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terça-feira, 15 de julho de 2014

Remodelação surpresa tendo em vista as legislativas


O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez hoje uma remodelação surpresa e cuja principal missão foi criar uma nova onda positiva no seio do governo que terá de se preparar para as legislativas do próximo ano. O mais surpreendente nesta remodelação foram as despromoções de Michael Gove e William Hague, antigo ministro dos negócios estrangeiros. Embora o chefe de governo diga que não se trata de afastar dois importantes membros do partido conservador, a verdade é que a crítica britânica acredita que Cameron pretende mais espaço de manobra para enfrentar os trabalhistas e o UKIP em 2015.


Esta mudança no executivo surge numa altura após um mau resultado nas eleições europeias e quando se aproximam as legislativas 2015 cujo resultado poderá ditar um referendo histórico sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Na minha opinião Cameron fez bem, mas arriscou demasiado em afastar Gove e Hague uma vez que os dois podem causar problemas internos, em particular o primeiro. Em relação ao segundo não percebo o afastamento do ministério dos negócios estrangeiros já que se tratava de um bom diplomata. No entanto, o líder não entendeu assim e fez tudo de uma vez. O pior nesta alteração foi a forma como Cameron usou o twitter para dar a conhecer aos britânicos um importante momento político. Espero que esta moda não seja para copiar noutros países. A utilização das redes sociais é importante para transmitir a mensagem rapidamente, mas não pode ser aproveitada pelos políticos de qualquer forma. 


É natural que Cameron tenha feito esta remodelação porque a actual situação a isso obriga, até porque os debates semanais com Ed Miliband não lhe têm corrido bem. A partir de agora Cameron já não tem mais margem de manobra para falhar uma vez que o calendário eleitoral está a apertar. Contudo, acho que as melhorias económicas do país e a queda do desemprego podem ajudar a equilibrar os pratos da balança nos próximos meses. Em meu entender o que tem causado mais problemas aos Conservadores é a sua insistência em relação ao referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Aqui, o actual primeiro-ministro, ainda não explicou muito quais são as vantagens de sair e as desvantagens de ficar. E o outro aspecto tem a ver com a sua posição sobre o projecto europeu, porque não pode simplesmente organizar uma consulta popular e deixar nas mãos do povo a sua própria opinião. 

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