segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Entrevista a Daniel Cândido da Silva

Qual foi a razão de ter escrito o “Mais Longe”?
O motivo foi o desejo de compilar alguns textos que estavam um pouco perdidos. Interessava colocar num registo físico as coisas que estavam  publicadas no meu blogue e também do Jornal de Notícias. Demorei cerca de 6 meses a reunir todos os textos.

Quais as temáticas que aborda no livro?
Quis fazer a denúncia do sentido humano, isto é, aquilo que são os valores e o que deve ser a ética humana. Foi isso que quis reflectir.

É um crente?
Um bom escritor é aquele que respeita o leitor. Quando eu falo da temática da religião eu dou o meu contributo pessoal. Sempre detestei qualquer tipo de fanatismos. Os ateus também costumam negar a existência de Deus de uma forma arrogante. Os ateus e os crentes estão na mesma linha. Gosto mais daquele que coloca a dúvida porque isso é importante. O fanatismo não é necessariamente religioso. A questão tem mais a ver de forma individual. Gosto de Saramago, Gabriel Garcia Márquez, mas não tenho nenhum escritor de eleição.

Porque aborda a temática do amor?
Quando falo do amor tento abordá-lo de uma perspectiva geral, isto é, o amor universal e não o afectivo. Este tipo de amor é poucas vezes abordado.

A nossa sociedade tem pouca compaixão?
Vão havendo sinais grupais e pedagógicos de uma menor tolerância e respeito pelo outro. Em Portugal e não só tem havido imensas questões sociais que têm vindo a ser mais seguidas com um outro olhar sobre as coisas. A falta de compaixão pode existir por causa de querermos abrilhantar o nosso eu. Quando isso acontece é porque a pessoa não é necessariamente feliz. A nossa sociedade está muito virada para o culto do eu, é egoísta. Por isso tornam-se mais frias. Estes problemas são transversais a todos os grupos da sociedade. É por causa destas questões que também estamos neste estado.

Como analisa o fenómeno das redes sociais?
Não acho que as redes sociais sejam algum papão. A questão tem a ver com a forma como usamos as redes sociais. As redes sociais são importantes para manter contacto e proximidade com algumas pessoas.

As redes sociais são uma forma de fugir à solidão?
Há pessoas que têm uma vida muito solitária. Quis meter o dedo na ferida porque vivemos na sociedade das redes sociais, mas depois cada um vai sozinho para sua casa. Hoje as pessoas conhecem-se pouco. Certas pessoas na sua intimidade e vida pessoal são muito sós.


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