quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O caso Tecnoforma

Não é por ser Passos Coelho que vou deixar de criticar com tudo o que não concordar com a sua governação nem com questões relacionadas com ética. 

Em primeiro lugar cumpre dizer que fico satisfeito pelo facto do primeiro-ministro ter pedido à Procuradoria-Geral República que tomasse uma decisão sobre alegadas incompatibilidades. 

Em segundo também fico contente por Passos Coelho admitir a hipótese de vir a demitir-se caso haja um parecer negativo da entidade. 

Ora, estes dois factores são suficientes para acreditar que estamos perante um primeiro-ministro honesto. É não é por ter alterado a sua política em relação aos cortes dos subsídios de férias e Natal que o vai deixar de ser. A honra e a honestidade são dois valores que em política são importantes, tal como na vida, mas não se pode confundir isso com decisões estritamente políticas. 

O que Passos Coelho fez só por um problema que apareceu vindo do nada mostra a credibilidade do primeiro-ministro e a sua vontade de esclarecer tudo diante das instâncias competentes. No ano passado aquando da crise política, fiquei muito bem impressionado com a forma como lidou com a questão Paulo Portas. Aliás, embora não concorde com algumas políticas de austeridade, sempre considerei Passos Coelho um político exemplar. E esta situação em que está envolvido é uma prova disto que acabei de dizer. 

Lembro-me perfeitamente o número de casos em que o nome de Sócrates esteve envolvido e nunca o antigo primeiro-ministro quis esclarecer qualquer incompatibilidade ou ilegalidade. Pelo contrário, Passos Coelho sabe que vai sair reforçado junto da opinião público, porque como é óbvio, o parecer da procuradoria-geral da República vai ser negativo.
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