Flashback Portugal 2014
Chegados
ao final de mais um ano é inevitável recordar alguns dos momentos mais
marcantes de 2014. Não nos podemos queixar da “riqueza” factual e de
acontecimentos durante este ano que agora termina.
A Política em 2014.
As eleições europeias marcaram uma aproximação entre as duas grandes
forças políticas europeias: o Partido Popular Europeu e o Partido
Socialista Europeu. Mas o acto eleitoral de 25 de maio ficava marcado
pelo crescimento dos grupos mais extremistas, radicais e
antieuropeístas. Em Portugal, as eleições para o Parlamento Europeu
resultaram numa crise interna no Partido Socialista que não descolou do
PSD/CDS e colocou em causa a liderança de António José Seguro. Apesar da
sua característica europeia os resultados eleitorais de maio tiveram um
forte impacto nacional. O PS, mesmo tendo sido o partido mais votado (e
ter ganho as eleições), foi o que mais “sofreu” com o processo
eleitoral: a inovação do processo das primárias para a escolha do
candidato socialista a primeiro-ministro, em 2015, resultou na
destituição de António José Seguro e na confirmação de António Costa à
frente dos destinos dos socialistas. Além disso, 2014 ficou marcado
pelas trapalhadas governamentais surgidas nos ministérios da Justiça e
da Educação, através do novo mapa judiciário e da polémica envolvendo o
programa Cituis, ou da surreal colocação de professores no início de
mais um ano lectivo. Inacreditavelmente, os dois ministros
“sobreviveram”.
A Economia em 2014.
O ano é marcado pelo fim do programa de ajuda externa e a saída da
Troika. O Governo mantém o discurso da recuperação financeira e
económica do país, mas a UE, mesmo após o fim do resgate mantêm-se
preocupada quanto às reformas necessárias para a consolidação das contas
públicas e a melhoria da economia nacional. Entretanto, em 2104,
Portugal terá despendido mais de sete mil milhões de euros com encargos
com a dívida (juros e comissões no âmbito do empréstimo de resgate). Mas
o colapso do BES, considerado o maior banco português, marcou
definitivamente todo o panorama financeiro nacional com a queda da
instituição bancária tida como o motor da economia portuguesa e a queda
do maior mito da gestão bancária, Ricardo Salgado, envolvido numa teia
infindável de ilegalidades e crimes, bem como numa guerrilha familiar. E
o fim da influência do “dono disto tudo” (apresentando agora como
“vítima disto tudo”) não teve apenas impactos no BES. Entre muitas
empresas há a destacar, por exemplo, os danos colaterais provocados na
PT e na Oi com as demissões de Henrique Granadeiro e de Zeinal Bava, e a
incerteza quanto ao futuro da empresa de telecomunicações até então
intocável.
A Justiça em 2014.
Este foi, clara e indiscutivelmente, o ano do poder judicial. Com
vários processos ainda em curso, como por exemplo os do BPP e BPN, o
primeiro “abanão” da justiça veio através do acórdão do processo “Face
Oculta”: o Tribunal de Aveiro condenou o antigo ministro e
ex-vice-presidente do BCP Armando Vara é a cinco anos de prisão
efectiva, o ex-presidente da REN José Penedos a cinco anos de prisão
efectiva, em cúmulo jurídico, e o sucateiro Manuel Godinho a 17 anos e
seis meses de prisão. Pouco tempo depois a ex-ministra da Educação Maria
de Lurdes Rodrigues é condenada a três anos e seis meses de prisão com
pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político. Pelo meio
surgia o caso dos Vistos Gold envolvendo cúpulas da
administração central e que levou à demissão do então ministro da
Administração Interna, Miguel Macedo. Não esquecendo ainda o
arquivamento, por falta de provas e eventual prescrição, do processo da
aquisição dos submarinos e que envolvia o nome do ministro Paulo Portas;
ou ainda a total trapalhada do caso Tecnoforma que levou Pedro Passos
Coelho a surreais “cambalhotas explicativas”. Mas a confirmação de que
algo (resta saber se positivo ou não) estava a mudar na Justiça
portuguesa surgiu nesta parte final do ano, no âmbito da operação
“Marquês”, com a detenção nunca imaginada (nem vista) do ex-primeiro
ministro José Sócrates, actualmente detido no estabelecimento prisional
de Évora, em prisão preventiva, enquanto se desenrola a fase de
instrução e o culminar das investigações. Processo que funde a justiça
com a política, por mais que se queira delimitar as duas realidades: o
envolvimento de ex-governante e ex-político; a “originalidade” na
detenção de um ex-primeiro ministro; os impactos político-partidários
que podem, eventualmente, influenciar as próximas eleições legislativas;
entre outros. Mas não queiram, alguns, partidarizar a acção judicial,
sendo que qualquer ‘vanglorização’ face aos acontecimentos acaba por ter
o reverso da medalha. Basta que olhemos para outras investigações em
curso envolvendo figuras políticas relevantes (Paulo Campos, PS; Filipe
Menezes e Marques Mendes, PSD; como meros exemplos).
Que 2014 foi o ano da Justiça, pelas mais diversas e distintas razões, não haja qualquer dúvida.
Que 2014 foi o ano da Justiça, pelas mais diversas e distintas razões, não haja qualquer dúvida.

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