segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Do apego ao poder

Em Portugal há muito a tendência das pessoas que ocupam lugares de topo ficarem agarrados ao poder durante muito tempo, mesmo que estejam a prejudicar o bom funcionamento das instituições que representam. Vem isto a propósito dos maus resultados da selecção nacional de futebol e do caos que se vive na liga de clubes. Tanto num caso como no outro estamos perante duas situações de  pessoas (Paulo Bento e Mário Figueiredo) que não têm condições para continuar a exercer as respectivas funções, mas continuam agarrados ao poder porque essa é a única forma de sobreviverem, porque quando estiverem no desemprego dificilmente voltam ao activo.

Apesar das situações futebolísticas referidas na política ocorrem mais casos destes. Veja-se a forma como António José Seguro arranjou para sair de secretário-geral do PS o mais tarde possível. 

Ao medo de perder o cargo está igualmente uma fobia em deixar de poder fazer tudo o que se entender. Ou seja, dar um passo rumo à demissão significa ficar sem poder em dois sentidos: de ser o responsável pelas decisões, mas também de ir além das próprias escolha, ou seja, chegar ao ponto de efectuar manobras ilegais para continuar a exercer funções. O problema é que há sempre a possibilidade de "recorrer à bomba" para tirar quem não quer sair. 

Esta situação é muito característica em vários sectores da sociedade portuguesa uma vez que há muitas pessoas que se acham dono do mundo ou mesmo "dono disto tudo". 

Nas três situações acima referidas todas vão acabar para os principais protagonistas. Paulo Bento vai sair da selecção por força dos resultados, mas também porque o presidente da FPF vai perceber que já não dá mais. O jogo com a Dinamarca vai ser o último de Bento à frente da selecção das quinas. Mário Figueiredo vai deixar de ser presidente da Liga porque os tribunais não lhe vão dar razão na providência cautelar que interpôs para evitar que a decisão do Conselho de Justiça da FPF em realizar eleições antecipadas na Liga. Por fim, António José Seguro não será o escolhido pelos simpatizantes e militantes do PS para ser o próximo candidato socialista a primeiro-ministro.

Dos falsos poderosos não reza a história até porque todos saem pela porta pequena.

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