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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Desemprego no Reino Unido

O último boletim informativo divulgado pelo gabinete de estatísticas do Reino Unido em Abril deste ano confirma a queda acentuada do desemprego para os 6.9% entre Dezembro de 2013 e Fevereiro. Este valor representa um aumento de 239 mil empregados e a redução do número de desempregados para 77 mil, sendo que no ano passado foram criados 900 mil empregos, mas 400 mil estavam desempregadas. Em 2010 quando o actual governo tomou posse a taxa de desemprego era de 7,8%, tendo crescido 2,2% desde o início da década. Os principais objectivos do executivo liderado por David Cameron passam por estimular o investimento em empresas do sector privado para melhorar o acesso à Internet no próximo ano com especial incidência nos meios rurais, alcançar um crescimento económico forte e sustentável, reduzir o défice e relançar a economia, criar um sistema fiscal simples e justo que atinge as pessoas com rendimentos mais baixos bem como ajudar a indústria do turismo a crescer com a criação de vários programas.  Nestas medidas gerais estão incluidos melhoramentos de 28 mil milhões de libras na rede de estradas, bem como desenvolver uma rede nacional ferroviária de alta velocidade no valor de 16 mil milhões de libras. No entanto, o facto mais relevante das propostas apresentadas por este executivo tem a ver com investimento no sector privado para a criação de emprego a partir de 2020. Por fim, uma particular ajuda à economia da Irlanda do Norte com cerca de 132 milhões de libras em infraestruturas e do País de Gales por via da aposta no investimento tecnológico. O executivo britânico pretende disponibilizar três milhões de libras em forças armadas para manter a paz nos Balcãs. No entanto, o governo britânico para chegar a um ponto em que o sucesso parece irreversível enfrentou várias críticas de várias instituições internacionais que criticaram as políticas económicas do executivo que foram adoptadas o ano passado. Há um ano o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que havia um longo caminho para percorrer, facto que foi aceite na altura por George Osborne, chancellor do tesouro britânico, equivalente ao ministro das finanças português. O problema é que a OCDE num relatório divulgado recentemente criticou as opções governativas uma vez que as medidas de austeridade estão a recair nas pessoas mais pobres, o que faz com que a sociedade britânica se torne desigual. À semelhança do que acontece na maior parte dos países europeus, também no Reino Unido o desemprego jovem é uma praga social que tem de ser combatido urgentemente.

Dentro de um ano vai haver eleições legislativas em Inglaterra. A derrota nas últimas europeias fez soar o alarme no partido Conservador uma vez que os trabalhistas estão a obter bons resultados junto da opinião pública e nas sondagens. À subida do partido liderado Ed Miliband ainda há que contar com o crescimento do UKIP de Nigel Farage bem como com as constantes alterações de humor do líder dos Liberais-democratas, Nick Clegg.  Não obstante os bons números do desemprego, ainda há muito a fazer noutros aspectos. Nuno Mansilha, advogado que trabalha em Londres diz que “os salários não têm aumentado e o debate que se faz neste momento é sobre a qualidade dos empregos que estão a ser criados”. O português alerta ainda para o facto do “Reino Unido ter duas velocidades porque Londres tem um ritmo próprio que não pode ser comparado ao resto do país”. Por fim, Nuno Mansilha confirma que o “sector que mais sofreu com a crise foi o financeiro”. A recente remodelação governamental efectuada pelo primeiro-ministro britânico é vista para alguns analistas como uma tentativa de recuperar algum terreno que foi perdido para a oposição britânica durante o início da recuperação económica.

O desemprego foi uma das heranças mais pesadas deixadas por Gordon Brown e que o novo governo britânico liderado por David Cameron teve de colocar no topo das prioridades da sua agenda. As perspectivas de melhoria económica são bem vistas pela população britânica, mas também pelos estrangeiros que trabalham no Reino Unido. Rita Sério, portuguesa que vive há um ano no Reino Unido disse que “acredita na melhoria das condições económicas” e garante que o “país está melhor mesmo com os cortes que foram efectuados”. A trabalhadora do sector da restauração acrescenta que “o que se desconta aqui acaba por ser justo porque há muitos apoios, sobretudo no sector da saúde”. A intenção de Rita é “continuar a viver” no local onde está com a sua família há um ano. Patrícia Simões que trabalha nas autoridades portuárias do aeroporto de Heathrow garantiu que “as medidas estão a ser sentidas, mas de forma muito ligeira”. A portuguesa que vive no Reino Unido há 12 anos considera que “a actuação do governo está a ser boa, principalmente para os jovens porque há trabalho para todos”. Tal como acontece com Rita Sério, Patrícia também pretende continuar em terras de Sua Majestade.

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