político, não só para o governo mas para o país, que se fizessem mais cortes nos salários e pensões bem como aumentar impostos. Embora Passos Coelho se esteja a lixar para as eleições, há a mínima percepção que mexer nos salários das pessoas vai dar origem a eleições antecipadas. 

O líder da oposição devia ter outro tipo de discurso e atitude. O país já escreveu tudo e mais alguma sobre Seguro, mas este continua na mesma linha e parece que não vai parar até 2015. Tudo por causa das eleições. Até neste ponto há uma diferença clara: O governo não está (ainda) a pensar nas eleições e o PS está obcecado com elas, além do mais seria "má tactica política" meter ao barulho os cortes e o anúncio do aumento do salário mínimo. 

Não é preciso o governo estar sempre a repetir o mesmo, apesar das constantes manchetes do jornais que são o resultado desta oposição socialista sem qualidade. Espero que esta não se sobreponha à vontade do governo em fechar o programa da troika, até porque é o esforço dos portugueses que está em causa. E acrescento: com esta insistência, o PS não está a valorizar o sacríficio das pessoas depois do mesmo partido socialista nos ter colocado no buraco mais fundo que a economia pode conhecer. 

Saúde democrática

Embora se diga muitas vezes que em Portugal as pessoas não se interessam por política, a verdade é que o número de forças políticas tem aumentado. Apesar da elevada abstenção, há quem queira e goste da fazer política, o mesmo é dizer, tem interesse em debater ideias e apresentar projectos. 

Nas próximas eleições europeias vão a jogo 16 partidos, o que demonstra bem a força com que muitas pessoas tentam fazer com que os eleitores vão às urnas. Não será por falta de escolha ou projectos políticos que os portugueses terão razões para ficar em casa no próximo dia 25 de Maio, até porque também é o futuro da Europa que está em causa. 

A presença de 16 partidos, mais 3 do que em 2009, nas próximas eleições é de salutar e só vem reforçar a ideia que o 25 de Abril valeu a pena. Agora é necessário inverter o discurso pessimista das pessoas, mas também é urgente uma melhoria a nível da competência técnica e humana de algumas pessoas que são responsáveis pelos destinos do país. Tanto a primeira hipótese como a segunda demoram tempo e são difícil resolução, mas é possível que com divulgação e informação haja melhorias. 

No ano em que estamos a festejar 40 anos de Abril o sinal dado pelos partidos é importante e penso que nos próximos haverá mais novidades. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pelo menos os benfiquistas andam contentes

É verdade que as pessoas não andam contentes por causa da situação económica do país. Tem razões para isso até porque vão ser anunciadas mais medidas de austeridade. No entanto, o "vermelhão" é capaz de colocar um sorriso nos portugueses durante uns tempos. 

O Benfica está quase a conquistar o título e pelo menos cerca de 6 milhões de pessoas vão ficar contentes, o que corresponde a mais de metade da população. Por este motivo, é provável que a economia nacional cresça neste segundo trimestre do ano, contudo só vamos ter os números finais lá para Setembro. 

A euforia encarnada voltou ao fim de três anos de jejum, mas as conquistas podem não ficar por aqui. Embora ninguém assuma, o Marquês de Pombal já está reservado para o próximo domingo de Páscoa. Será um dia diferente porque joga o Benfica e o trata-se do jogo do título. É verdade, só mesmo excepcionalmente é que a liga poderia disputar-se um domingo, porque a regra é que este dia tem de ser dedicado à família, mas dia 20 é importante que a família benfiquista esteja reunida. 

Os troféus desta época podem não ficar por aqui, mas o campeonato é que conta porque o resto das provas é uma questão de sorte/azar e as finais ainda estão longe, até porque os adversários são o FC Porto e a Juventus, pelo que desta vez pode nem haver mais festas. 

A geração de Abril tomou conta do país

Daqui a poucos dias o país festeja 40 anos de 25 de Abril. Muitos recordam essa data com orgulho, felicidade e esperança, mas outros há que preferiam voltar ao antigo regime. 

Durante o período democrático tem-se ouvido a expressão "eu fiz o 25 de Abril" proferida por várias pessoas. E não falo só de políticos e militares, mas também de empresários, advogados, escritores e cantores. Todos eles reclamam para si uma parte da revolução, porque sentem que fizeram a história de um momento único no país. Ora, nem todos tiveram responsabilidade no conflito e Portugal já passou por períodos muito mais conturbados do que aquele que se verificou em 1974. O problema é que a última revolução antes do 25 de Abril (foi o 5 de Outubro 1910) já não tem ninguém para contar. 

Por estes motivos cada vez que se celebra Abril é feito uma retrospectiva e a pergunta mais colocada é a seguinte: onde estava no 25 de Abril de 1974. A maioria dos intervenientes que conta essas histórias faz parte de uma geração acima do autor destas linhas que nasceu 11 anos depois da revolução. Esta geração que tem a revolução dos cravos na cabeça tomou conta do país. 

Aqueles que hoje estão no poder político, social e empresarial de Portugal foram vítimas da revolução mas ganharam muito com a democracia. De facto, são eles que mandam nos partidos, empresas, justiça e também é por causa deles que a sociedade de hoje é injusta, desequilibrada e imoral, em particular para os que nasceram uma década depois e hoje querem vingar na vida. 

Alguém me disse uma vez que os mais novos nunca vão ter as oportunidades que a geração acima teve, por causa do estado do país. Mas quem é que deixou Portugal neste estado? Foram os que podem mas não pagam impostos ou os que com dificuldade cumprem as suas obrigações fiscais?

Não é por acaso que temos o país neste estado e não falo apenas das contas públicas, dos desequilíbrios orçamentais e tráfico de influências. Os mais novos estão a pagar décadas e décadas de aventureirismo, snobismo e novo riquismo de uma sociedade que aproveitou os anos de prosperidade económica para encher os bolsos sem fazer nenhum. E o pior é que essa geração é muito menos qualificada do que aqueles que hoje começam a sua vida profissional bem como responsabilidades pessoais. 

Quando hoje se fala em dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, criar uma família numerosa, ter oportunidades, tudo isso é culpa da geração que viveu Abril quando tinha 20/30 anos. Não é por acaso que se aborda muito o tempo daqueles que são mal remunerados ou explorados no trabalho, não porque não haja dinheiro mas porque a retribuição é injusta e desigual. Parece que muitos ficaram revoltados com o facto de terem perdido muito com Abril, ou então alguns aproveitaram a revolução como uma oportunidade única para enriquecer.

No meio disto tudo há um sinal importante que é o facto da geração que não viveu Abril não se deixar intimidar nem explorar pelos ressabiados da Revolução. Felizmente que a sociedade está a mudar e mais importante do que isso, os jovens de hoje lutam mais e os resultados do seu esforço são positivos. Os novos valores não vão deixar que Portugal fique na mesma e entregue aos velhos do Restelo que precisam de ser bajulados pelos mais novos. A renovação de geração vai ser feita lentamente e isso fará com que Portugal seja mais moderno e consciente das suas capacidades. 

A crise que vivemos é o resultado das más práticas sociais e não só de muitas pessoas que se acham importantes só por causa da sua condição social e financeira.  

domingo, 13 de abril de 2014

Olhar a Semana - Durão Barroso

O ainda presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, está com vontade de voltar a Portugal. Não falo apenas do seu sentimento pessoal mas político. Nas últimas semanas temos vindo a assistir a um regresso de Durão, mas que ainda não é definitivo porque tem de cumprir o mandato na Comissão Europeia até Outubro. No entanto, Durão já está a marcar terreno para não deixar Marcelo Rebelo de Sousa fugir e ser o escolhido do líder do PSD. 

Embora ainda faltem as europeias de Maio e as legislativas de 2015, as presidenciais de 2016 já mexem porque há inúmeros candidatos da Direita e da Esquerda, mas todos eles negaram já negaram essa hipótese. Na minha opinião fazem bem porque ainda falta muito para as próximas presidenciais e tanto o PSD como o PS podem ter diferentes líderes quando for o acto eleitoral. 

Apesar da qualidade técnica e político para estar à frente da presidência da República, o país ainda não esqueceu a forma como Barroso abandonou Portugal e neste aspecto os portugueses não costumam perdoar. Quem honra os compromissos até ao fim tem mais hipóteses de vencer numa segunda tentativa. Em meu entender os últimos aparecimentos públicos de Barroso não estão só relacionados com o facto de estar a terminar o seu mandato em Bruxelas. Acho que há muito tacticismo na forma como o antigo primeiro-ministro tem abordado os problemas do país. Durão Barroso sempre foi um jogador político, talvez até mais do que Santana Lopes, mas o seu ar angélico tapam muitos enigmas. 

O tempo dirá se Barroso é um dos candidatos às primárias da Direita, mas estou convencido que o actual presidente da Comissão Europeia está na mente de Pedro Passos Coelho para suceder a Cavaco Silva em Belém. 

sábado, 12 de abril de 2014

Figuras da Semana V

Esta semana as escolhas da semana são as seguintes:

Por Cima

Sport Lisboa e Benfica - A equipa encarnada está em grande e tem representado bem Portugal no estrangeiro. A qualificação para a terceira meia-final da Liga Europa em quatro anos é um sinal que o clube está a caminhar no bom sentido e de volta aos grandes palcos europeus. Em 2011 ficou-se pelas meias finais mas o ano passado não venceu o troféu por uma unha negra. Um ano depois o clube volta à mesma fase e tem pela frente o colosso Juventus. Muitos dizem que é preferível apanhar grandes equipas, mas a vitória só sabe melhor se pelo caminho ficarem as melhores equipas. O Benfica tem aqui uma bela oportunidade para provar que tem treinador e jogadores para se bater frente às melhores equipas da Europa. No entanto, não é só a equipa principal que está de parabéns, porque os juniores bateram o Real Madrid por 4-0 e estão na final da primeira edição da Youth Champions League. Ora, quem é afinal a melhor equipa portuguesa a trabalhar na formação?

No Meio

Vladimir Putin - O leste da Ucrânia tem feito manifestações contra o novo poder instalado em Kiev e o destino de algumas cidades como Donetsk, Luhansk e Kharkiv parece o mesmo que teve a capital no início de Fevereiro. Embora não seja directamente responsável pelo que se está a passar no leste da Ucrânia, Putin tem aqui um argumento de peso para travar Yartseniuk, Tymoschenko e outros de se virarem completamente para a União Europeia. Os novos homens fortes de Kiev esqueceram-se que Yanukovich foi eleito precisamente porque obteve mais votos no leste do país do que a futura candidata presidencial, Yulia Tymoschenko. Um outro aspecto importante e que garante a Putin meios para negociar é o gás. Tanto a Europa como a Ucrânia estão dependentes da Rússia para se servirem do gás. Perante estes dois cenários, tanto Kiev como Washington estão obrigados a negociar com Moscovo. Neste momento, Vladimir Putin recuperou alguma da desvantagem que tinha tido no início do conflito. 

Em Baixo

Militares de Abril e Assunção Esteves - Esta semana assistimos a mais um episódio negativo na política portuguesa. A Associação 25 de Abril, que integra alguns dos militares, pretendem usar da palavra nas comemorações oficiais da data que se celebra na Assembleia da República. Ora, isto nunca aconteceu porque os militares não são forças políticas e cabe aos representantes daquelas utilizar a palavra, até porque estão na sua casa. Alguns vieram a público fazer birrinha e ameaçar com uma ausência das comemorações. A presidente da Assembleia da República, a segunda figura mais importante do país, teve declarações públicas infelizes sobre este assunto e disse não se importava com a eventual ausência. Depois da falta de educação por parte da chefe parlamentar, os militares voltaram a fazer nova birrinha. Infelizmente é isto que caracteriza a nossa política e os nossos líderes. Está na altura dos nossos governantes fazerem uma escolha: ou mudam de comportamento, vocabulário e atitude ou então vão-se embora. 

Bandeira do Afeganistão

A actual bandeira do Afeganistão foi adoptada pelo governo de transição em 2002 e tem semelhanças à utilizada pela monarquia entre 1930 e 1973, a única diferença a nova bandeira que não tem o shahada no meio do brasão onde foi colocada uma mesquita, o mihrab voltado para Meca.


A 4 de Janeiro 2004, depois da intervenção norte-americana no país, o brasão foi novamente alterado 

A história diz que:

O preto significa o passado negro do país

O encarnado as mais de 8 mil lutas separatistas que fizeram parte da história do país

O verde representa sempre o fundamentalismo islâmico


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Maioria para o PS

Nas últimas semanas o jornal i e o Expresso revelaram sondagens onde o PS estava perto da maioria absoluta para as legislativas 2015. Nos mesmos estudos tem-se verificado uma queda acentuada do PSD e do CDS. 

No entanto, é curioso verificar que nas eleições europeias, o PS só tem dois pontos percentuais de vantagem sobre a coligação Aliança Portugal. No escrutínio europeu é o cabeça-de-lista que está em jogo e não o líder do partido, e neste aspecto, Rangel é muito melhor do que Francisco Assis e no dia 25 de Maio haverá uma nova vitória, não do PSD ou de Passos Coelho, mas de Paulo Rangel. 

Embora o PS caminhe para uma maioria absoluta, ainda é cedo para fazer uma análise profunda, até porque vão haver muitas alterações até ao final de 2015. É óbvio que o Governo tem estado atento a esta situação e por isso terá de fazer algumas concessões a nível fiscal. Não sei se o aumento do salário mínimo deverá ser acompanhado por uma redução dos impostos, embora o PM já tenha dito que não há margem para alterar o IRS porque mexeu no IRC. 

As sondagens que vieram a público são também um engano face ao que realmente vale António José Seguro, mas também sobre o estado interno do PS. A partir do dia 17 de Maio o Largo do Rato vai entrar em "conflito" porque o governo está quase a alcançar uma vitória, mais não seja porque limpou a porcaria que os governos socialistas deixaram no país. Alguém tem dúvidas que essa vai ser a mensagem do governo para o próximo ano e meio que falta da legislatura? 

Na minha opinião isso pode não ser suficiente para o PSD obter uma maioria absoluta, mas o CDS estará sempre disposto a dar uma ajudinha a formar governo. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A má representação parlamentar chegou ao topo

Quando se ocupa um cargo importante é preciso ser competente naquilo que se faz, mas também passar uma imagem positiva para o exterior, de forma a que os outros tenham respeito por essa personalidade. Todos sabemos o quão difícil é manter a ordem e ter contenção verbal numa era em que são os meios de comunicação social a marcar a agenda. É verdade que qualquer palavra ou frase retirada do contexto é aproveitada para fazer manchete. Este factor obriga a que os responsáveis políticos tenham cuidado naquilo que dizem. 

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, voltou a sacar umas das suas, ao ter afirmado que "era problema deles", dos militares, uma eventual ausência das comemorações oficiais do 25 de Abril por não usarem da palavra. Ora, a importância da data deveria ter tido uma resposta mais elevada bem como outro meio que não os jornalistas. Mas não, Assunção Esteves ficou mais uma vez por baixo do tapete e deu aos capitães de Abril razão para não comparecerem nos festejos, sabendo nós o quanto os revolucionários são sensíveis com questões desta natureza. 

Durante o dia de ontem, o Speaker (equivalente ao cargo de Presidente do Parlamento) da Câmara dos Comuns pediu aos deputados que se respeitassem uns aos outros porque havia crianças presentes no debate parlamentar. É impressionante como é que num lado há civismo e do outro estamos perante atitudes de baixo nível. É preciso denunciar as declarações de Assunção Esteves porque ela é a segunda representante do país e tem de substituir o PR em caso de ausência deste. O que seria se Cavaco Silva ou Passos Coelho, e até mesmo António José Seugro, tivesse este tipo de comportamentos?

A qualidade dos políticos não tem só a ver com a sua competência ou honestidade intelectual política e cívica, mas também está relacionado com o saber ocupar o cargo. Este é mais um sinal que prova a fraca qualidade dos nosso representantes e quando isto chega ao topo da Assembleia da República é caso para nos deixar preocupados. E muito...

Evitar a Juventus é o principal desejo

Daqui a pouco Benfica e FC Porto jogam a 2ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa e tanto águias como dragões entram em campo com vantagem de um golo. Apesar disso são os benfiquistas que têm a tarefa mais fácil uma vez que ganharam fora de casa. 

Se tudo correr como previsto os dois clubes portugueses vão passar e estar presentes no sorteio de amanhã e que vai definir as meias-finais. Ao contrário do que acontece nos anos anteriores, a Uefa não sorteou as meias aquando dos jogos do quartos. A vontade dos clubes portugueses é não se encontrarem nas meias, contudo uma delas terá de levar com a Juventus. Posto isto, acho que os responsáveis dos clubes portugueses até preferem uma meia-final nacional do que defrontar o gigante italiano. Das quatro equipas presentes a mais fraca será o Basileia caso confirme o apuramento frente ao Valência. Na minha opiniao os dirigentes do Benfica preferem apanhar o FCP e não a Juve e os responsáveis também. 

Era bonito que FC Porto e Benfica se encontrassem na Final de Turim, repetindo a final portuguesa de 2011. O problema é que há um gigante italiano para ultrapassar....

O dia da grande decisão está a chegar

Daqui a um mês o país e a Europa vão ficar a saber de que forma vamos sair do programa de assistência financeira, para doze dias depois a troika ir mesmo embora e nunca mais voltar. 

Até lá a especulação vai ser enorme e como de costume, muitos irão fazer as suas análises. Só há duas hipóteses: ou uma saída limpa à irlandesa ou um programa cautelar. A escolha está nas mãos do governo e não da Europa. Ao menos por uma vez nos deixem decidir o nosso futuro. 

Acredito que Portugal não vai precisar de um programa cautelar porque isso seria criar um clima de dúvida nos próximos tempos. E isso o país não precisa uma vez que já fez todos os sacrifícios necessários. Não digo que a crise vai acabar mas é tempo de aparecerem sinais positivos para que o investimento e o consumo (sobretudo este) sejam uma alavanca para a recuperação económica. Depois disto os números de desemprego e outros indicadores vão diminuir. Contudo, é preciso haver rigor e disciplina. 

É natural que a partir de agora haja mais responsabilidade, bom senso e civismo quando se quer gastar, sobretudo no que toca ao uso de dinheiros públicos. É neste ponto que tem de haver uma mudança por parte deste governo, mas também dos próximos, porque este executivo está a pagar pelas políticas de austeridade que tem implementado. No entanto, apesar da crise acho que Passos Coelho ainda tem tempo para recuperar, até porque a partir de agora, as contradições que atingiam o primeiro-ministro vão-se virar para o líder da oposição, António José Seguro. Estou convencido que todos vão cair em cima do líder socialista dias depois da troika sair de Portugal e acho que Seguro não vai saber reagir a esta derrota, o que trará consequências políticas para o partido socialista.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A vingança de Moscovo

Um mês depois da revolta em Kiev e que terminou com a queda de Viktor Yanukovich, é a vez dos ucranianos que vivem no leste do país defenderem a bandeira da Rússia. A população é ucraniana, mas há muitos que são filhos e netos de russos. Após a independência da Ucrânia e dos apelos de Yanukovich e Putin, aqueles que votaram no primeiro e gostam do segundo não podiam ficar sentados à espera que Yartseniuk e Tymoschenko dessem cabo do país. 

A revolução que surge em Donetsk, Luhansk e Kharkiv é compreensível e revela um sentimento de vingança em relação ao que se passou em Fevereiro na capital. É curioso verificar que o modus operandi é o mesmo, pelo que a história vai acabar da mesma forma. O que vai acontecer no leste ucraniano vai determinar o adiamento das eleições presidenciais e por via desse facto, o país vai ficar novamente ingovernável. Ao contrário do que muitos pensam, a Rússia não está por detrás da revolta popular no leste da Ucrânia, já que são também grupos radicais, mas pró-russa, que se estão a organizar para fazer face à polícia local e começar uma guerra naquelas cidades. 

Tendo em conta que os rebeldes russos já se instalaram nos edifícios, só à força é que os vão conseguir tirar de lá. Na minha opinião a única forma de evitar uma guerra civil e mais um banho de sangue é sentar na mesma mesa Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, porque a UE já não tem poder para resolver estas coisas. No entanto, esta reunião não vai acontecer porque Washington fez questão de dar a mão a Kiev e excluir Moscovo de qualquer tentativa para serenar os ânimos naquela zona. O resultado da intervenção norte-americana neste processo é uma guerra civil que vai deixar marcas no resto da Europa, porque assim que as tropas ucranianas entrarem pelo leste do país, haverá uma resposta imediata por parte da Rússia. É por isso que as tropas leais a Putin há muito que estão na fronteira entre a Crimeia e a Ucrânia. 

Valls, o nouvelle futuro presidente francês

Se tivermos em linha de conta os primeiros passos de Manuel Valls, novo primeiro-ministro francês, podemos ter a certeza que estamos perante um candidato para substituir François Hollande. Aliás, a escolha do actual presidente não podia ser mais bem acertada uma vez que afasta Nicolas Sarkozy de uma tentativa para reconquistar o Eliseu. 

Os primeiros dias de Manuel Valls prometem muita discussão na política francesa e europeia. No plano interno há a certeza de uma nova tentativa em implementar austeridade mas pela via da despesa e não através de um aumento de impostos. Estou curioso para saber como vai efectuar a reforma administrativa do país sem causar desemprego, descontentamento social e indignação partidária. Até dentro do próprio partido socialista francês. 

No plano externo, Manuel Valls quer que a França esteja acima da Alemanha. Pelo menos, é isso que retiro das palavras proferidos no seu primeiro discurso perante a Assembleia Nacional Francesa. O miúdo não quer estar sob a protecção alemã mas acima de Angela Merkel. Com esta vontade própria de um jovem, é caso para a Chanceler ter medo, contudo em França quem manda é o presidente e não o chefe de governo, sobretudo em matéria de política externa. Para já, não se vai sentir o efeito Valls, até porque  Hollande o vai reduzir a um segundo plano logo que o primeiro-ministro comece a ganhar sucesso. 

Manuel Valls não se importará muito com isso, apesar da notoriedade interna e externa que tem ganho desde a sua nomeação, e muito por culpa do facto de só ter adquirido a nacionalidade francesa aos 20 anos. 

Na minha opinião, não há espaço para Valls ambicionar muito enquanto Hollande for o Presidente. Contudo, ser primeiro-ministro é um degrau numa escada que deverá ter como destino a presidência da República. Nessa altura veremos como reage a população francesa à questão da nacionalidade, mas para Valls alguma vez poder ambicionar o Eliseu, Hollande não se pode recandidatar. Será? Acho que Valls tem a coragem de lutar contra quem o fez chegar à política francesa. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

40 anos depois não há espaço para os militares

O povo agradece o trabalho dos militares de Abril pela revolução, contudo a história não deve servir para dar cobertura aos que arriscaram a vida em prol do nosso país. Os militares de Abril foram importantes mas nunca serão eternos. 
Ao longo destes 40 anos de liberdade temos vindo a assistir ao ressurgimento de alguns militares que têm medo que o país o esqueçam. Alguns chegam ao ponto de dizer que é necessário fazer uma nova revolução para derrubar o actual poder político, tudo por causa dos cortes nas reformas que os militares ganharam direito simplesmente porque foram importantes no dia. Sim, porque no outro e até ao 25 de Novembro estiveram mais preocupados em instalar uma ditadura comunista em Portugal do que uma democracia. 

Na minha opinião os grandes heróis de Abril foram o PS, PSD e CDS. Ou seja, os partidos políticos que estiveram presentes na revolução de Abril, mas também no importante 25 de Novembro. Foi Mário Soares, Freitas do Amaral e Sá Carneiro que estiveram na linha da frente para instaurar a democracia que vivemos hoje e derrotar e evitar a entrada do poder soviético em Portugal. É óbvio que a democracia não é perfeita mas é o que se pode ter neste momento.

Posto isto, não percebo a intenção dos militares em querer aparecer quando se trata das celebrações do 25 de Abril. A data histórica tem de festejada mas também é fundamental que se olhe para o futuro. 

No próximo dia 25 de Abril serão os políticos e não os militares a usar da palavra nas comemorações oficiais. Ainda bem que assim é porque os capitães colocaram-se contra o regime e nenhum deles teve influência política relevante em 40 anos de democracia, e na altura usaram as armas para instalar um regime anti-democrático. Por este factor ninguém está interessado em saber o que os militares têm para dizer. 

Que não se use sempre o 25 de Abril para fazer um "refresh" histórico. 

Passos Coelho quer agradecer o esforço dos portugueses

O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou no Domingo que está disposto a aumentar o salário mínimo nacional. A oposição, os sindicatos e os patrões estão de acordo relativamente a uma medida que desejam há muito, mas que foi negada pelo PM devido às circunstâncias económicas em que vivemos. 

Após o anúncio de Passos Coelho a oposição veio reclamara para si os louros da vitória. É verdade que os partidos da oposição venceram, mas a principal vitória vai para os portugueses que têm um Salário mínimo miserável e que não se aceita numa Europa industrializada e civilizada. Não me venham com a história da crise para não se mexer no SMN. Com um SMN tão baixo é normal que no sector privado há quem pague mal aos seus trabalhadores. Se o Estado tem por princípio não pagar bem, como é que as empresas no sector privado vão compensar os seus trabalhadores?

O aumento do salário mínimo nacional vai surgir ainda num contexto difícil porque ainda há cortes importantes para fazer e os impostos continuam altos. 

Passos Coelho já disse que não vai cortar mais nos salários e pensões, mas que estes não vão voltar a níveis de 2011 quando muitos foram aumentados por causa de uma decisão eleitoralista de José Sócrates em 2009. O PM também já veio dizer que não vai haver diminuição no IRS em 2015, mas que também não vai haver aumentos. Contudo, ainda falta saber onde é que o executivo vai cortar 1500 milhões de euros. 

Os temas sobre a capacidade salarial dos portugueses deverá ser alvo de controvérsia política até ao Orçamento de Estado 2015. Pelo meio, há a saída da troika de Portugal e sinais positivos na economia. 

O PM tem de optar entre reduzir os impostos e aumentar o salário mínimo. Se fizer o primeiro vai ter que "ajudar" os funcionários públicos para não serem prejudicados em detrimento dos trabalhadores do sector privado. Com o objectivo de não criar mais injustiças e descontentamento social o PM mexe num assunto que diz respeito a todos e dessa forma cala os críticos à sua esquerda, mas também os de direita. Não há mais cortes e aumento de impostos, mas há um pequeno rebuçado que é o aumento do salário mínimo nacional. E assim se consegue dar um sinal positivo para os mercados e os bolsos dos portugueses. 

Não acho que esta medida seja eleitoralista, embora tenha sido anunciada em véspera de europeias. Na minha opinião, Passos Coelho quer dar um presente aos portugueses que se esforçaram durante os últimos três anos bem como injectar confiança na economia portuguesa. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sócrates e José Rodrigues dos Santos: um deles vai desistir

José Rodrigues dos Santos e José Sócrates vão chegar a vias de facto um dia destes. Ontem o ex-primeiro ministro acusou o jornalista de "fazer o papel de advogado do diabo mas de forma pouco inteligente". Por seu lado, JRS considerou que se tratou "de um insulto ao qual não ia responder". No convém não esquecer que Sócrates lembrou ao jornalista que o programa tinha como título "A opinião de José Sócrates". 

A entrada do jornalista para moderar a entrevista foi um erro da RTP porque JRS tem feito um ataque continuado ao antigo PM. Das duas uma, ou JRS está a agir em nome pessoal, ou então, a estação pública arranjou uma forma para colocar o ex líder socialista em xeque. Não sabemos porque razão a RTP mudou de moderador propositadamente, mas uma coisa é certa: a intenção é fazer cair Sócrates. 

Contudo, o antigo PM não quer ser visto como alguém que desiste; por isso é que foi a eleições depois de ter sido o principal responsável pela crise financeira em 2011.Tendo em conta que Sócrates não é homem para cair facilmente, o que temos assistido desde a entrada de JRS é um autêntico debate entre um jornalista e o entrevistado. O que se passou ontem foi um episódio rumo a uma certeza: um dos dois vai desistir porque vai ser impossível continuar com aquele clima de crispação e ataque pessoal. 

Duvido que seja Sócrates o primeiro a abandonar o barco até porque ele acredita piamente naquilo que diz e fez no passado, mas também considero que José Rodrigues dos Santos não deixará de fazer o papel de advogado do diabo porque nota-se que o jornalista está a ter prazer ao colocar Sócrates em riste. Uma coisa é certa, Sócrates está sozinho e ninguém no PS o vai defender até porque ele é uma voz incómoda para o actual líder. Por seu lado, José Rodrigues dos Santos terá o apoio da RTP porque se assim não fosse o jornalista já tinha marchado do programa. 

Por fim, tanto um como o outro estão a prestar um mau serviço público.

O que fazem 13 presidentes numa bomba de gasolina?

Os presidentes da maioria dos clubes nacionais quer a demissão imediata do Presidente da Liga, Mário Figueiredo.

A proposta de Figueiredo de fazer frente à Olivedesportos não correu bem e agora as consequências estão aí. Apesar disto é importante que se diga uma coisa: Mário Figueiredo tem sido um péssimo presidente e só está a fazer mal à Liga. Não é aceitável que a principal competição de futebol em Portugal não tenha um patrocinador e esteja às porta do buraco financeiro e não se entende como é que se aumenta o número de clubes na liga principal quando as receitas não chegam a 2 milhões de euros. 

Por isso não se admira que não haja adeptos nos estádios e o produto não seja vendido, cabendo aos programas televisivos fazer a promoção do espectáculo. Contudo, quem tem dirigentes como Bruno de Carvalho, Pinto da Costa ou António Fiuza merece este fim. 

Os clubes querem impedir o presidente da Liga de ratificar uma proposta que pode acabar com o monopólio da entidade que gere os direitos televisivos. No entanto, o mercado nacional é pequeno e não há forma dos clubes ganharem dinheiro que não seja através das transmissões na Sport Tv. Se o mercado é pequeno não se pode aumentar o número de clubes porque todos vão querer os jogos transmitidos e havendo apenas dois dias ao fim-de-semana é impossível que haja bolo para todos. Mesmo que haja jogos à segunda e sexta à noite, o que tem sido normal, os clubes enfrentam outro problema que é a adesão ao público. Nos anos 90 os estádios estavam cheios, quer se tratasse de equipas pequenas ou grandes, mas a entrada da tv no negócio alterou o estado das coisas. Tendo em conta que o futebol é jogado durante o inverno a tendência das pessoas vai ser ficar em casa, até porque qualquer jogo é hoje transmitido. Ninguém vai ao futebol ao sábado à noite nem à sexta, porque os espectadores de futebol preferem fazer outro tipo de programas nesse horário. 

Este é um problema que os clubes têm de resolver para conseguir mais assistências, logo mais receita. No entanto, os nosso dirigentes preferem aguardar numa bomba de gasolina enquanto os portões da Liga se mantêm fechados para evitar um golpe de Estado que se avizinha a qualquer momento, mas que não sabe como será feito. O presidente da Liga quer ficar protegido mas os clubes, na pessoas dos seus presidentes, contra atacam. 

Ninguém sabe quem vai ganhar este braço-de-ferro porque estão em causa interesses de diversas naturezas e a vida de pessoas que subiram à custa do futebol. Contudo, o único perdedor é o futebol português interno.

domingo, 6 de abril de 2014

Olhar a Semana - Factura da mentira

O governo anunciou há uns meses que os contribuintes vão poder ganhar um automóvel como prémio por terem pedido um número ilimitado de facturas nos últimos meses. 

A propaganda do governo gerou um estado de excitamento em cada português que continua a pedir facturas mesmo que consuma apenas uma bica. Ora, como é natural estamos todos à espera que nos calhe um automóvel topo de gama. Contudo, a factura da sorte tem algumas mentiras escondidas. 

Mentira número 1: os contribuintes precisam de validar as facturas para entrar no concurso. O mais natural é o facto de vários portugueses só terem tido conhecimento destas regras quando foram ao Portal das Finanças para verificar os cupões acumulados. Qual não é o espanto quando verificaram que não vão ter cupões porque não validaram as facturas. E como é que se valida as facturas? pergunta o menino Luís à sua mãe. Ninguém sabe porque não se sabia a necessidade de efectuar esta operação. É muito provável que milhares de portugueses não vão a jogo no próximo dia 17....

Mentira número 2: Dizem os especialistas que a probabilidade de vencer o concurso idealizado pelo governo é semelhante ao euromilhões. E se tivermos em linha de conta que quase ninguém validou as facturas......
É sabido que o euromilhões torna uma pessoa milionária de dez em dez anos, pelo que é possível a factura da sorte atribuir um automóvel a cada 20 anos. O problema é que a legislatura acaba já em 2015 e não estou a ver o governo de Seguro a atribuir automóveis às pessoas. 

Ou muito me engano ou este concurso só vai ter a edição número 1 que se realiza no dia 17. A expectativa dos portugueses será grande quando a tombola girar, mas o entusiasmo vai acabar quando se anunciar o vencedor anónimo. Depois mais ninguém liga a isto. Contudo, é bom que os portugueses continuem a pedir facturas uma vez que isso faz andar o país para a frente e obriga todos a pagar impostos, em particular as grandes empresas. 

Por seu lado, é bom que o governo consiga fazer passar a mensagem que pedir a factura é importante do ponto de vista fiscal e não comercial. A ideia em torno do concurso é uma fantochada. Lá diz o ditado que "tudo o que nasce mal jamais se endireita...."

sábado, 5 de abril de 2014

Figuras da semana IV

Hoje voltamos a escolher as figuras que mais se destacaram nesta semana:


Em Cima

Michael Schumacher - O antigo piloto de fórmula 1 parece estar a recuperar a consciência e a despertar do coma induzido. Os médicos já garantiram que ele não se encontra em estado vegetativo e isso é uma boa notícia. Schumacher está perante a prova mais importante da sua vida e todo o apoio é importante para trazer de volta ao mundo dos conscientes uma lenda viva do desporto. Schumi tem de ser recordado como o grande campeão e não pelo facto de ter perdido a vida por causa de um acidente de ski. Esta é uma pequena homenagem e demonstração de força, no entanto, as últimas notícias são animadoras. 

No meio

François Hollande - O presidente francês está numa enorme embrulhada social e política. Após a revelação do caso Juliet Gayet, Hollande parece ter acalmado em termos políticos. No entanto, a derrota eleitoral no domingo passado foi um rude golpe para o líder francês uma vez que teve de mudar de primeiro-ministro. Hollande nomeiou Manuel Valls, uma espécie de social-democrata para a chefia do executivo. Ora, a escolha de Valls contraria todas as políticas de austeridade que Hollande anunciou há uns meses e que fez alarmar os sindicatos e a população francesa. Embora Hollande tenha perdido as eleições municipais, teve um sentido de oportunidade e mudou a sua política, pelo menos se atendermos às origens políticas de Manuel Valls. O novo executivo francês parece ser uma lufada de ar fresco daquilo que há por essa Europa fora e é uma resposta às intransigências de Angela Merkel. O futuro vai confirmar ou não se esta nova França de Valls vai fazer frente a Angela Merkel. É isso que todos os europeus esperam. 

Por baixo

Isabel Jonet e António José Seguro - Esta semana em posição negativa estão duas pessoas que falaram à comunicação social sem ter pensado nas respectivas consequências. Isabel Jonet fez mais um ataque aos pobres e desempregados e o líder socialista prometeu que iria acabar com os sem-abrigo. Não vou voltar a escrever o que disseram, porque já tratei destes temas na quinta-feira. Apenas digo que pessoas com responsabilidade social e política têm de pensar primeiro antes de fazerem qualquer declaração à comunicação social, porque as suas palavras têm enorme impacto nas pessoas, ainda por cima quando estamos em plena crise. A não ser que a intenção de Jonet e Seguro seja rebaixar as pessoas. Qualquer dia a violência verbal que se regista nas redes sociais passa para outros campos. No caso de Isabel Jonet, estamos perante uma pessoa que não tem um mínimo de princípio e decência pelos portugueses que trabalham e mesmo assim passam mal. Quanto ao líder socialista já estamos habituados. 

Bandeira da Venezuela


A bandeira da Venezuela foi sendo alterada ao longo da sua história. 

Em 12 de Março de 1806, o venezuelano Francisco de Miranda içou uma bandeira com estas cores, mas foi em 1811 que o Congresso adoptou o amarelo, azul e encarnado e a 14 de Julho desse foi içada pela primeira vez como sendo oficial. 

A 15 de Julho de 1930 o Congresso decreta a junção do arco com sete estrelas no fundo azul e a 17 de Fevereiro de 1954 foi incorporado o brasão de armas na linha amarela. No entanto, as versões da bandeira com o brasão dizem respeito à Presidência e Forças Armadas.

Em 2006 o presidente Hugo Chavez orden a adição da oitava estrela do arco que se chama "estrela bolívar", em honra do herói da revolução bolívar, Simon Bolívar. O ex líder venezuelano confirma a proposta de Simon em 1817. De acordo com a história, a oitava estrela representa a região de Guayana que terá sido fundamental na luta pela independência do país. Chavez também mudou o brasão de armas do país para cumprir um desejo da sua filha. 

Depois da história, vamos aos significados:

A cor amarela representa o ouro e as restantes riquezas do país

O azul as águas do mar que banham o litoral venezuelano

E como acontece em quase todas as outras bandeiras, o encarnado significa todos aqueles que lutaram pela independência do país.

As sete estrelas representam as todas as províncias venezuelanas.



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