terça-feira, 15 de julho de 2014

Atitudes diferentes perante o caso BES

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, garantiu que não vai haver intervenção do Estado no BES. As declarações do chefe de governo contrariam assim algumas notícias que circularam a semana passada sobre uma eventual hipótese de dinheiro dos contribuinte ser utilizado para tapar o buraco no Banco Espírito Santo. 
A atitude do governo português é a mais correcta e sensata. É óbvio que nenhum banco pode falir, mas as pessoas não têm de ajudar empresas privadas com o dinheiro dos impostos. No entanto, a nomeação de Vítor Bento para a chefia do Banco é uma garantia que a entidade financeira está sob controlo, não só do Banco de Portugal mas também do executivo. Por um lado o governo não quer ter mão nos problemas internos do BES, mas por outro pretende ter a certeza que vai haver vigilância apertada nos próximos anos porque estes serão de recuperação e rigor financeiro. 

Sob este ponto de vista percebo as interrogações do secretário-geral do PS, António José Seguro, que qualifica a nomeação de Vitor Bento e João Moreira Rato de "política", estando preocupado com a promiscuidade cada vez mais visível entre negócios e partidos. O que não percebo foi o encontro que o líder socialista manteve com o novo "presidente" do BES. Será que Seguro estava a condicionar a acção de Bento, ou foi uma forma de prestar apoio, uma vez que o socialista pode vir a ser o próximo primeiro-ministro?

Posto isto, não é normal que Seguro critique a intervenção da política nos negócios e depois marque um encontro com Vítor Bento. Tenho a certeza que esta reunião não foi para falar de futebol, noitadas ou outros aspectos.

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