segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Mais sério que pedir desculpas

O Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, apresentou ontem a sua demissão na sequência dos acontecimentos que marcam ainda o caso do "vistos gold".
Não sei se o ministro está directamente envolvido na polémica. Até duvido... mas a verdade é que a teia é de tal forma que muitas das correlações no processo são demasiado próximas ao ministro demissionário ou são titulares de altos cargos de organismos do ministério.
O que está aqui em causa, com a atitude de Miguel Macedo, é a posição política tomada pelo então titular da pasta da Administração Interna. Curiosamente, excluindo um ou outro caso pontual e após um início de mandato mais atribulado, até era dos ministérios do actual Governo menos polémico e controverso.
O Francisco Castelo Branco tem uma análise interessante e curiosa para o impacto deste abalo governamental. Subscrevo inteiramente a questão da antecipação das eleições de 2015 por forma a minimizar os "danos políticos", embora com algumas reservas quanto ao sucesso eleitoral. Aliás, algo que se já se afigurava complicado, agora torna-se praticamente uma factualidade. Também partilho da opinião de que Passos Coelho tem, cada vez mais, um Governo descredibilizado e sem uma "espinha dorsal" consistente (algo que acontece, goste-se ou não, desde a saída de Miguel Relvas).
Mas há outras três questões que importa realçar. À análise do Francisco acrescento que surge agora um relevante ponto de interrogação quanto a uma eventual coligação pré-eleitoral entre CDS e PSD para as próximas eleições.
Do ponto de vista político há que enaltecer a atitude Miguel Macedo, assumindo as suas responsabilidade políticas e governativas, ao contrário de outros dois ministros (Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz) que se ficaram por um teatral pedido de desculpas.
Por último, ao contrário do que disse ontem Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, não faz, nesta altura, qualquer sentido uma remodelação profunda do Governo. É completamente fora de timing... Houve já alturas e momentos para tal que foram desperdiçados. Agora, é altura para encontrar uma solução que minimize os impactos da demissão de Miguel Macedo; é altura para encontrar alguém que se mostre disponível para ser "sacrificado".

Sem comentários:

Share Button