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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Os primeiros erros cometidos por António Costa

O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, desfez-se ontem em elogios a António Costa no seu programa de comentário na RTP, chegando ao ponto de o considerar como a personagem central da vida política portuguesa. Percebe-se por aqui que o futuro secretário-geral socialista tem um aliado de peso até às eleições legislativas. 

No debate quinzenal da última sexta-feira o novo líder da bancada parlamentar socialista, Eduardo Ferro Rodrigues, sugeriu ao primeiro-ministro que desafiasse Costa para um debate televisivo. No regresso à frente parlamentar, o antigo secretário-geral socialista, avisou a Direita que tem os dias contados. 

Compreendo a razão de tanto entusiasmo por parte dos socialistas, em particular daqueles que foram proscritos pelos portugueses. Tanto Sócrates como Ferro Rodrigues falharam politicamente e saíram de cena pela porta pequena. 

Na minha opinião, o candidato a primeiro-ministro pelo Partido Socialista tem cometido dois erros neste início de mandato.

O primeiro é colocar na linha da frente do combate politico ao primeiro-ministro dois homens que foram "rejeitados politicamente" e que só vão perturbar a acção de António Costa, mesmo que tenham o intuito de ajudar. Sócrates vai defender o seu eterno amigo que vai cair no exagero. Por seu lado, a falta de qualidade e competência de Ferro Rodrigues permitirá ao primeiro-ministro e à Direita vencer os debates parlamentares que serão importantes na transmissão da mensagem. E se Costa continuar a marcar reuniões com quem quer que seja durante a realização dos debates, não vai sequer saber o que se passa dentro do hemiciclo e entregar ao antigo líder o comando da batalha política. Não será por aqui que o PS vencerá as legislativas. 

O segundo erro que Costa está a cometer é a acumulação de cargos que já referi em artigos anteriores. O socialista não é só presidente da Câmara Municipal de Lisboa como comentador político no programa da SIC Notícias "Quadratura do Círculo". À medida que Costa não resolve estes dois problemas vai ser um alvo fácil para a Comunicação Social e Opinião Pública que não perdoa aos políticos que ganhem dinheiro à conta do seu dinheirinho. Um outro aspecto está relacionado com a forma como Costa vai responder. Se na qualidade de secretário-geral socialista, presidente da Câmara ou mero comentador político. 

Este rol de problemas em que Costa se envolveu ainda antes de ser eleito o "preferido" dos socialistas não demorará muito a ser explorado pelos opositores externos, mas não só. Ainda gostava de dizer que Costa anda muito calado. Quem fala por ele?

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