quinta-feira, 24 de julho de 2014

Quando estão no poder ninguém lhes pode tocar

A detenção de Ricardo Salgado acabou como se esperava. O antigo presidente do BES pagou uma caução e foi para casa aguardar novos desenvolvimentos da justiça sobre este caso. Em primeiro lugar não percebi a expectativa durante todo o dia em relação a este caso, porque era notório que Salgado não iria ficar em prisão preventiva. Uma mera fuga aos impostos no valor de 14 milhões de euros não é motivo para ficar detido preventivamente nem em prisão domiciliária. No entanto, haverá mais situações em que o actual líder do BES terá com que se preocupar, isto se a procuradoria geral da república mexer com os cordelinhos e for até ao fundo nas investigações à gestão danosa do grupo. Só que aí não é apenas Salgado que vai ter problemas. 

Outro aspecto tem a ver com a demora neste processo que nada tem a ver com a sua passagem no Banco Espírito Santo. Tal como aconteceu noutras situações, quando se está no poder ninguém toca e só depois de terminadas as funções é que se vai com um mandado de captura a casa do "arguido". Também foi assim com Vale e Azevedo que só teve problemas com a justiça após ter abandonado a presidência do Benfica. Por aqui a justiça não tem melhorado. No entanto, convém explicar que isto não é uma situação particular das nossas autoridades porque a importância do cargo tem de obedecer a certas diligências e timings. Deste modo, não quero que a justiça entre pelas portas dos presidentes que são suspeitos e inicie uma caça às bruxas. Repito: é importante que a justiça saiba qual é o momento adequado para fazer este tipo de diligências. Não creio que com isto haja uma justiça para ricos e outra para os mais pobres. É normal que quem está no topo esteja mais protegido nestas situações, mas isso não significa que haja um desinteresse pelos crimes alegadamente crimes. Até porque a gestão de Ricardo Salgado levou-o a ter que abandonar o BES pela porta pequena e não em grande como certamente "o Dono Disto Tudo" esperaria.

O pior para Salgado, para o BES e a economia portuguesa é o que vem a seguir.  

1 comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Cada dia entendo menos... pessoas que nos pareciam merecer consideração e respeito mas afinal são iguais aos outros manhosos e mafiosos sacando e arrecadando sem nunca se fartarem....pobres mortais que agora sentem o peso a desmoronar-se.
Seria melhor para todos vê-los sair pela porta grande da honestidade, da honra e da dignidade do dever cumprido...

Esta sociedade está podre...

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