domingo, 28 de setembro de 2014

O velho Socialismo está de volta



António Costa venceu as primárias do PS e é o candidato socialista que vai concorrer a primeiro-ministro nas próximas legislativas. Como se esperava, o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa obteve uma margem significativa frente a António José Seguro. Eu disse ainda presidente porque Costa não disse nada em relação ao cargo que ocupa na edilidade lisboeta. Será que o novo "candidato" pretende manter a CML porque assim continua ligado à política se perder as legislativas do próximo ano?

Este é uma possibilidade possível uma vez que Costa é um animal político como se viu nestas primárias. É óbvio que a distância entre a Praça do Município e o Largo do Rato é pouca, mas o futuro secretário-geral socialista já devia ter esclarecido essa posição. Começa mal porque, ao contrário do que fez Seguro, mantém todos os títulos que tem. 

A vitória de António Costa é também o regresso do Velho Socialismo ligado a Sócrates. Ouço muitas pessoas falarem sobre a indefinição em torno do líder parlamentar, da direcção bem como outros cargos dentro do partido. Ora, mas não está na cara que os Coelho, Ferro Rodrigues, Carlos César, Maria de Belém, Galambas e outros socialistas desta vida vão voltar à primeira linha da opinião socialista? E aposto que Sócrates não vai ser deixado de fora. O problema é que também Seguro vai regressar à sua vidinha de militante de base, ou seja, ligado ao caciquismo e interesses partidários do costume.

Como se viu na campanha eleitoral não há um estilo, ideias ou o quer que seja de diferente com António Costa. Podemos ter novidades em termos de mediatização, mas isso vai durar pouco tempo. 

Um factor que distingue o PS do PSD é que os ex-líderes socialistas estão sempre metidos dentro das jogatanas políticas. Basta recordar que Ferro Rodrigues, Mário Soares e Sócrates, não só vivem os problemas internos do partido no dia-a-dia, como querem ser uma voz activa e que influencia directamente as bases. Ora, Seguro não vai querer ficar calado depois desta traição por parte de Costa. 

Os próximos tempos no Largo do Rato vão ser interessantes porque este foi só mais um episódio na indefinição que continua o partido desde a histórica derrota eleitoral em 2011. 

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