O último boletim informativo
divulgado pelo gabinete de estatísticas do Reino Unido em Abril deste ano
confirma a queda acentuada do desemprego para os 6.9% entre Dezembro de 2013 e
Fevereiro. Este valor representa um aumento de 239 mil empregados e a redução
do número de desempregados para 77 mil, sendo que no ano passado foram criados
900 mil empregos, mas 400 mil estavam desempregadas. Em 2010 quando o actual
governo tomou posse a taxa de desemprego era de 7,8%, tendo crescido 2,2% desde
o início da década. Os principais objectivos do executivo liderado por David
Cameron passam por estimular o investimento em empresas do sector privado para
melhorar o acesso à Internet no próximo ano com especial incidência nos meios
rurais, alcançar um crescimento económico forte e sustentável, reduzir o défice
e relançar a economia, criar um sistema fiscal simples e justo que atinge as
pessoas com rendimentos mais baixos bem como ajudar a indústria do turismo a
crescer com a criação de vários programas. Nestas medidas gerais estão incluidos melhoramentos
de 28 mil milhões de libras na rede de estradas, bem como desenvolver uma rede
nacional ferroviária de alta velocidade no valor de 16 mil milhões de libras.
No entanto, o facto mais relevante das propostas apresentadas por este
executivo tem a ver com investimento no sector privado para a criação de
emprego a partir de 2020. Por fim, uma particular ajuda à economia da Irlanda
do Norte com cerca de 132 milhões de libras em infraestruturas e do País de
Gales por via da aposta no investimento tecnológico. O executivo britânico pretende
disponibilizar três milhões de libras em forças armadas para manter a paz nos
Balcãs. No entanto, o governo britânico para chegar a um ponto em que o sucesso
parece irreversível enfrentou várias críticas de várias instituições
internacionais que criticaram as políticas económicas do executivo que foram
adoptadas o ano passado. Há um ano o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou
que havia um longo caminho para percorrer, facto que foi aceite na altura por
George Osborne, chancellor do tesouro britânico, equivalente ao ministro das
finanças português. O problema é que a OCDE num relatório divulgado
recentemente criticou as opções governativas uma vez que as medidas de austeridade
estão a recair nas pessoas mais pobres, o que faz com que a sociedade britânica
se torne desigual. À semelhança do que acontece na maior parte dos países
europeus, também no Reino Unido o desemprego jovem é uma praga social que tem
de ser combatido urgentemente.
Dentro de um ano vai haver
eleições legislativas em Inglaterra. A derrota nas últimas europeias fez soar o
alarme no partido Conservador uma vez que os trabalhistas estão a obter bons
resultados junto da opinião pública e nas sondagens. À subida do partido
liderado Ed Miliband ainda há que contar com o crescimento do UKIP de Nigel
Farage bem como com as constantes alterações de humor do líder dos
Liberais-democratas, Nick Clegg. Não
obstante os bons números do desemprego, ainda há muito a fazer noutros
aspectos. Nuno Mansilha, advogado que trabalha em Londres diz que “os salários
não têm aumentado e o debate que se faz neste momento é sobre a qualidade dos empregos
que estão a ser criados”. O português alerta ainda para o facto do “Reino Unido
ter duas velocidades porque Londres tem um ritmo próprio que não pode ser
comparado ao resto do país”. Por fim, Nuno Mansilha confirma que o “sector que
mais sofreu com a crise foi o financeiro”. A recente remodelação governamental efectuada
pelo primeiro-ministro britânico é vista para alguns analistas como uma
tentativa de recuperar algum terreno que foi perdido para a oposição britânica
durante o início da recuperação económica.
O desemprego foi uma das heranças
mais pesadas deixadas por Gordon Brown e que o novo governo britânico liderado
por David Cameron teve de colocar no topo das prioridades da sua agenda. As
perspectivas de melhoria económica são bem vistas pela população britânica, mas
também pelos estrangeiros que trabalham no Reino Unido. Rita Sério, portuguesa
que vive há um ano no Reino Unido disse que “acredita na melhoria das condições
económicas” e garante que o “país está melhor mesmo com os cortes que foram
efectuados”. A trabalhadora do sector da restauração acrescenta que “o que se
desconta aqui acaba por ser justo porque há muitos apoios, sobretudo no sector
da saúde”. A intenção de Rita é “continuar a viver” no local onde está com a
sua família há um ano. Patrícia Simões que trabalha nas autoridades portuárias
do aeroporto de Heathrow garantiu que “as medidas estão a ser sentidas, mas de
forma muito ligeira”. A portuguesa que vive no Reino Unido há 12 anos considera
que “a actuação do governo está a ser boa, principalmente para os jovens porque
há trabalho para todos”. Tal como acontece com Rita Sério, Patrícia também
pretende continuar em terras de Sua Majestade.

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