segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Não será fácil ao Estado Islâmico implementar um califado no Iraque

O Estado Islâmico que tem espalhado o terror no Iraque e na Síria pretende instalar um califado islâmico na região e, ao que parece, também na Península Ibérica. Ora, a intenção do antigo ISIS tem sido expresso pela conquista de território iraquiano. Até ao momento, o EI tem estado afastado das decisões políticas que têm ocorrido em Baghdad nos últimos tempos com a substituição de Nouri Al-Maliki por Abadi. Neste campo os EUA ainda estão por cima, mas será a luta no terreno que vai determinar o futuro político do país. 

Não será fácil ao EI impor o Estado Islâmico, quer no Iraque quer na Síria. No Iraque, apesar de todos os movimentos, há a questão política e a provável oposição de grupos com outras etnias. A história deste país diz-nos que os grupos rivais têm ocupado o poder em momentos diferentes, não havendo uma subordinação dos sunitas aos xiitas e vice-versa. Por estes motivos é um erro o ocidente intervir política e militarmente no Iraque uma vez que as guerras pela conquista do poder vão ser eternas. E ainda há os curdos que do norte do país têm imensa vontade em chegar até à capital. É óbvio que o Ocidente tem de ter presente a ameaça do EI, mas duvido que os recrutas provenientes da Europa sejam para atacar Londres, Nova Iorque, Paris ou mesmo Lisboa. A intenção destes movimentos é angariar jovens militantes que não têm futuro em alguns países europeus e integrá-los em estruturas locais para combater o inimigo interno. O desastre humanitário originado pelas guerras na Síria, Líbia, Iraque e mesmo o conflito entre Israel e Palestina são responsáveis pela diminuição do número de pessoas que aderem a estes grupos parecidos com Al-Qaeda. Na minha opinião as motivações do EI não são as mesmas do grupo que era liderado por Osama Bin Laden. Embora o EI tenha nascido da rede, a sua luta é mais interna do que combater o inimigo de sempre. A recente decapitação de James Foley foi uma provocação para os governos ocidentais, mas também para as suas populações. 

Na Síria a situação é diferente porque as tropas de Bashar al-Assad estão bem preparadas no combate ao EI. A guerra no país foi desencadeada por grupos tribais com a mesma cartilha do EI. No entanto, nem todos alargaram a sua influência para a fronteira com o Iraque porque o principal objectivo era conquistar Damasco. A primavera árabe foi um problema para os governos dos países do Médio-Oriente porque a população começou a reagir contra as ditaduras, originando o aparecimento de pequenos grupos como o ISIS. O problema é que este começou a conquistar localidades como Mossul e depois foi alargando a sua zona de influência, abatendo tudo o que encontrava pela frente. 

Quando Obama anuncia o combate ao ISIS pretende também derrubar um movimento que pode causar perturbação ao governo central iraquiano. O problema disto tudo é o facto dos EUA continuarem em território iraquiano e a dirigirem a política local. No fundo, os iraquianos pretendem que o destino do país esteja nas suas mãos e não seja Washington a decidir. Há muito que os EUA deveriam ter saído do Iraque porque a sua interferência é responsável pela instabilidade que se vive no país. Contudo, não acredito que a administração Obama deixe os iraquianos governarem-se por si mesmos para evitar a construção de um califado islâmico, mas também para não haver contágio na região.

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