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sábado, 19 de julho de 2014

O lugar que o CDS ocupa na sociedade portuguesa


O CDS, tal como a maioria dos partidos que fundaram a democracia, celebra 40 anos. Não há dúvida que o partido fundado por Freitas do Amaral tem ocupado um espaço importante na direita portuguesa. No entanto, com as mudanças de líder, alterou-se também a ideologia e o caminho seguido pela força partidária. Costuma dizer-se que o CDS é um partido liberal, conservador e democrata-cristão porque dentro da estrutura há pessoas com vários tipos de pensamento. Eu não vejo esta situação como um factor positivo porque não há nenhuma definição ideológica e isso pode fazer com que os eleitores "saiam" do partido consoante este esteja mais por cima ou em baixo. 

Não podemos dissociar o crescimento do partido à figura do partido, mas também é preciso realçar o facto da máquina estar excessivamente concentrada no seu líder. Na minha opinião este aspecto também é mau porque a sucessão será mais difícil e há pouco espaço para outras ideias vingarem. Contudo, convém não esquecer que nas últimas legislativas a maioria dos jovens trocou o BE por um voto no CDS. Também é de realçar a qualidade dos valores do partido que, estando ou não com Portas, estão a ganhar notoriedade, não só na política, mas sobretudo em vários sectores da sociedade portuguesa. Ninguém olha para o CDS como um partido pequeno, o problema é que quando se aproximam eleições todos acham que vai voltar a ser o partido do Táxi, principalmente quando está em funções governativas e é penalizado pelas políticas.

Em meu entendimento o CDS deve ocupar um espaço mais liberal, autónomo e que defenda com convicção a iniciativa privada, alterações à constituição para acabar com alguns direitos adquiridos bem como torná-la mais um texto político do que uma lei a que todos devemos respeitar ponto por ponto. Em relação a esta questão quando for altura de uma revisão constitucional, quem estiver à frente do partido deve questionar a existência do Tribunal Constitucional. Penso que o CDS deve largar a sua matriz conservadora, mas continuar com a sua faceta democrata-cristã. Acho que é difícil o partido tornar-se numa força liberal pura, contudo acredito que as pessoas com essa vertente podem vir a ganhar um espaço importante dentro de poucos anos. Infelizmente Paulo Portas vai manter o CDS conservador/democrata-cristão. É uma opção que respeito, mas acho que deveria ir mais longe e não ter medo de abrir rupturas políticas, sociais e económicas. 

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