domingo, 9 de novembro de 2014

Os desafios da nova Comissão Europeia

A nova Comissão Europeia liderada pelo luxemburguês Jean-Claude Juncker tem um desafio económico e diplomático durante o próximo mandato. Em relação ao primeiro aspecto é fácil perceber a necessidade de maior transparência e equilíbrio orçamental dentro da União Europeia e Zona Euro. É inegável que as actuais condições da moeda única têm de ser alteradas para que haja mais justiça económica e social. Juncker tem também de colocar a Europa com uma economia mais forte e não pensar apenas nas finanças. Ou seja, o novo presidente não pode olhar para alguns maus exemplos, como o português, em que a austeridade foi a prioridade. Os próximos tempos são importantes para o crescimento económico no Velho Continente e é preciso ir buscar financiamento a mercados emergentes. Mas há um problema: O que fazer com o embargo russo?

Na minha opinião os líderes europeus devem alterar a sua posição de ostracização a Moscovo por causa da Ucrânia. Já todos sabemos que aquele pedaço de terra não vale nada em termos estratégicos e políticos. A questão do gás é essencial para manter quente alguns países europeus. Por estas razões o presidente Juncker e Federica Mogherini devem iniciar uma tentativa de aproximação a Vladimir Putin, independentemente das posições que este tem com Petro Poroshenko ou os líderes rebeldes. 

A posição política da Europa no mundo é outros dos objectivos desta Comissão. Com Durão Barroso a Europa foi ultrapassada por outros países nas relações com os EUA, nomeadamente o Brasil, Índia e países da América Latina. Ora, espera-se com que Juncker esta situação mude. No entanto, não vai ser fácil chegar a um consenso sobre a crise no leste ucraniano com a administração Obama. A questão que se coloca a Juncker é saber se deve reforçar os laços com Obama ou pensar em namorar os futuros candidatos democratas e republicanos. Os recentes resultados das intercalares norte-americanas colocam uma dúvida aos responsáveis pela política externa europeia. 

Era importante que o centro das grandes decisões mundiais voltem para Bruxelas. O problema é que com um Conselho Europeu dividido vai ser complicado unir as diferentes visões dos Estados-Membros. 

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