terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ferro para o parlamento, os outros para a direcção

O novo candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, nomeou Ferro Rodrigues para líder da bancada parlamentar. A primeira escolha de Costa para a sua nova equipa é um antigo líder que saiu pelo facto de Jorge Sampaio não ter convocado eleições legislativas aquando da fuga de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia em 2004. Como se sabe foi Pedro Santana Lopes o escolhido para continuar a mandar no governo suportado pela maioria PSD-CDS.

Dez anos depois o ex-líder continua nas hostes socialistas, como é possível um antigo secretário-geral chegar ao ponto de voltar a ser deputado?, e agora assume funções de homem que irá defrontar o primeiro-ministro nos debates quinzenais. Nada mais do que isso porque Ferro Rodrigues é um daqueles que está na politica não se sabe bem porquê. No entanto, eu entendo a escolha de Costa. O novo líder da bancada pode não ser muito competente politica ou ideologicamente, mas gosta do combate cara-a-cara. É mais por esta qualidade que Costa manda Ferro Rodrigues para a linha da frente, deixando nas trincheiras outros homens que são necessários para outras lutas. 

Na minha opinião a luta de António Costa contra Passos não vai ser no parlamento, mas na comunicação social e opinião pública. Por este motivo duvido que esse tipo de guerrilha dê frutos. 

Se atendermos à primeira nomeação, o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa está a dar razões aos críticos porque regressa ao passado e não olha para o futuro. A questão que se coloca é saber qual é o futuro que Costa tem para apresentar aos socialistas e aos portugueses, uma vez que foram também os simpatizantes socialistas que elegeram o futuro secretário-geral do partido. António Costa começa mal a sua gestão porque prefere a segurança do que o risco. Aliás, este é um sinal típico dos socialistas que gostam muito de se rodear das mesmas caras e pouca apetência para apostar em pessoas novas e com qualidade. O problema é que a malta jovem socialista espera e desespera por uma oportunidade. Situação que foi muito bem resolvida pelo PSD e CDS. 

A escolha de Costa para o conflito parlamentar indicia que a direcção do partido vai ser composta por muitos Guterristas, Ferristas, Socráticos e agora Costistas. 

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