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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Os presentes envenenados de Costa ou o aguardar por um Rio cheio?


Depois da boa relação evidente entre António Costa e Rui Rio geradora de consensos na conferência «A política, os políticos e a gestão dos dinheiros públicos» organizada pela TSF e pela OTOC, durante a qual houve espaço e tempo de antena para que António Costa tecesse elogios a Rui Rio e vice- versa chegando mesmo a avançar a possibilidade de um pacto de regime a dez anos subscrito por ambos os partidos, caso Rui Rio sucedesse a Pedro Passos Coelho, António Costa percebeu que a melhor estratégia era dividir o actual PSD conseguindo alcançar a tão ambicionada maioria absoluta nas próximas legislativas seria lançar um repto a Rui Rio para avançasse para liderança do PSD logo depois de António Costa vencer as primárias de 28 de Setembro. Significa isto que no espaço de apenas um mês a estratégia política de António Costa mudou, em virtude das últimas sondagens nas quais PS e PSD não descolam nas legislativas. Este fenómeno deve-se em muito à mutilação que o candidato António Costa está a infringir ao seu partido, ao agitar as águas abalando o actual líder com a sua efectiva candidatura. António José Seguro deixou de fazer oposição ao Governo para se opôr com todas as forças ao candidato que não o foi oportunamente e que agora pretende contestar a líder socialista e ao que parece contestar o próprio líder social democrata. António Costa chegou a afirmar que só faz o acordo de regime com Rui Rio, elevando a personalização no panorama político a outro patamar, permitindo-se não só escolher quem será o líder da sua oposição caso seja Governo como crendo ainda fazer-nos acreditar que só com ele encetará negociações, o que pode significar que aceitará liderar um Governo minoritário. Nada me parece pior do que um Governo a curto- prazo por ser minoritário, veja-se o que sucedeu no segundo mandato do anterior PM José Sócrates. Ainda assim, Rui Rio não contradisse a possibilidade de avançar para a liderança do PSD avançada por António Costa e concordou com este quanto à marcação de eleições antecipadas para Abril de 2015. O PR Cavaco Silva descartou já esta possibilidade defendendo que nenhum dos protagonistas representa as direcções do seu partido e que tal circunstância só se verificaria caso houvesse consenso dos líderes. Rui Rio já anteriormente tinha referido que avançaria para a liderança do partido caso fosse essa a pretensão da maioria das bases social democratas. 

É exactamente neste ponto que reside o problema, a maioria dos militantes do PSD continua a defender a liderança de Pedro Passos Coelho sobretudo depois dos elogios públicos de Rui Rio a António Costa e de ter aceite formular um pacto de regime com este. Este foi o primeiro presente envenenado de António Costa. Mais tarde numa entrevista dada ao Expresso, António Costa refere-se a Rui Rio como o seu verdadeiro adversário. Significa isto, portanto, que António Costa não só quer Rui Rio com quem é capaz de alcançar consensos na liderança do PSD como quer ver o partido do Governo desfragmentado em lutas internas com a maior brevidade e o mais próximo possível da data que definiu para as eleições antecipadas. Eis o segundo presente envenenado. António Costa lançou o repto para que Rui Rio avançasse para a liderança do PSD depois das primárias do PS num processo idêntico de eleição do candidato a PM, ou seja, para que desse essa “chapelada democrática” na actual liderança forçando-a a resignar em função do resultado. Contudo, há algo que António Costa esquece e que Rui Rio bem sabe, que se desencadeasse um processo deste género no seio dos social democratas perderia, a maioria das bases encontra-se ao lado do actua líder e a minoria que não está jamais lhe perdoaria o momento escolhido para chegar à liderança por considerarem que terá essa oportunidade depois do mandato de Pedro Passos Coelho. António Costa propunha não mais do que um tiro no próprio pé a Rui Rio, quando este só tem que esperar pela sua vez., seria um esvaziar de um Rio ainda não cheio.Talvez por isso e para não sair de cena durante o próximo ano Rui Rio lançará a sua biografia nesta reentré política. Sendo conhecido como um político cauteloso e perfecionista, dou como certo que Rui Rio não avançará seja pela incerteza da vitória seja pelo abalo que traria ao interior do partido e mesmo ao xadrez político a nível nacional este sabe que o avanço que traria mais dissabores do que a quietude.

Texto de João Pedro Galhofo

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