quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O inimigo está dentro da Europa

A morte de James Foley chocou os EUA e o mundo devido à brutalidade com que foi efectuado o crime. O presidente Barack Obama reagiu bem à ameaça que representa o Estado Islâmico, grupo que nasceu da Al-Qaeda. Muito provavelmente os EUA vão ter de continuar no Iraque para dizimar o EI e colocar um ponto final na existência deste grupo. Na minha opinião o Ocidente tem a obrigação de resolver um problema que foi iniciado por si até porque há factores políticos que levaram a esta morte. A recente queda de Nouri al-Maliki e a nomeação sem recorrer a eleições de um novo primeiro-ministro agrava a ira dos jihadistas. 

A morte de James Foley foi efectuada por um cidadão britânico que está ao serviço do EI. Ora, como tem sido notícia nos últimos meses há vários jovens europeus que estão a ser recrutados por estes grupos, para combater os governos locais, mas também os inimigos externos. É certo que a luta do EI é instaurar um califado islâmico no Iraque. No entanto, não deixaram de provocar o Ocidente numa altura em que nada nem ninguém o fazia prever. A grande questão que se coloca é saber porque razões os jovens europeus integram voluntariamente estes grupos radicais. Certamente que há razões políticas e económicas, mas também sociais. 

Em meu entendimento o primeiro passo dos governos do Ocidente é combater as causas deste êxodo juvenil. Identificado o primeiro problema há que minimizar a perda de homens para este tipo de grupos. O segundo passo é tornar os países onde estão a ocorrer este tipo de recrutamento mais democráticos, livres e economicamente sustentáveis. Por fim, há que eliminar a ameaça terrorista nestes locais. Nestes três passos a tarefa mais fácil é a primeira. 

O combate contra estes grupos torna-se mais complicado porque quem os lidera são pessoas com formação intelectual e profissional. Já não estamos perante aquele terrorista tradicional que só manda colocar bombas sem qualquer nexo. A intenção agora é outra. No entanto, por agora o Ocidente pode combater estes grupos no terreno, mas a sua execução não será fácil. 

Estes são os obstáculos pelos quais Barack Obama, David Cameron e outros governos ocidentais vão ter por passar. Nunca será fácil chegar a decisão consensual porque ela vai levar à perda de vidas humanas. Contudo, é preciso acreditar que a luta contra o fanatismo radical pode ser vencido apesar do inimigo já estar muito perto de nossa casa. 

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