segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tiro de partida

Ao acordar para ir trabalhar depois de umas férias em que não houve calor deve ter sentido um vazio por este Verão não ter havido política. Em 2013 os meses de Julho e Agosto foram marcados por uma crise intensa no governo que nos ia deixando à beira da bancarrota. Nesta mesma altura os socialistas já estavam com as facas afiadas e preparados para assumir responsabilidades governativas. Seguro havia ganho as directas no partido, sem concorrência, mas ainda não tinha vencido nenhum acto eleitoral. 

Um ano depois a situação é outra. O governo está estável porque cumpriu os objectivos propostos pela troika e os números da economia são uma esperança para a direita que ainda não sabe se concorre coligada nas próximas eleições legislativas que se realizarão daqui a um ano. As sondagens mostram que o PSD está a recuperar lentamente em relação ao PS. Neste momento são os socialistas que têm uma crise interna de difícil resolução cujo resultado no próximo dia 28 não vai alterar muito as divisões que não tem permitido ao partido obter vitórias eleitorais de forma absoluta. O PS tem as suas primárias no final do mês para escolher o candidato a primeiro-ministro, mas também o futuro secretário-geral. O avanço de António Costa, que não se candidatou às directas de 2013, fez com que Seguro arranjasse uma forma de impedir uma vitória esmagadora do seu oponente, seja em directas ou em congresso. Por esta via, o actual secretário-geral ainda tem hipóteses de vencer, ainda que mínimas. Em relação a Costa há um problema, porque o actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa já veio dizer que não será líder da oposição a full-time. Ora, Passos Coelho vai estar sozinho e a ganhar pontos no parlamento enquanto Costa decide um problema camarário. 

É óbvio que o resultado do próximo dia 28 atenue um pouco as divisões que existem no Partido Socialista. No entanto, pode surgir um problema jurídico uma vez que as primárias não foram aprovadas em congresso, situação que é estatutariamente obrigatória. 

Na minha opinião o PS daqui até às eleições não vai ser um partido diferente, quer ganhe António Costa ou António José Seguro. Nenhum dos dois tem ideias claras, uma comunicação excelente que faça distinguir do oponente. 

Sem comentários:

Share Button