sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Velhos aliados, diferentes posições

Os velhos aliados têm estratégias diferentes para combater a ameaça do ISIS. Os EUA já se sabe que vão bombardear os campos dos militantes até que não reste mais nada, mesmo que para isso tenham de morrer cidadãos norte-americanos como foi o caso dos jornalistas Foley e Stotfoll. A política da Casa Branca parece-me acertada porque não se deve ceder a ameaças, até porque ninguém sabe o que aconteceria aos dois homens decapitados em caso de cessar-fogo norte-americano. Alguns analistas entendem que o EI não tem forma de se defender das bombas e por isso utiliza este tipo de resposta. Embora tenham nas suas fileiras homens bem treinados e com capacidade, é natural que quem anda de aldeia em aldeia com carros a espalhar o terror não tenha grandes condições de autodefesa. O problema é que o grupo não esperava uma reacção norte-americana em defesa dos curdos. 

Esqueçamos os guerrilheiros iraquianos e voltemos à posição de Cameron. Perante a ameaça do EI decapitar um cidadão britânico, Cameron garantiu que o Reino Unido não irá intervir no Iraque. É curioso que esta posição seja contrária à de Tony Blair que recentemente sugeriu mais um ataque no país. 

Também não deixa de ser interessante que os dois mais velhos aliados de sempre (EUA e UK) não estejam unidos nesta questão. Percebo a posição de Cameron, mas também de Obama. Neste momento não há nada a fazer no Iraque a não ser garantir um apoio político, mas isso é tema que só interessa a Washington porque Londres já deixou de tentar exercer a sua influência além fronteiras. Aliás, Cameron é um homem que se preocupa apenas com o poder do Reino Unido dentro do país. 

Ao contrário do que acontece com a Casa Branca, o número 10 em Downing Street está a considerar todas as hipóteses para salvar David Haines, incluindo pagar um resgate. É perfeitamente natural que o primeiro-ministro britânico reaja desta forma. 

Na minha opinião a situação no Iraque revela bem que os EUA e o Reino Unido, não estão só distantes em termos militares, mas também ideologicamente. 

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