terça-feira, 9 de setembro de 2014

A divisão da Ucrânia é um facto consumado

O cessar-fogo na Ucrânia durou poucos dias. Como seria de esperar, os rebeldes ou seja lá quem for não respeitou o acordo alcançado na sexta-feira passada. Nesta sucessão de acontecimentos negativos e positivos, devo confessar que o comportamento do novo presidente Petro Poroshenko tem sido impecável, já que tem feito tudo para alcançar a paz. Ao contrário do que acontece com os radicais de Kiev, o chefe de Estado tem cumprido bem o seu papel. Não é por causa do novo presidente que os separatistas não vão cumprir o acordo, mas pela presença dos extremistas que ocupam lugares de governo. Contudo, os militantes pró-russos pretendem ficar com o leste, não se interessando por Kiev. 

Sempre achei que o cessar-fogo não iria ser cumprido porque os interesses dos separatistas e de Kiev choca com o desejo de Poroshenko, Bruxelas e Washington. Perante este cenário é difícil alcançar a paz permanente e reconstruir o país. Na minha opinião a Ucrânia nunca mais voltará a ser um país unido porque será uma questão de tempo até que o leste fique definitivamente nas mãos dos rebeldes e das milícias que controlam a maioria das cidades, além de que esta guerra abriu feridas. Vai ser difícil a russos-ucranianos e ucranianos viverem juntos no mesmo país, sob a mesma bandeira e cantando um hino semelhante. No entanto, a separação não será fácil e vai custar muitas vidas inocentes bem como negociações difíceis e exigentes. Também não acredita que Moscovo queira ficar com a parte leste da Ucrânia. Será um novo país que será independente da Rússia. 

A atitude mais inteligente de Poroshenko será incluir a Rússia, EUA e Bruxelas na definição de um novo mapa para a região. Caso uma das partes decida excluir alguém não vai haver acordo e este conflito armado promete ser longo.

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