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domingo, 28 de dezembro de 2014

"Olhar a Semana...": as 52 semanas de 2014

Flashback Portugal 2014
Chegados ao final de mais um ano é inevitável recordar alguns dos momentos mais marcantes de 2014. Não nos podemos queixar da “riqueza” factual e de acontecimentos durante este ano que agora termina.
A Política em 2014. As eleições europeias marcaram uma aproximação entre as duas grandes forças políticas europeias: o Partido Popular Europeu e o Partido Socialista Europeu. Mas o acto eleitoral de 25 de maio ficava marcado pelo crescimento dos grupos mais extremistas, radicais e antieuropeístas. Em Portugal, as eleições para o Parlamento Europeu resultaram numa crise interna no Partido Socialista que não descolou do PSD/CDS e colocou em causa a liderança de António José Seguro. Apesar da sua característica europeia os resultados eleitorais de maio tiveram um forte impacto nacional. O PS, mesmo tendo sido o partido mais votado (e ter ganho as eleições), foi o que mais “sofreu” com o processo eleitoral: a inovação do processo das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, em 2015, resultou na destituição de António José Seguro e na confirmação de António Costa à frente dos destinos dos socialistas. Além disso, 2014 ficou marcado pelas trapalhadas governamentais surgidas nos ministérios da Justiça e da Educação, através do novo mapa judiciário e da polémica envolvendo o programa Cituis, ou da surreal colocação de professores no início de mais um ano lectivo. Inacreditavelmente, os dois ministros “sobreviveram”.
A Economia em 2014. O ano é marcado pelo fim do programa de ajuda externa e a saída da Troika. O Governo mantém o discurso da recuperação financeira e económica do país, mas a UE, mesmo após o fim do resgate mantêm-se preocupada quanto às reformas necessárias para a consolidação das contas públicas e a melhoria da economia nacional. Entretanto, em 2104, Portugal terá despendido mais de sete mil milhões de euros com encargos com a dívida (juros e comissões no âmbito do empréstimo de resgate). Mas o colapso do BES, considerado o maior banco português, marcou definitivamente todo o panorama financeiro nacional com a queda da instituição bancária tida como o motor da economia portuguesa e a queda do maior mito da gestão bancária, Ricardo Salgado, envolvido numa teia infindável de ilegalidades e crimes, bem como numa guerrilha familiar. E o fim da influência do “dono disto tudo” (apresentando agora como “vítima disto tudo”) não teve apenas impactos no BES. Entre muitas empresas há a destacar, por exemplo, os danos colaterais provocados na PT e na Oi com as demissões de Henrique Granadeiro e de Zeinal Bava, e a incerteza quanto ao futuro da empresa de telecomunicações até então intocável.
A Justiça em 2014. Este foi, clara e indiscutivelmente, o ano do poder judicial. Com vários processos ainda em curso, como por exemplo os do BPP e BPN, o primeiro “abanão” da justiça veio através do acórdão do processo “Face Oculta”: o Tribunal de Aveiro condenou o antigo ministro e ex-vice-presidente do BCP Armando Vara é a cinco anos de prisão efectiva, o ex-presidente da REN José Penedos a cinco anos de prisão efectiva, em cúmulo jurídico, e o sucateiro Manuel Godinho a 17 anos e seis meses de prisão. Pouco tempo depois a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues é condenada a três anos e seis meses de prisão com pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político. Pelo meio surgia o caso dos Vistos Gold envolvendo cúpulas da administração central e que levou à demissão do então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Não esquecendo ainda o arquivamento, por falta de provas e eventual prescrição, do processo da aquisição dos submarinos e que envolvia o nome do ministro Paulo Portas; ou ainda a total trapalhada do caso Tecnoforma que levou Pedro Passos Coelho a surreais “cambalhotas explicativas”. Mas a confirmação de que algo (resta saber se positivo ou não) estava a mudar na Justiça portuguesa surgiu nesta parte final do ano, no âmbito da operação “Marquês”, com a detenção nunca imaginada (nem vista) do ex-primeiro ministro José Sócrates, actualmente detido no estabelecimento prisional de Évora, em prisão preventiva, enquanto se desenrola a fase de instrução e o culminar das investigações. Processo que funde a justiça com a política, por mais que se queira delimitar as duas realidades: o envolvimento de ex-governante e ex-político; a “originalidade” na detenção de um ex-primeiro ministro; os impactos político-partidários que podem, eventualmente, influenciar as próximas eleições legislativas; entre outros. Mas não queiram, alguns, partidarizar a acção judicial, sendo que qualquer ‘vanglorização’ face aos acontecimentos acaba por ter o reverso da medalha. Basta que olhemos para outras investigações em curso envolvendo figuras políticas relevantes (Paulo Campos, PS; Filipe Menezes e Marques Mendes, PSD; como meros exemplos).
Que 2014 foi o ano da Justiça, pelas mais diversas e distintas razões, não haja qualquer dúvida.

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