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domingo, 12 de outubro de 2014

"Olhar a Semana". Entre saídas e não renúncias.

Uma semana recheada de acontecimentos e surpresas.

1. As renúncias e saídas. António José Seguro já tinha anunciado que abandonaria a liderança do PS caso perdesse as primárias. A derrota foi clara e até pesada pelo que o cumprimento da promessa não se afigurava como surpresa, apesar de estar em jogo a escolha do candidato socialista ao cargo de primeiro-ministro nas próximas legislativas. Nem mesmo a sua renúncia ao lugar de Conselheiro do Estado depois de deixar livre o lugar de secretário-geral do partido. Já o abandono da função de deputado parlamentar, apesar de ser uma posição digna, não era, de todo, esperada. Terminam assim três anos políticos intensos, culminando numa saída sem glória.
Outra saída que surpreende foi a de Zeinal Bava da presidência da OI. Depois de um inquestionável trajecto na PT, chegaram ao fim os dias de glória daquele que foi considerado como um executivo/gestor de excelência e imaculado. Arrastado pelo ciclone do caso BES levou à saída pela porta pequena (apesar dos 5,4 milhões de euros de indemnização) de um dos maiores nomes da gestão portuguesa. Também deixou marcas no processo a estratégia de bloqueio à OPA por parte da Sonae à PT, que muitos consideram (agora) como um desastre na gestão de Zeinal Bava.
2. A não renúncia. Apesar das polémicas e das pressões intensas quer por parte da oposição, sindicatos, especialistas, professores e opinião pública, só por teimosia política, pelo aproximar do fim de mandato e das próximas legislativas (que até podem ser antecipadas), o ministro da Educação, Nuno Crato mantém-se no Governo e com o apoio reforçado do Primeiro-ministro. O que mais se estranha nesta caso é o assumir da responsabilidade política (recorde-se o “pedido de desculpas” público) mas sem qualquer consequência política desse assumir de responsabilidade. Não fossem os impactos políticos negativos para o Governo, nesta fase da legislatura, e, provavelmente, Nuno Crato não teria conseguir resistir mais tempo no lugar.
3. As Surpresas. Todas a nível externo. Primeiro, as eleições brasileiras. Já tinha sido considerado um verdadeiro feito a passagem à segunda volta das presidenciais no Brasil do candidato outsider Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB ), do centro-direita. Na primeira volta a actual presidente do Brasil, Dilma Roussef alcançou 41,53% dos votos contra os 33,63% de Aécio Neves (relegando para terceiro lugar a ambientalista Marina Silva apenas com 22%). Apesar da diferença acentuada, o que para muitos seriam “favas contadas” na reeleição de Dilma, afigura-se agora como uma verdadeira incógnita e uma eventual surpresa com o ascendente das sondagens para Aércio a que se junta o apoio expresso de Marina Silva. O Mundial de Futebol deixa as suas marcas e não foi pelos resultados da “canarinha”.
A segunda surpresa é a nomeação da jovem paquistanesa Malala Yousufzai para Nobel da Paz, a par do indiano Kailash Satyarthi. A luta pelos direitos humanos e contra os extremismos esteve bem patente nas escolhas da Academia Sueca. No caso da jovem paquistanesa muçulmana de 17 anos de idade, baleada na cabeça há cerca de três anos por talibãs, a forma como se tornou um símbolo da luta pelos direitos humanos, nomeadamente pelo direito das jovens muçulmanas por um acesso livre e condigno à educação/ensino, depois de algumas atribuições do Nobel criticáveis e questionáveis, retoma o verdadeiro significado e a génese do Nobel da Paz: alguém que a promova, em vez da guerra tanta vezes por razões dissimuladas.
4. À margem. Tem passado ao lado da agenda mediática o Sínodo da Família, que tem lugar até ao próximo dia 19, em Roma. Ao entrar na recta final, o Papa Francisco não deixa de surpreender e, de novo, “ameaça” abalar as tendências mais conservadoras da Igreja. Apesar de publicamente não ter tomado nenhuma posição concreta, tal como é seu hábito, o Papa Francisco não deixa de dar ouvidos às minorias e aos mais progressistas, projectando uma Igreja mais abrangente, mais inclusa, mais comprometida com o Mundo e com todos sem excepção. Temas como a homossexualidade, a adopção, formas de procriação, o acesso aos sacramentos e à vivência em Igreja de todos (mesmo os divorciados, os recasados, os pais e mães solteiros, os não casados), a pedofilia, tomam novos contornos com o actual pontificado do Papa que veio do “fim do mundo”. Daí que não seja de estranhar o “mal estar” ou a “tensão” criada no Sínodo pela nomeação inesperada (mas saudada) do Papa Francisco de seis relatores da sua confiança e tidos como liberais.

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