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terça-feira, 8 de julho de 2014

BES ou SI(BES)?

Depois da novela cómica BES ter começado parece-me que a escolha do Conselheiro de Estado, Presidente do SIBS, antigo Presidente da SEDES e do IGCP, convidado para Ministro das Finanças deste Governo antes de qualquer outro, Vítor Bento foi a melhor escolha, não a possível, mas a escolha perfeita para um lugar politicamente ingrato como o tempo revelará. É definitivamente alguém sem ligações familiares aos Espírito Santo e sobretudo um independente que colocará a saúde da economia nacional à frente da saúde estratégico- partidária de qualquer grupo de interesses. Normalmente já tenho imensa dificuldade em entender aquele lugar- comum de crítica aos políticos portugueses sempre que aqueles que são efectivamente bons naquilo que fazem deixam se exercer funções do sector público do Estado para exercer outras Privado, como se fosse exigível a esse titular que não ascendesse na sua carreira profissional ou proibi-lo de ter um vencimento maior neste sector. Agora, o que efectivamente não consigo entender é criticar um Conselheiro de Estado sem retribuição por essa designação, Presidente de uma empresa privada detentora de uma marca única a nível mundial "Multibanco" por ter sido escolhido por unanimidade dos accionistas para liderar os rumos de um banco privado com problemas financeiros. Se noutras escolhas consigo entender a crítica de ligação ao PSD, neste caso claramente quer colocar-se tudo no mesmo saco. Sempre que assim é, foge-se naturalmente à verdade dos factos. Vítor Bento sempre se distanciou do partido, exercendo a sua influência na sociedade civil através do comentário público sobre temas económicos e das suas reflexões sobre o mesmo assunto publicado em diversos livros. Aliás, nota-se bem a influência filosófica nos seus textos para além da sua matriz marcadamente económica (Vide "Economia, Moral e Política" da FFMS ou mesmo "Nó Cego da Economia"). Apesar disso, terá a difícil tarefa de se conseguir distanciar das pressões já exercidas e das que ainda exercerão de uma das família mais poderosas do País. Cabe também ao regulador, Banco de Portugal estar a atento a estas tentativas de pressão e sancioná-las, tal como caberá ao MP investigá- las e aos tribunais puni-las. Lugar onde penso que esta como boa novela à portuguesa, visto todos os crimes fiscais envolvidos e que com certeza ainda viremos conhecer, irá terminar.

Texto de João Pedro Galhofo

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